Já fazia calor em Bangu no dia 15 de março de 1963. Naquela data, o bairro da Zona Oeste ganhou o moderno Cine Matilde, instalado na galeria de mesmo nome na Avenida Ministro Ary Franco. O espaço tinha 1.360 poltronas estofadas, tela oval, projetada para assegurar boa visibilidade de diferentes pontos da plateia, e um potente sistema de refrigeração central. Idealizador da sala de exibição, o comerciante Antônio Gama da Silva, a batizou com o nome de sua mulher. Mas a rede elétrica local não estava preparada para tanta novidade. 'Bobeamos, por que a gente não fez isso?': Músico mais velho no Palco Mundo do Rock in Rio, Roberto Menescal celebra releituras da bossa nova por jovens artistas Tem padre no samba: Pároco da igreja de Santo Antônio, em Caridade, no Ceará, está em parceria finalista na Unidos da Tijuca — Como não dava vazão, o jeito foi usar ventiladores e entupir os tubos de ventilação com gelo para ajudar a refrigerar a sala. Depois disso foi necessário pedir aumento da carga elétrica da rua — conta Leonardo Gama, de 48 anos, relembrando a história repassada pelo avô, fundador do cinema. A sala em Bangu, fechada desde os anos 1990, vai virar centro cultural Marcos André Pinto / 10-4-1989 O imóvel do Matilde, que marcou época na Zona Oeste e está desativado desde os anos 1990, será desapropriado e transformado em um novo espaço cultural. Carnaval 2027: Depois de Portela, Mangueira e Mocidade, chegou a vez de Beija-Flor, Vila, Salgueiro e Tijuca escolherem os sambas Programa de incentivo A proposta para Bangu faz parte de um novo programa do município: o Reviver Cinema. Em instalações próprias ou em parcerias com a iniciativa privada, o projeto propõe investimentos para que o cinéfilo possa ter outras opções além das múltiplas salas de exibição hoje onipresentes nos shoppings. Cinema históricos do Rio de Janeiro. Cine Íris, na rua da Carioca, no centro, tem mais de cem anos Gabriel de Paiva/ Agência O Globo A prefeitura estabeleceu três etapas. A primeira incorpora equipamentos já existentes. Inaugurado em 2009, o Cinema Nova Brasília, no Complexo do Alemão, reabre este mês, com tela de resolução 4K, após uma reforma que custou R$ 580 mil. No fim do ano, o Cine Santa, que funciona em um imóvel municipal, inaugura uma segunda sala no andar superior. Já o Grupo Estação reabre em novembro o endereço onde nasceu, na Rua Voluntários da Pátria 88, e está recebendo investimento de R$ 1,5 milhão — parte da contrapartida para o aporte virá através da distribuição de ingressos a professores e formação de plateia entre os estudantes da rede pública. Refit: Contaminação do terreno da refinaria pode dificultar aproveitamento do espaço, que Governo do Rio quer desapropriar O município faz mistério, mas promete, além disso, anunciar a reabertura imediata de uma tradicional sala de exibição durante a 1ª Semana de Arte do Rio, que acontece entre os próximos dias 16 e 27. No caso do Matilde, já está definido que a nova versão terá um teatro para 250 pessoas, duas salas de cinema, área para exposições e espaço de convivência com bar e restaurante no rooftop. Além do Matilde, o Cine Vaz Lobo e o Cine Costinha — no Cachambi —, em processo de desapropriação pelo município, fazem parte da segunda etapa. Os custos de reforma ainda estão sendo levantados, mas a ideia é iniciar as obras no ano que vem. Projetor de cinema antigo. Maquinário pertencia a primeira e única fábrica nacional de projetores de grande porte para salas de cinema no Brasil, idealizada pelo engenheiro Orion Jardim de Faria a partir dos anos 1960. Gabriel de Paiva/ Agência O Globo — A reabertura desses espaços ajudará na revitalização e na retomada da vida cultural dos bairros e isso vai além de reabrir salas de projeção. Adotamos um conceito multiúso em que esses imóveis passarão a funcionar como centros culturais — explica o secretário de Cultura, Lucas Padilha. Da praia à montanha: Aos 60 anos, voluntário conclui 2.200km de trilha pelo Estado do Rio em quatro meses A terceira etapa consiste no mapeamento, feito pela RioFilme, empresa da prefeitura, de outros espaços onde funcionaram cinemas que poderiam ser desapropriados e convertidos em equipamentos multiúso. O anúncio do programa traz esperança para quem tem saudade dos tempos áureos dos cinema de rua, marcos urbanos que sucumbiram à concorrência de salas construídas no conforto e na segurança dos shoppings. Cinema históricos do Rio de Janeiro. Cine Íris, na rua da Carioca, no centro, tem mais de cem anos Gabriel de Paiva/ Agência O Globo Historiador e pesquisador, André Pereira é adepto dessa “sessão nostalgia”. Com um grupo de amigos, ele integra o Movimento Cine Vaz Lobo – Preservação, Cultura e Memória (MCVL), que acompanha a trajetória do antigo cinema e chegou a elaborar um projeto de restauração encaminhado à prefeitura. — Com arquitetura única e singular, foi o principal cinema da região, com cerca de 2 mil lugares. A reabertura é de grande importância para todos — afirma Pereira. Agressão na UFRJ: Seguranças afirmam em depoimento que não viram aluno espancado fazer ofensas raciais Leo Aversa: Por um Rock in Rio grisalho Fechado há décadas, o prédio, pela proposta da prefeitura, será transformado em equipamento cultural com cinema, teatro e espaços voltados a atividades culturais e comunitárias. As expectativas também são grandes em relação a uma nova utilização cultural do antigo Cine Cachambi. Desativado há quarenta anos, o endereço, na rua que leva o nome do bairro, ainda guarda em ruínas sua sala de exibição, dividindo espaço com um prédio residencial que tem um hortifruti no térreo. Também em Niterói A reativação de um histórico cinema de rua está acontecendo também em Niterói. Lá, a prefeitura local investe R$ 61,6 milhões na restauração do antigo Cine Icaraí. O imóvel, patrimônio histórico tombado e referência da arquitetura art déco na cidade, renascerá em abril do ano que vem como Cine Concerto Sérgio Mendes, complexo de cultura, entretenimento, lazer e gastronomia. A nova versão do cinema construído na década de 1940 vai abrigar também restaurante e áreas de convivência com vista para a Baía de Guanabara. A restauração da fachada representa uma das etapas mais aguardadas da obra: devolve ao imóvel sua identidade arquitetônica original, integrando preservação do patrimônio histórico e arquitetura contemporânea.
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Cine nostalgia: prefeitura cria projeto Reviver Cinema para reabrir salas de exibição nas ruas do Rio
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O Globo
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