Cobras dão cambalhotas a até 13 km/h para fugir do perigo

Cobras dão cambalhotas a até 13 km/h para fugir do perigo - Foto
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Cobras-de-junco-anã (Pseudorabdion longiceps) são capazes de dar cambalhotas para fugir de predadoresRushen/Flickr Pequenas cobras encontradas no Sudeste Asiático conseguem dar cambalhotas para escapar do perigo. O comportamento foi registrado em vídeos de três espécies do gênero Pseudorabdion, durante testes realizados em laboratório.As imagens mostram como esses animais curvam o corpo, lançam a cauda por cima da cabeça e rolam pelo chão para se afastar de possíveis ameaças. O estudo foi publicado em 19 de outubro na revista científica Current Biology.Para começar o movimento, as serpentes curvam o corpo em forma de C e levantam a cabeça, apontando para a direção em que vão seguir. Em seguida, empurram a cauda para trás e impulsionam todo o corpo, chegando a ficar parcialmente no ar por um momento.Depois, jogam a cauda para a frente, passando por cima da cabeça. Quando a ponta da cauda toca o chão à frente, uma nova cambalhota pode começar. Assim, a cobra consegue continuar rolando para fugir.Movimento feito pela cobra durante as manobras de cambalhotasReprodução/Kojima et al/Current Biology Nos testes da pesquisa, as serpentes atingiram velocidades entre 1,7 e 3,7 metros por segundo, o equivalente a cerca de 6 a 13 km/h.VEJA TAMBÉM: Rara cobra de duas cabeças é resgatada na Índia Experimento teve pista para cambalhotas A pesquisa começou depois que Yosuke Kojima, ecólogo da Universidade de Toho, no Japão, soube que um colega havia visto o comportamento na Malásia, em 2019. O relato causou o interesse dos cientistas, que decidiram investigar como as cobras faziam esse movimento.A equipe, então, recolheu os animais no Parque Nacional de Kubah, na Malásia. Foram pegas 11 cobra-de-junco-de-Sarawak (Pseudorabdion saravacense), uma de cobra-de-colar-comum (Pseudorabdion collaris) e uma de cobra-de-junco-anã (Pseudorabdion longiceps). Também participaram do estudo seis serpentes do gênero Calamaria para comparar os movimentos.Encontrar os animais não foi fácil. Elas medem entre 11 e 28 centímetros e costumam se esconder debaixo das folhas.Para observar o comportamento, os cientistas montaram uma pista de 2,2 metros de comprimento. As cobras foram colocadas uma de cada vez em uma das extremidades e estimuladas a fugir com um toque suave. Câmeras posicionadas acima e ao lado da pista registraram as cambalhotas.Todas as serpentes do gênero Pseudorabdion deram cambalhotas durante os testes. Já as seis cobras do gênero Calamaria não tiveram o mesmo comportamento.Comportamento lembra folclore sobre as "cobras de aro"Os pesquisadores ainda não sabem por que algumas dessas cobras conseguem dar cambalhotas, enquanto outras não.Uma das possibilidades é que as espécies que façam o movimento tenham características específicas no corpo, nos músculos ou no sistema nervoso que permitam coordenar a sequência de movimentos tão rapidamente.A bióloga Jessica Tingle, da Universidade Brown, nos Estados Unidos, que não participou da pesquisa, destacou ao Science News a complexidade da ação.As gravações também fizeram a pesquisadora lembrar de histórias folclóricas antigas sobre as chamadas hoop snakes, expressão que pode ser traduzida como “cobras de aro”. Relatos do século 19 descreviam serpentes que se deslocariam rolando pelo chão, mas Tingle considerava essas histórias fantasiosas.Ainda não é possível afirmar se os relatos antigos descreviam exatamente o mesmo comportamento. As imagens, porém, mostram que algumas cobras conseguem realizar movimentos parecidos aos das histórias.

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