Sete colunistas do jornal O Globo deram a Lula média de 2,7 e a Flávio Bolsonaro média de 2,4, numa escala de 1 a 5, para o desempenho no último debate presidencial da TV Globo, realizado na sexta-feira (23/10). O levantamento, publicado neste sábado aponta vitória do presidente por pontos, a dois dias do segundo turno.
Miriam Leitão, Vera Magalhães e Renato Meirelles deram nota 3 a Lula e 2 a Flávio. Thomas Traumann foi o único a inverter o quadro, com 2 para o presidente e 3 para o senador.
Bernardo Mello Franco avaliou os dois com nota 2. Fabio Graner e Pablo Ortellado concederam 3 a cada candidato.
Para Miriam Leitão, Lula “dominou a maior parte do debate”, inclusive no tema da segurança pública. A colunista destacou que o presidente saiu fortalecido ao aceitar o desafio de abrir suas contas.
Vera Magalhães registrou que Lula teve dificuldade com as regras do programa, mas elogiou as falas sobre o Nordeste, as redes sociais e a resposta à ofensa de Flávio. Na leitura dela, o senador tinha mais familiaridade com a televisão e se prejudicou ao defender o policial do caso Ana Clara e ao usar a expressão “nove dedos”.
Renato Meirelles apontou como momento mais forte da noite a resposta em que Lula transformou a provocação sobre sua condição física em defesa da dignidade dos trabalhadores. Ele também citou as falas sobre salário mínimo, preços dos alimentos, Nordeste e o caso Ana Clara.
Meirelles ponderou o alcance do confronto com uma frase seca. “Ao vivo, ninguém mudou voto”, afirmou.
Traumann elogiou a desenvoltura de Flávio ao tratar do endividamento das famílias e dos preços nos supermercados. Para ele, o senador perdeu o equilíbrio quando foi confrontado sobre o caso Ana Clara.
Mello Franco viu um Flávio mais preparado para a televisão, mas com postura arrogante e a referência aos “nove dedos”. Graner ressaltou a experiência de Lula e a capacidade do presidente de apresentar propostas, e descreveu Flávio como disciplinado, embora por vezes teatral.
Ortellado avaliou que Lula conduziu boa parte do confronto para temas sociais e reagiu bem à provocação. Do outro lado, considerou o senador mais articulado, porém excessivamente ensaiado.
A expressão “nove dedos” alude ao dedo que Lula perdeu num acidente de trabalho e reuniu o maior consenso negativo entre os colunistas. Ao menos dois deles a citaram como erro de Flávio.
O caso Ana Clara expôs a divergência sobre segurança pública, com Flávio insistindo na defesa do policial envolvido. A avaliação predominante entre os analistas é que Lula teve um início irregular e se recuperou ao longo do programa.
Os dois candidatos tiveram problemas com o controle do tempo e com a adaptação às regras do debate. A diferença entre as médias, de 0,3 ponto, é pequena numa escala de cinco notas e vem de apenas sete avaliações individuais.
Em três delas Lula superou Flávio, em três houve empate e em uma o senador levou vantagem. Os analistas não identificaram mudança clara no comportamento do eleitorado depois do debate.
O Datafolha divulgado na quinta-feira (22/10) mostrou 50% dos votos válidos para cada candidato, e o segundo turno acontece no domingo (25/10).
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