Cidadão americano assume o comando de cartel mexicano após a morte de 'El Mencho'
A guerra antidrogas dos EUA ganhou um fato complicador. Um cidadão americano parece estar no comando do cartel de drogas mais poderoso do México, o que pode comprometer os esforços dos EUA para erradicar o tráfico de drogas no país.
Juan Carlos Valencia González, de 41 anos, é enteado de Nemesio Oseguera, mais conhecido como "El Mencho", morto durante operação militar em 22 de fevereiro num exclusivo clube campestre em Tapalpa (estado de Jalisco, México), onde havia se encontrado com uma mulher com quem mantinha um relacionamento.
Assim que "El Mencho" foi enterrado em um caixão dourado no início de março, ao som de baladas populares e cercado por arranjos florais, Juan Carlos ascendeu ao trono, de acordo com autoridades mexicanas e americanas, de acordo com o "Wall Street Journal'. O Departamento de Estado dos EUA oferece desde 2021 uma recompensa de US$ 5 milhões por informações que levem à captura do "herdeiro", conhecido como "El Pelón", nascido em Santa Ana (Califórnia, EUA), em 12 de setembro de 1984.
O Departamento de Estado dos EUA oferece desde 2021 uma recompensa de US$ 5 milhões por informações que levem à captura de 'El Pelón'
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A chegada de Juna Carlos ao topo do Cartel Jalisco Nueva Generación (CJNG) marca a coroação formal da dinastia da família Valencia, do oeste do México, à frente da organização conhecida por sua força paramilitar e conquista territorial.
As agências de inteligência americanas podem agora enfrentar obstáculos legais para investigar e coletar dados pessoais de Juan Carlos devido à sua cidadania americana. Isso pode prejudicar uma importante parceria tática que se desenvolveu entre a presidente mexicana Claudia Sheinbaum e Washington, a qual tem feito uso crescente de informações fornecidas pelas forças armadas, forças policiais e agências de inteligência dos EUA.
De acordo com as regras para vigilância de cidadãos americanos no exterior, os EUA normalmente precisariam da aprovação do procurador-geral e também convencer um tribunal secreto de vigilância de inteligência estrangeira de que Juan Carlos está agindo como "agente de uma potência estrangeira", como um grupo terrorista internacional. Embora os obstáculos sejam superáveis, os requisitos processuais adicionais podem dificultar uma operação rápida.
A cidadania de Jiuan Carlos aumentaria drasticamente a tensão caso Trump concretizasse o seu desejo, declarado publicamente, de realizar assassinatos seletivos contra narcotraficantes mexicanos. O presidente costuma pressionar o governo mexicano a aceitar o envio de suas forças especiais para realizar o serviço.
"O governo pode matar um cidadão americano no exterior ou mesmo em território nacional sem julgamento, se ele for considerado uma ameaça aos EUA?", questionou Steven Cash, ex-funcionário da CIA que também atuou como conselheiro sênior do subsecretário de inteligência do Departamento de Segurança Interna durante o governo do presidente Joe Biden.
Durante o governo Obama, ataques com drones da CIA (agência de inteligência dos EUA) mataram vários cidadãos americanos, incluindo Anwar al-Awlaki, um clérigo nascido no Novo México que se tornou líder da filial da Al-Qaeda no Iêmen. A equipe jurídica de Obama argumentou que a morte foi um ato necessário de legítima defesa, alegando que o papel operacional de al-Awlaki na organização terrorista o tornava um alvo militar legítimo, tanto sob a lei americana quanto sob o direito internacional.
Independentemente de quem os lidere, os cartéis certamente manterão o controle sobre muitos mexicanos. Alguns moradores pobres elogiavam "El Mencho" e outros chefes de cartéis porque eles geram empregos para a população local, ajudando-os em tudo, desde a perfuração de poços até o pagamento das festas tradicionais da cidade.
"Eles fazem mais pelo povo do que o governo", disse um operário da construção civil local.
