Com 2026 positivo, Moura Dubeux fica cautelosa para 2027 e pode rever aposta no MCMV

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Fonte da notícia: Valor Valor

Diego Villar, CEO da incorporadora Moura Dubeux, afirma estar “extremamente cauteloso” com as projeções para 2027, ano que se desenha para ser “o mais desafiador” desde que a empresa abriu o capital, em 2020, disse em teleconferência com analistas e investidores nesta sexta-feira (6).

Villar comentou os resultados do terceiro trimestre da incorporadora, que atua no Nordeste. A empresa teve desempenho considerado forte pelo mercado, enquanto seus pares estão entregando dados na média ou abaixo do esperado por analistas.

No acumulado do ano, o lucro líquido da Moura Dubeux cresce 55,6%, para R$ 479,6 milhões. Ainda assim, Villar afirma que “não tem problema algum” em reduzir o guidance do negócio para o próximo ano “pela metade, caso seja necessário”, dadas as condições macroeconômicas.

A interrupção da queda da taxa de juros e uma perspectiva de inflação mais alta são as principais preocupações do executivo. “A partir de agora, só lançamos projetos com baixíssimo consumo de caixa, gerador de caixa e com velocidade de venda mais forte”, disse.

“Aqueles em que possamos ter dúvida serão postergados até que tenhamos uma perspectiva mais clara do cenário à frente.” A empresa deve concentrar lançamentos na modalidade de condomínio fechado, voltada ao segmento de alta renda, na qual os clientes pagam o imóvel durante a obra, sem necessidade de caixa por parte da companhia.

A Moura Dubeux recebe uma taxa de administração. Cuidado com MCMV

A habitação econômica é uma aposta mais recente da Moura Dubeux — e de diversas incorporadoras, que veem o segmento como mais seguro por causa do programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV). No entanto, Villar afirma que a dificuldade crescente de encaixar a renda desse cliente no financiamento bancário, ainda que subsidiado, e um risco de aumento de inflação do custo de obra em 2027 e 2028, preocupam e podem frear a inserção da Moura Dubeux no segmento.

Caso os custos subam, “o modelo de MCMV pode ter um achatamento de margem”, afirma, porque os contratos dos clientes não são reajustados durante a obra pelo Índice Nacional de Custo da Construção (INCC), diferentemente do que acontece fora do programa. “Havendo necessidade, como está se desenhando, vamos reduzir lançamento e exposição a esse modelo”, disse.

A Moura Dubeux lançou R$ 115 milhões no terceiro trimestre no MCMV, na sua linha chamada Ún1ca, ante R$ 1,5 bilhão do total lançado no período. Ainda segundo Villar, apesar de a Moura Dubeux atuar no Nordeste, região onde Lula teve o maior percentual de votos na eleição, “a economia é girada por pessoas que talvez estavam apostando na mudança de governo”, e há impacto na decisão de compra do seu cliente.

Há interesse pelos projetos, disse, mas o processo de decisão foi alongado. Diego Villar, CEO

Foto: Divulgação

Publicação Original Valor valor.globo.com
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