CNBB pede que eleitos priorizem interesse público e trabalhem por diálogo e tolerância

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Fonte da notícia: Valor Valor

A cúpula da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) publicou hoje uma nota dirigida aos eleitos no pleito deste ano em que, sem citar nomes, cobra prioridade para questões de interesse público, acima de projetos pessoais, e estímulo à convivência democrática e à tolerância.

Intitulado "Mensagem aos eleitos e eleitas nas eleições de 2026", o texto é assinado pelo presidente da CNBB, dom Jaime Cardeal Spengler, arcebispo da Arquidiocese de Porto Alegre, além dos dois vice-presidentes e do secretário-geral da entidade. Na carta, os líderes católicos pedem que Nossa Senhora Aparecida abençoe o Brasil, retomando um dos temas de debate na campanha entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT), presidente reeleito, e Flávio Bolsonaro, senador que concorria à Presidência pelo PL.

"Em uma sociedade marcada por profundas diferenças e por tensões que se intensificaram durante o período eleitoral, desejamos que os representantes escolhidos pelo povo contribuam para fortalecer a convivência democrática, rejeitando a violência, a intolerância, a desinformação e toda forma de discriminação", declara a conferência.

Após saudar os eleitos em todos os níveis para os cargos em disputa neste ano, a CNBB afirma que o horizonte da política "não pode restringir-se aos interesses de grupos, partidos ou setores particulares, mas deve alcançar especialmente aqueles que mais necessitam da presença e da proteção do Estado".

Diz ainda esperar "que os mandatos sejam conduzidos com espírito democrático, integridade, transparência, diálogo, respeito às instituições e compromisso com a dignidade de cada pessoa humana". Os bispos também citam a importância de políticas públicas, do diálogo entre Poderes e do compromisso com os recursos públicos e listam, entre os desafios que o país precisa enfrentar, "a superação da pobreza e da fome, a redução das desigualdades, a promoção do trabalho digno, o acesso à saúde, à educação e à moradia, a proteção das famílias, a segurança pública, o cuidado com a Casa Comum e a defesa incondicional da vida e da dignidade humana, desde a concepção até seu fim natural".

O comunicado pontua que a contribuição espelha o compromisso da Igreja Católica com os mais pobres e desamparados, e "não se confunde com adesão partidária", devendo ser lida como defesa de vida digna para todos. "Confiamos à intercessão de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, os destinos de nossa nação e todos aqueles que receberam do povo a responsabilidade de governar e legislar", concluem os bispos.

Publicação Original Valor valor.globo.com
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