Cientistas encontram guepardos mumificados há até 1.800 anos em cavernas da Arábia Saudita
Uma equipe internacional de cientistas identificou restos mumificados de guepardos em cavernas próximas à cidade de Arar, no norte da Arábia Saudita. Segundo a Associated Press, os espécimes apresentam um estado de conservação excepcional e datam de períodos que vão de cerca de 130 a mais de 1.800 anos atrás. A descoberta é inédita na região e amplia o conhecimento sobre a distribuição histórica de grandes felinos na Península Arábica.
As cavernas estão situadas em uma área desértica marcada por baixa umidade, pouca chuva e temperaturas relativamente estáveis. Essas condições ambientais favoreceram a mumificação natural, permitindo a preservação de tecidos, ossos e características anatômicas ao longo de séculos, algo considerado raro fora de ambientes congelados ou de processos artificiais.
A mumificação natural é extremamente rara em mamíferos de grande porte devido à rápida decomposição em ambientes pouco ideais
Divulgação/Ahmed Boug/Communications Earth and Environment
Preservação rara e hipóteses sobre o local
Durante as escavações, os pesquisadores recuperaram sete múmias completas e ossos atribuídos a outros 54 guepardos. Os restos incluem membros ressecados, pele endurecida e olhos opacos, mantendo uma forma surpreendentemente intacta para mamíferos de grande porte. De acordo com os cientistas, as cavernas funcionaram como uma espécie de câmara natural de preservação, protegendo os corpos da ação de bactérias, insetos e animais necrófagos.
Ainda não há uma explicação definitiva para a concentração de tantos indivíduos no mesmo sistema de cavernas. O estudo, publicado na revista Communications Earth and Environment, nesta quinta-feira (15), levanta a hipótese de que o local tenha sido usado repetidamente como refúgio para o nascimento e a criação de filhotes, o que explicaria a presença de guepardos ao longo de diferentes períodos históricos.
A descoberta de guepardos mumificados em cavernas na Arábia Saudita revela uma preservação excepcional de até 1.800 anos
Divulgação/Ahmed Boug/Communications Earth and Environment
A descoberta também tem implicações diretas para a conservação da espécie. Extintos localmente na Península Arábica há décadas, os guepardos hoje ocupam apenas cerca de 9% de sua área de distribuição histórica na África e na Ásia, segundo dados citados pela Associated Press. A análise de DNA extraído dos espécimes mumificados — algo inédito em casos de mumificação natural — revelou semelhanças genéticas com populações atuais do sul da Ásia e do noroeste da África.
Esses resultados ajudam a reconstruir a história evolutiva da espécie, identificar gargalos genéticos e avaliar, em tese, a viabilidade de futuros projetos de reintrodução em áreas onde o guepardo desapareceu, desde que existam condições ecológicas e proteção legal adequadas. Para Joan Madurell-Malapeira, da Universidade de Florença, o estado de conservação dos achados é surpreendente. Já Ahmed Boug, autor principal do estudo e pesquisador do Centro Nacional de Vida Selvagem da Arábia Saudita, destacou o valor científico e histórico de evidências físicas tão bem preservadas de animais que habitaram a região no passado.
