'Clima sombrio': Cresce temor entre aliados com inflexibilidade de Trump sobre estratégia para eleições de meio de mandato

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

A sala de jantar privativa do presidente dos EUA, Donald Trump, localizada logo ao lado do Salão Oval da Casa Branca, é onde ele vai para assistir televisão, fazer ligações telefônicas e examinar pilhas de notícias e documentos impressos que ocupam a maior parte do espaço. Um lugar foi liberado para Natalie Harp, uma assessora dedicada que agora trabalha nessa sala quando não está sentada atrás do presidente, à mesa dele.

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Quer morar fora do Brasil? Guia completo de imigração reúne informações de 36 países Em outro ponto, Bill Pulte, um alto funcionário federal da área habitacional e produtor de imagens e memes gerados por inteligência artificial que acabam nas redes sociais do presidente, dedica parte de seu tempo à confecção de cartazes.

Recentemente, ele fez um com a imagem do senador republicano Jon Husted, de Ohio, cujo traseiro despertou a admiração de Trump, para que o presidente o exibisse durante viagens a bordo do Air Force One. Em meio aos aliados leais, aos recortes de notícias, aos cartazes e às obras de arte feitas por seus admiradores, há um presidente cada vez mais imprevisível diante da possibilidade de que o Partido Republicano perca o controle das duas Casas do Congresso nas eleições da próxima semana.

Uma pesquisa eleitoral divulgada pela rede americana CNN nesta quinta-feira aponta que os democratas têm chances reais de vencer quatro cadeiras importantes, em Michigan, Maine, Texas e Kansas, o que poderia ajudar a garantir a maioria das cadeiras da Câmara Alta do Parlamento, atualmente em mãos governistas.

O partido oposicionista precisa de uma dianteira de cinco cadeiras no pleito, que neste ano renovará 35 vagas no Senado (pouco mais de um terço), se quiser alcançar a maioria. Muitos candidatos republicanos que disputam eleições acirradas tentaram se distanciar das políticas de Trump, de seu comportamento e das numerosas acusações de que ele estaria usando o cargo para obter vantagens pessoais em seu governo.

Nos bastidores, alguns assessores políticos e grupos republicanos independentes alertaram os auxiliares do presidente de que ele poderia causar mais prejuízos do que benefícios ao realizar comícios em estados decisivos onde as disputas estão perigosamente equilibradas, segundo pessoas a par dessas conversas.

Mas o presidente, sob pressão e irritado com os que o contestam, descartou pesquisas que refletem sua impopularidade e se enfureceu com reportagens desfavoráveis que o mergulham em um estado de espírito obscuro. Determinado a vencer transformando a temporada eleitoral de meio de mandato em um referendo sobre si mesmo, ele tem uma agenda de comícios por todo o país ao longo da semana.

Trump durante comício no Michigan: presidente americano tenta projetar própria imagem em candidatos republicanos Haiyun Jiang/NYT

Trump continua convencido de que sua posição dominante no Partido Republicano é suficiente para atenuar os efeitos de um cenário político adverso. Ainda assim, um clima sombrio tomou conta da Casa Branca, abalada por mudanças frequentes de pessoal, tensões entre facções internas e ansiedade em relação ao que poderá acontecer se os republicanos perderem o controle legislativo em Washington.

Essa avaliação foi feita por 16 integrantes e ex-integrantes do governo e aliados de Trump, que falaram sob condição de anonimato para descrever conversas privadas. Danielle Alvarez, porta-voz da Casa Branca, descreveu o presidente e seus assessores como unidos em torno de seus objetivos.

"Há apenas uma equipe que importa nesta Casa Branca, e é a equipe dedicada a servir ao presidente Donald J. Trump e ao povo americano", disse Alvarez em um comunicado, acrescentando: "A equipe do presidente continua forte, unida e concentrada em executar sua agenda de colocar a América em primeiro lugar".

Eleições/EUA: Democratas apostam em frente ampla e estratégia digital contra extrema direita Para vários funcionários e ex-funcionários da Casa Branca que estiveram por lá entre o início de 2017 e o início de 2021, as últimas semanas têm sido particularmente semelhantes ao primeiro mandato de Trump.

Aquele período foi marcado por passagens breves e explosivas de integrantes do governo e por disputas internas. Perto do fim, o presidente enfrentava dificuldades para governar durante uma pandemia.

Ele reagiu com ataques à medida que seus índices de aprovação despencavam e, em seguida, alimentou o medo e a indignação entre seus apoiadores com alegações falsas de que a eleição de 2020 havia sido fraudada, até que um grande grupo de pessoas atacou o Capitólio. A diferença entre aquele mandato e o atual, é claro, está no fato de que Trump voltou ao poder disposto a se vingar e acompanhado de um grupo de aliados leais que permaneceram ao seu lado durante os anos em que foi tratado como um pária político.

