Colômbia enfrenta obstáculos para cumprir exigências do FMI em possível empréstimo

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Fonte da notícia: Valor Valor

A Colômbia enfrentaria grandes obstáculos para cumprir os compromissos assumidos em um eventual acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI), ao qual está recorrendo em busca de bilhões de dólares em meio a uma crise fiscal, segundo autoridades atuais e ex-integrantes do governo, além de economistas. Leia também: Plano de austeridade radical da Colômbia enfrenta caminho difícil no Congresso Colômbia revoga decreto que limitava investimentos de fundos de pensão no exterior

Uma equipe do Ministério da Fazenda do país viajou a Washington nesta semana para se reunir com representantes do organismo multilateral, por determinação do recém-empossado presidente Abelardo de la Espriella, que busca uma saída para uma crise marcada pela disparada da dívida e pela queda da arrecadação tributária.

Segundo dez economistas e autoridades atuais e ex-integrantes do governo consultados pela Reuters, a Colômbia poderia solicitar entre US$ 8 bilhões e US$ 20 bilhões em assistência financeira.

A maioria concordou que o instrumento do FMI mais adequado às circunstâncias da Colômbia seria a Linha de Precaução e Liquidez (PLL, na sigla em inglês), uma modalidade de financiamento destinada a países com fundamentos econômicos e estruturas institucionais sólidos, mas que enfrentam vulnerabilidades.

O governo colombiano prevê um déficit fiscal equivalente a 7,2% do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano e a um recorde de 9,4% em 2027. O país dispõe de Direitos Especiais de Saque (DES) equivalentes a aproximadamente US$ 2,78 bilhões, o que poderia permitir o acesso a cerca de US$ 16,6 bilhões em financiamento do FMI durante a vigência de um eventual acordo.

Embora o país andino cumpra a maioria dos critérios para obter uma PLL, incluindo um sistema financeiro sólido, uma estrutura robusta de política monetária e a independência do banco central, precisaria demonstrar avanços na sustentabilidade fiscal de sua dívida para se qualificar. Os sucessivos estouros orçamentários enfraqueceram a confiança em sua estrutura de política econômica.

Em sua avaliação de 2025, antes de uma deterioração ainda maior das perspectivas fiscais da Colômbia, o FMI afirmou que o país precisava realizar cortes orçamentários equivalentes a pelo menos 3,2% do PIB ao longo de três anos.

Uma PLL poderia ter um custo político menor do que um Acordo Stand-By, por ser destinada a países cujas políticas econômicas já são consideradas amplamente sólidas, embora também possa incluir metas fiscais e exigências de reformas.

O governo deveria buscar US$ 20 bilhões em empréstimos do FMI, com prazo médio de vencimento de quatro anos, afirmou o ex-ministro da Fazenda Mauricio Cárdenas.

"Acho que é um valor proporcional ao tamanho da nossa economia", disse Cárdenas, que participou de renovações anteriores de linhas de crédito do FMI. "Um benefício adicional é que isso nos permitiria quitar antecipadamente dívidas caras e substituí-las por essa dívida mais barata."

Vários outros entrevistados afirmaram que um acordo com o FMI aumentaria a confiança dos mercados, reduziria os prêmios de risco da Colômbia e ajudaria a liberar financiamentos adicionais de instituições como o Banco Mundial, o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e outros credores multilaterais.

"Um acordo com o FMI aumenta a confiança nessa dívida, e os credores poderiam reduzir o custo dos empréstimos existentes da Colômbia. Isso geraria um efeito positivo, não imediatamente, mas à medida que os compromissos fossem cumpridos ao longo do tempo", afirmou Juan Carlos Ramírez, presidente do comitê autônomo responsável por supervisionar o cumprimento da chamada "regra fiscal", destinada a evitar a deterioração das finanças públicas.

"Mas, enquanto o déficit persistir ano após ano, isso só poderá proporcionar algum alívio nos próximos anos. Não é a solução para o problema", acrescentou. Vista do logotipo do Fundo Monetário Internacional ( FMI ) em sua sede em Washington, DC, EUA, 24 de novembro de 2024 REUTERS/Benoit Tessier/Foto de Arquivo

Congresso dividido A Colômbia enfrenta o desafio de estabelecer metas fiscais viáveis, afirmaram vários dos entrevistados.

"O principal risco é não cumprir as exigências do FMI. O mundo estará observando a Colômbia e, se deixarmos de cumprir qualquer uma das metas estabelecidas pelo Fundo, não apenas um desembolso poderá ser suspenso, como todos verão que o país foi incapaz de cumprir o prometido", afirmou Munir Jalil, economista-chefe para a região andina do BTG Pactual.

Analistas afirmaram que um compromisso fundamental seria a chamada "Lei de Resgate", um projeto que prevê cortes de gastos equivalentes a 2,2% do PIB, ou cerca de US$ 14 bilhões, e que o governo de Espriella pretende apresentar aos parlamentares em meados de outubro. O presidente enfrenta um Congresso profundamente dividido.

"Nunca houve uma reforma de ajuste fiscal dessa magnitude em um único ano [na Colômbia]", afirmou Andrés Pardo, ex-vice-ministro da Fazenda e ex-chefe de estratégia macroeconômica para a América Latina da XP Investments. "Isso não significa que não possa ser feito, mas, francamente, parece difícil."

"Embora o governo tenha maioria, ela é bastante frágil e depende dos partidos da coalizão", acrescentou.

A Colômbia utilizou US$ 5,4 bilhões de uma Linha de Crédito Flexível do FMI para ajudar a enfrentar a pandemia de covid-19, encerrando a operação no ano passado, após quitar integralmente o empréstimo.

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