Ciclope de 20 metros, explosões reais e plantação de milho: 15 curiosidades da carreira de Christopher Nolan, diretor de "A Odisseia"

Ciclope de 20 metros, explosões reais e plantação de milho: 15 curiosidades da carreira de Christopher Nolan, diretor de "A Odisseia"

Fonte: Bandeira



"A Odisseia" estreou no Brasil na última quinta-feira (16), trazendo a mais nova adaptação do poema de Homero protagonizado por Matt Damon, Tom Holland, Anne Hathaway e Zendaya.


Mas além do elenco estrelado, o filme também chega às salas de cinema marcado por um recorde técnico.

Segundo o CEO da IMAX, Rich Gelfond, em declaração durante o Festival de Cannes, a produção é a primeira da história filmada inteiramente com câmeras de película IMAX de 70mm — um desafio que exigiu da fabricante o redesenho de equipamentos e processos que caíram em desuso há décadas.

A iniciativa partiu do britânico Christopher Nolan.

O diretor do filme é o nome por trás de alguns dos maiores sucessos do século na tela grande, como “Oppenheimer” (2023), “Interestelar” (2014) e a aclamada trilogia do “Cavaleiro das Trevas”, sobre o Batman.

Mas Nolan também é conhecido por sua preferência pelo uso de efeitos práticos nas gravações de suas obras, tanto como uma escolha pessoal quanto para reduzir custos e o trabalho de pós-produção em efeitos especiais com computação gráfica.


Para "A Odisseia", por exemplo, as cenas do confronto do personagem de Matt Damon com o ciclope Polifemo foram gravadas na Caverna de Nestor e na praia de Voidokilia, na Grécia, e a produção recorreu a um boneco animatrônico de aproximadamente 18 metros de altura, construído sob supervisão do especialista em efeitos práticos Adam Wright — veterano de produções em stop-motion como "Frankenweenie" e "A Noiva Cadáver", do lendário Tim Burton.

Cena de "A Odisseia" (2026) em que Odisseu e sua tripulação encontram o mítico ciclope Polifemo

Reprodução/YouTube

Carreira do diretor é marcada pela inovação técnica

O caso mais recente dessa filosofia de Nolan foi visto em “Oppenheimer”, quando o diretor retratou o Teste Trinity — no qual a primeira bomba atômica da humanidade foi detonada com sucesso.


O supervisor de efeitos especiais Andrew Jackson evitou qualquer plano gerado por computador, usando uma combinação controlada de pólvora, magnésio, gasolina e propano para produzir o clarão e o formato do cogumelo atômico.


Cena do teste da primeira bomba atômica em "Oppenheimer" (2023)

Reprodução/YouTube

Além da cena da bomba, as sequências que representam o pensamento do protagonista sobre o funcionamento da física sub-atômica também foram filmadas de forma prática.

Foram utilizadas bolinhas de pingue-pongue, filamentos metálicos e partículas de vidro girando sob lentes macro.

Já em "Tenet" (2020), a produção calculou que comprar um Boeing 747 desativado e arremessá-lo contra um hangar construído para o set sairia mais barato do que recriar a cena digitalmente.

Cena de "Tenet" (2021) em que um avião real colide com um galpão

Reprodução/YouTube

O diretor também exigiu que os atores do filme treinassem exaustivamente com coordenadores de dublês para aprender a lutar, correr e falar de trás para frente, garantindo que um dos temas mais emblemáticos do filme, a "reversão da entropia" — que supostamente inverteria o fluxo do tempo —, parecesse bizarramente real sem intervenção digital.

Já em "Dunkirk" (2017), Nolan optou por usar navios e aviões reais da época da Segunda Guerra Mundial, complementados por recortes de papelão em tamanho humano posicionados ao fundo das praias para simular milhares de soldados sem recorrer a figuração digital.

"Interestelar" trouxe outra inovação do diretor.

As imagens do buraco negro Gargantua foram calculadas a partir de equações reais fornecidas pelo físico Kip Thorne, tornando a representação do corpo celeste uma das mais fiéis já criadas para o audiovisual.


No entanto, dentro da nave onde os protagonistas viajam no filme, Nolan rejeitou o uso de tela verde.

Em vez disso, foram instalados projetores de alta potência exibindo o cosmos, renderizado diretamente nas janelas do set, permitindo que o elenco reagisse a imagens reais.

Gargantua, o buraco negro de "Interestelar" (2014)

Reprodução/Youtube

E para as cenas iniciais de “Interestelar”, filmadas em uma fazenda, a produção plantou cerca de 200 hectares de milho nos arredores de Calgary, no Canadá, ao invés de criar o cenário digitalmente.

Parte da safra foi queimada para uma sequência do filme, mas o restante da colheita chegou a ser vendido — gerando até mesmo uma receita extra para o orçamento da produção.

Em dois dos filmes do Batman dirigidos por Nolan, o padrão se repetiu em uma escala urbana.

Em "Batman: O Cavaleiro das Trevas" (2008), uma explosão de um hospital causada pelo Coringa foi rodada em tomada única, com dinamite real detonada dentro de um prédio desativado da fábrica de doces Brach's, em Chicago.

Explosão de hospital em "O Cavaleiro das Trevas" (2008), feita com dinamite em prédio de fábrica abandonada

Reprodução/YouTube

Já em "Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge" (2012), a implosão de um gramado num estádio de futebol americano foi gravada no Heinz Field, em Pittsburgh.

A filmagem usou explosivos reais enterrados sob o campo e uma plataforma hidráulica subterrânea, com milhares de figurantes recrutados para preencher as arquibancadas.

E em "A Origem" (2010), filme que retrata o protagonista interpretado por Leonardo DiCaprio e sua equipe invadindo os sonhos de um bilionário, o supervisor de efeitos práticos Chris Corbould construiu um corredor giratório de mais de 30 metros para gravar uma cena de luta em gravidade zero.

Dessa forma, o cenário girava fisicamente enquanto os dublês sincronizavam seus movimentos com a rotação.

Na cena de "A Origem" (2010), os personagens mergulham em várias camadas de um sonho e são afetados pelas anteriores

Reprodução/YouTube

Hábitos curiosos no set

A rejeição de Nolan aos recursos digitais também vem acompanhada de hábitos peculiares.

Durante "Oppenheimer", Nolan baniu smartphones do set, isolando o elenco no deserto do Novo México.

Já em "Tenet", o diretor proibiu cadeiras para a equipe principal, sob o argumento de que sentar-se desconecta as pessoas do ritmo do trabalho.


Outro costume curioso de Nolan é que ele não envia roteiros para o elenco de seus filmes por e-mail, e prefere entregá-los pessoalmente.

De acordo com o diretor, o motivo é poder conversar com os envolvidos “cara a cara”, mas outra razão é a de preservar a trama do filme de vazamentos — visto que suas obras são repletas de mistérios e reviravoltas.

*Com supervisão de Rennan Julio

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