CIA divulga dados de inteligência enviados à Casa Branca antes dos ataques de 11 de setembro

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Fonte da notícia: Valor Valor

A agência de inteligência dos EUA, a CIA, divulgou nesta sexta-feira — 25 anos após os ataques de 11 de setembro — dezenas de documentos enviados aos presidentes Bill Clinton (democrata) e George W. Bush (republicano) sobre a Al Qaeda. A divulgação pública dos papéis destaca o que a CIA conhecia então do grupo terrorista responsável pelos ataques de 1998 a embaixadas americanas no Quênia e na Tanzânia, durante o governo Clinton, e ao território dos EUA, em 2001, no primeiro mandato de Bush.

Leia também: Ataque do 11/9 levou defesa a se sobrepor à liberdade EUA se fixam na ideia do imigrante perigoso Análise: Washington desperdiçou consenso interno e externo após ataques Em documento entregue a Clinton, cinco semanas antes dos ataques a bomba a embaixadas no leste da África, ocorridos em agosto de 1998, a agência apontava que havia intenção do grupo de atingir interesses do país. E, escondido no fim de um relatório enviado em 10 de setembro de 1998 ao então presidente Clinton, veio um alerta premonitório, escrito por um analista da CIA, sobre a possibilidade de a Al Qaeda fazer com que “um avião carregado de explosivos voe dentro de uma cidade dos Estados Unidos”, conforme relato do The New York Times.

Nos 25 anos dos atentados que marcaram a história americana, a CIA tornou públicos 69 documentos submetidos ao conhecimento de Clinton e Bush, para mostrar o que se sabia, até então, sobre Osama bin Laden e o grupo terrorista. Segundo a agência, é a maior divulgação já feita de documentos referentes ao 11 de setembro de 2001.

A prática da agência, segundo o NYT, é manter sigilo de documentos ao menos por 40 anos após os eventos, para evitar tensões com aliados e para não comprometer fontes de informação. Ainda assim, acrescenta o jornal americano, os papéis não trazem grandes revelações, e as fontes de informação da época foram omitidas na divulgação pública.

Os documentos divulgados nesta sexta-feira corroboram as conclusões da Comissão Nacional sobre os Ataques Terroristas aos Estados Unidos e o seu relatório de 2004, pelo qual se constatou ter havido alertas consistentes dos serviços de inteligência sobre a Al Qaeda, sem que as agências de informação conseguissem compreender, no entanto, a dimensão ou escala do que os terroristas tinham em mente, reporta o jornal.

O diretor da CIA, John Ratcliffe, disse que a divulgação desta sexta-feira foi uma forma de honrar a memória dos que morreram nos ataques de 11 de setembro de 2001, e também a dos agentes de inteligência que perderam a vida no exercício da função nos anos seguintes. “Os ataques de 25 anos atrás são uma ferida profunda na nossa nação, mas não nos quebrou.”

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