'É a luz que me guia': Confrontado sobre fé islâmica, democrata dá aula sobre a Constituição dos EUA; veja vídeo Desde seu retorno, ele ordenou que o Departamento de Justiça conduzisse uma campanha de retaliação contra aqueles que considera seus inimigos.

Também desencadeou uma ofensiva federal contra imigrantes em situação irregular no país, que acabou envolvendo cidadãos americanos e, em algumas ocasiões, provocou confrontos fatais. Ele continua a atropelar as normas éticas que tradicionalmente regem a Presidência.

E ainda tem mais dois anos de mandato pela frente. Às vésperas da votação de terça-feira, o que está em jogo é muito importante: Trump tenta evitar a fiscalização e as limitações que um Congresso controlado pelos democratas imporia, além de demonstrar que ainda conta com uma base política sólida.

Ritmo de campanha As aparições recentes de Trump incluíram algumas das mensagens sobre política econômica que os republicanos esperavam ouvir.

Mas esse discurso acabou frequentemente ofuscado por manifestantes, pelos comentários do presidente sobre o físico masculino e por suas sessões de desabafo contra os democratas. O presidente também reclama com frequência, tanto em conversas privadas quanto em público, de quanto está trabalhando.

Manifestantes interrompem Trump em comício no Texas — Estou trabalhando pra caramba — disse Trump no Tennessee no início deste mês.

— É melhor vocês irem às ruas e votarem. Uma pessoa próxima à equipe responsável pela operação política da Casa Branca, autorizada a falar sob anonimato para descrever a estratégia, disse que os assessores de Trump estavam cientes das preocupações de que sua presença em estados decisivos pudesse prejudicar os candidatos republicanos.

Entretanto, acrescentou que eles praticamente desconsideraram essas preocupações, acreditando, assim como Trump, que ele deveria ser a figura central deste ciclo eleitoral. Vários assessores afirmam que a estratégia é simples: concentrar esforços nos estados republicanos e impulsionar a participação eleitoral.

Eduardo Graça: Reeleição de Lula dá pistas para o embate com extremistas mundo afora — O presidente tem, de fato, uma maneira de desafiar a história — disse Karoline Leavitt, sua ex-porta-voz, durante uma participação no programa Bill Maher Show no último fim de semana.

— Ele está trabalhando muito nas viagens pelo país para levar os republicanos às urnas. Em conversas recentes com aliados, Trump tem destacado o tamanho das multidões em seus comícios e observado que o vice-presidente JD Vance, considerado o favorito à indicação republicana para a eleição presidencial de 2028, não tem atraído grandes públicos para os eventos que protagoniza.

O gabinete de Vance não respondeu a um pedido de comentário, mas a Casa Branca saiu em defesa do vice-presidente. "Donald Trump é a pessoa que mais trabalha no país, seguido por JD Vance", afirmou Alvarez.

"Os dois estão arrecadando fundos, percorrendo o país e garantindo que os candidatos tenham bons resultados nestas eleições de meio de mandato". Vice-presidente americano, JD Vance contradiz Trump e diz que preço do petróleo é prioridade dos EUA na guerra contra o Irã

Alex Wroblewski/AFP Reforma ministerial?

Assessores próximos à Casa Branca, que já se preparam para a possibilidade de os republicanos perderem ao menos a Câmara, esperam que Trump promova mudanças em seu governo, dependendo do resultado da próxima terça-feira. Tradicionalmente, os presidentes reorganizam suas equipes após ciclos eleitorais desfavoráveis.

Trump tomou por conta própria uma decisão de contratação que causou surpresa recentemente, quando liderou a iniciativa para contratar Katie Zacharia, comentarista de TV, como sua nova secretária de imprensa. Frustrado com a demora para encontrar uma substituta para Leavitt, o presidente assistiu a vídeos de Zacharia e decidiu nomeá-la rapidamente para o cargo, antes que o processo formal de avaliação pudesse ser concluído, segundo pessoas a par da situação.

Ela encontrou poucos aliados dentro do governo. Katie Zacharia, nova porta-voz da Casa Branca, durante entrevista coletiva em Washington, nos Estados Unidos, em 13 de outubro de 2026

Samuel Corum/Sipa/Bloomberg Durante sua breve passagem pelo cargo, Zacharia viajou com Trump, mas não foi convidada a participar das reuniões diárias da alta cúpula do governo convocadas pela chefe de gabinete do presidente, Susie Wiles, segundo pessoas familiarizadas com essa dinâmica.

Depois de uma estreia turbulenta na sala de coletivas de imprensa, Zacharia foi afastada após apenas cinco dias. Alguns observadores da Casa Branca interpretaram a contratação de Zacharia como um sinal de que a influência de Wiles sobre Trump estava diminuindo.

A ponto de começarem a circular ideias sobre quem poderia substituí-la. O presidente contestou publicamente as notícias de que estaria insatisfeito com ela ou procurando alguém para ocupar seu lugar.

— Susie está aqui. E vai ficar aqui por muito tempo — disse Trump a jornalistas no início deste mês.

Publicação Original O Globo oglobo.globo.com
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