Cofundador do Spotify diz que deixaria a Suécia se imposto sobre grandes fortunas fosse adotado no país

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

Martin Lorentzon, cofundador do Spotify, afirmou que deixaria a Suécia imediatamente caso o país adote novos impostos sobre grandes fortunas, ampliando as preocupações de que as propostas debatidas antes das eleições deste mês no país possam levar empresários e capitais para o exterior. No Brasil: Imposto mínimo de 2% sobre grandes fortunas arrecadaria R$ 30 bi por ano, aponta estudo internacional Na América Latina: Imposto sobre super-ricos arrecadaria US$ 24 bi por ano, mostra estudo — Sim, com certeza — respondeu Lorentzon, em comentários enviados por e-mail à Bloomberg, ao ser questionado se consideraria uma mudança. — Eu preferiria ficar, mas um imposto desse tipo significaria que eu teria de sair imediatamente. O alerta do bilionário radicado em Estocolmo ocorre enquanto o Partido de Esquerda faz campanha pela criação de um imposto sobre bilionários e o Partido Verde propõe uma taxação separada sobre os mais ricos. Ambos integram a oposição de centro-esquerda liderada pelos sociais-democratas, que aparece à frente do bloco governista de direita nas pesquisas mais recentes e poderá exercer influência sobre a política tributária após a votação de 13 de setembro. Um imposto sobre grandes fortunas enfrenta a oposição tanto do atual governo de centro-direita quanto da líder social-democrata Magdalena Andersson, que descartou restabelecer os antigos impostos suecos sobre fortunas, heranças e doações. Ainda assim, investidores tentam avaliar quais acordos podem surgir após as eleições. Lorentzon, que tem patrimônio líquido estimado em mais de US$ 11 bilhões, segundo o Índice de Bilionários da Bloomberg, pediu que os políticos considerem, em vez disso, elevar os impostos sobre o capital ou os dividendos. Veja também: Fortuna dos bilionários cresce três vezes mais rápido desde eleição de Trump; US$ 2,5 trilhões em um ano, diz Oxfam — Não beneficia ninguém se empresários e geradores de empregos tiverem de vender partes de suas empresas para pagar impostos — afirmou. — Isso significaria menos empresas, menos inovações, menos investimentos em áreas como tecnologias ambientais e climáticas, menos contribuintes e menos recursos compartilhados para o bem-estar social. O imposto é diretamente contraproducente. Os comentários de Lorentzon são uma das indicações de como alguns suecos ricos reagiriam à adoção de novos impostos sobre grandes fortunas. Klas Tikkanen, executivo da Nordic Capital, já havia dito à Bloomberg que as propostas poderiam provocar “um verdadeiro êxodo”, enquanto empresários e consultores afirmaram que alguns já analisam a possibilidade de se mudar para o exterior. Lorentzon disse que as discussões sobre novos impostos já causaram algum prejuízo ao criar incertezas. — Recebo muitas perguntas de empresários sobre se ainda vale a pena abrir uma empresa na Suécia — disse à Bloomberg. — A situação era ruim nas décadas de 1970 e 1980 e está igualmente ruim hoje. Em um artigo de opinião publicado no jornal local Expressen no sábado, Lorentzon afirmou que apoia a tributação progressiva, mas se opõe à cobrança anual de um imposto sobre o patrimônio. Segundo ele, essas fortunas muitas vezes são compostas por participações ilíquidas em empresas, e não por dinheiro disponível, o que poderia obrigar os fundadores a vender ações para pagar os impostos.

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