Realidade na linha de frente da guerra na Ucrânia é dura Oleg Petrasiuk/Ukrainian Armed Forces/REUTERS
Um total de 256 colombianos morreram e 973 estão desaparecidos na guerra da Rússia contra a Ucrânia, anunciou o Ministério das Relações Exteriores da Colômbia nesta quinta-feira (29). Milhares de cidadãos do país sul-americano participam do conflito, dos dois lados da frente de batalha.
✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp Do lado ucraniano, 162 colombianos morreram, contra 94 nas fileiras russas, informou o ministério.
Ex-militares colombianos são procurados em diferentes partes do mundo para atuar como mercenários ou forças auxiliares devido à experiência adquirida durante décadas de conflito armado interno no país. "Redobrem a cautela diante de ofertas de emprego no exterior, especialmente aquelas relacionadas a atividades militares", declarou Pedro Agustín Roa, vice-ministro responsável por Assuntos Migratórios.
Para "aqueles que decidem deixar o país para participar de conflitos armados internacionais, (...) existem limitações quanto à proteção e assistência consular em zonas de conflito", alertou. Agora no g1
A Ucrânia concentra a maior parte dos colombianos desaparecidos, com 666 casos, ante 297 registrados na Rússia. Kiev afirma que o alistamento de estrangeiros em suas fileiras está em conformidade com a legislação, enquanto Moscou nega manter vínculos com redes de recrutamento para a guerra.
No entanto, famílias na Colômbia denunciam os maus-tratos sofridos por parentes no campo de batalha. Treinados durante décadas para combater guerrilhas, grupos armados e organizações do narcotráfico, militares colombianos frequentemente enfrentam dificuldades para se reinserir no mercado de trabalho após deixar as Forças Armadas.
A ONU estima que ao menos 10 mil mercenários colombianos atuem atualmente em conflitos no exterior, atraídos por falsas promessas de altos salários e segurança, mas submetidos, em muitos casos, a condições desumanas. Pelo menos 7 mil deles participam do conflito entre a Rússia e a Ucrânia, segundo dados divulgados pelo governo anterior, em maio.
Colombianos também estiveram envolvidos em outros conflitos e operações de segurança no exterior, incluindo a guerra no Sudão, atividades ligadas a cartéis no México e missões privadas no Haiti. No país caribenho, 17 colombianos aguardam julgamento sob acusação de participação no assassinato do presidente Jovenel Moïse.
Vítimas de diversos países A Comissão Internacional Independente de Inquérito sobre a Ucrânia, criada pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU traçou, com base em evidências, o perfil típico das vítimas de recrutamento forçado em seu relatório mais recente, apresentado na segunda-feira (26) à Assembleia Geral da ONU.
Recrutadas por meio de força ou engano, em violação ao direito internacional, em países que vão da Índia ao Brasil, passando pela África do Sul e pela Bolívia, essas pessoas foram alvo de uma investigação que confirmou casos em pelo menos 29 nações. A maioria das vítimas é oriunda de comunidades vulneráveis, com baixos níveis de renda e escolaridade e sem experiência militar.
Elas são atraídas por falsas ofertas de emprego como seguranças, motoristas ou mecânicos divulgadas nas redes sociais. As promessas incluem bons salários, moradia, seguro e até a obtenção da nacionalidade russa.
Ao chegarem ao destino, têm seus passaportes e telefones confiscados e são obrigadas a assinar um contrato em russo com o Ministério da Defesa. Algumas só compreendem o que está acontecendo quando já se encontram em um campo militar.
Enviadas para a linha de frente após um treinamento rudimentar, que varia de 20 minutos a poucos dias, são utilizadas para cavar trincheiras ou detectar posições inimigas. Muitas vezes, deixam para trás famílias que não conseguem recuperar seus corpos nem receber os pagamentos prometidos.
Rússia nega Apesar do conjunto de evidências reunidas pela investigação, incluindo cartas oficiais, vistos e contratos, Moscou nega promover o recrutamento ilegal de estrangeiros.
Do lado ucraniano, a comissão não encontrou indícios de alistamentos forçados. A comissão, que atua de forma independente e não fala em nome da ONU, não é reconhecida pelo governo russo e não recebeu cooperação das autoridades de Moscou.
*Com AFP
G1