Ciclone extratropical influencia o tempo no Brasil e organiza frente fria; veja previsão da semana

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

A passagem de um ciclone extratropical pelo Atlântico Sul, entre sábado (24) e domingo (25), ainda tem reflexos indiretos nas condições do tempo no Brasil. Associado a uma frente fria que avançou pelo Sul e pelo Sudeste, o sistema contribui para a evolução das instabilidades que chegaram à Bahia nesta segunda-feira (26) e mantêm o risco de chuva forte em áreas do Norte, Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste nos próximos dias.

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O centro do ciclone, que apresentou características de um sistema intenso, já se deslocou para áreas mais afastadas do litoral brasileiro. Isso não significa, porém, que sua passagem deixe de ter relação com o tempo no continente.

A frente fria associada ao fenômeno continua avançando pelo país, enquanto outros mecanismos atmosféricos ajudam a determinar onde e com que intensidade vai chover nesta semana. A pressão atmosférica no centro do ciclone ficou baixa, um dos parâmetros usados para avaliar a intensidade desse tipo de sistema.

Segundo a meteorologista Andrea Ramos, no entanto, esse dado não deve ser analisado isoladamente. A diferença de pressão entre o centro do ciclone e as áreas ao redor, conhecida como gradiente horizontal de pressão, também é importante para entender a força dos ventos.

— Quanto maior a diferença de pressão entre o centro do ciclone e as áreas ao redor, maior pode ser a intensidade dos ventos. Entretanto, é importante destacar que, neste episódio, o centro do sistema se deslocou para áreas mais afastadas da costa brasileira, concentrando seus principais efeitos diretos sobre o oceano — explica.

Além de favorecer a organização da frente fria, o ciclone participa da dinâmica atmosférica que marcou a mudança do tempo no fim de semana. O encontro entre massas de ar com características diferentes contribuiu para a formação de nuvens carregadas, precipitações e tempestades.

Agora, enquanto o sistema frontal avança em direção à Bahia, uma massa de ar frio chega à retaguarda da frente, favorecendo a queda das temperaturas no Sul. Essa mudança, no entanto, não deve ser confundida com um efeito direto do ciclone.

De acordo com Andrea, a redução das instabilidades após a passagem da frente fria está ligada principalmente à atuação de uma área de alta pressão atmosférica, que dificulta a formação de nuvens e chuva. No Rio Grande do Sul, a entrada do ar frio deve deixar as temperaturas mais baixas para esta época do ano.

Em Porto Alegre, a previsão indica mínima próxima de 12 °C pela manhã e máxima entre 20 °C e 21 °C. Enquanto o Sul tem períodos de tempo mais estável, outras regiões seguem sob condições favoráveis à ocorrência de tempestades.

No Norte, Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste, a combinação de calor, umidade e movimentos ascendentes do ar contribui para a formação de nuvens carregadas, com possibilidade de chuva intensa, trovoadas e rajadas de vento. — Nas regiões Norte, Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste, a combinação entre temperaturas elevadas, disponibilidade de umidade e mecanismos atmosféricos que favorecem a ascensão do ar contribui para a formação de nuvens carregadas, com possibilidade de chuva intensa, trovoadas e rajadas de vento — explica a meteorologista.

Parte dessa umidade vem da Amazônia, de onde o transporte de ar úmido alimenta as áreas de instabilidade. Outro fator é a atuação dos chamados cavados meteorológicos, faixas alongadas de pressão relativamente baixa que favorecem a subida do ar e podem intensificar a formação de nuvens e precipitações.

Até quarta-feira (28), a previsão indica atenção para Tocantins, Pará, Bahia e regiões do Maranhão e do Piauí, onde poderão ocorrer pancadas fortes de chuva. Na Bahia, a passagem da frente fria favorece o aumento das precipitações tanto no litoral quanto em áreas do interior, com possibilidade de acumulados elevados e transtornos localizados.

A partir de quarta, os cavados atmosféricos devem favorecer o retorno gradual das instabilidades a setores do Sul e do Sudeste. No Sul, porém, a tendência é de chuva menos intensa do que a registrada durante a passagem da frente fria no fim de semana.

Andrea conclui que o ciclone extratropical, embora distante da costa brasileira, tem sua atuação relacionada à organização da frente fria que influencia as condições do tempo no país. A chuva prevista para esta semana, no entanto, também está associada a outros fatores, como a combinação de calor e umidade, a umidade vinda da Amazônia e a atuação de cavados meteorológicos.

Publicação Original O Globo oglobo.globo.com
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