O Brasil enfrenta, neste sábado (17), diferentes ocorrências climáticas que provocam impactos sobre a população, a infraestrutura, a saúde e o meio ambiente. Enquanto chuvas intensas atingem municípios de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, causando alagamentos, deslizamentos de terra e interdições de vias, a estiagem e os incêndios florestais agravam a situação no Amazonas e no Amapá. No Norte do país, a fumaça proveniente das queimadas voltou a comprometer severamente a qualidade do ar em Manaus, levando à suspensão de atividades presenciais, à emissão de alertas e à mobilização de órgãos de saúde e de combate ao fogo. No Amapá, o governo estadual decretou situação de emergência em razão da seca, da redução dos níveis dos rios e do avanço dos incêndios em áreas de vegetação. Os registros , publicados por agências de notícias como Agência Brasil, pelo portal da Globo G1 e informações divulgadas em órgãos oficiais, como o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), mostram a diversidade dos impactos ambientais enfrentados pelo país neste período. Em São Paulo, as chuvas acompanhadas de rajadas de vento provocaram ocorrências em diversos municípios entre a noite de sexta-feira (16) e a manhã deste sábado. Segundo a Defesa Civil estadual, foram registrados alagamentos, quedas de árvores e muros, deslizamentos de terra, danos em rodovias e interrupções no fornecimento de energia elétrica. Até a divulgação das informações, não havia registro de pessoas feridas nas ocorrências relatadas pelo órgão.
Em São Sebastião, no litoral paulista, a força dos ventos e da chuva derrubou a cobertura da garagem da empresa de transporte público SOU São Sebastião. Já em São Luiz do Paraitinga, uma descarga elétrica provocou a morte de oito bovinos, uma residência ficou alagada e um deslizamento de terra levou à interdição parcial da Rodovia Oswaldo Cruz (SP-125), na altura do quilômetro 42. Outros municípios também registraram prejuízos. Em Presidente Prudente, houve deslizamento de terra nas proximidades da Avenida Miguel Damha, com rompimento de uma tubulação de água. Em Itapevi, a chuva provocou alagamentos e o escorregamento de um muro. Em Jundiaí, foram registradas quedas de árvores e muros, além de deslizamento no acostamento de uma rodovia. Em Paulicéia, a erosão da cabeceira de uma ponte levou à interdição parcial da estrutura que liga o município ao Balneário Municipal. Em Jaú, a enxurrada arrastou parte do pavimento asfáltico. Já em Estiva Gerbi, a queda de uma árvore sobre a fiação provocou a queda de um poste sobre dois carros e deixou parte do município sem energia. Na região do Vale do Paraíba, São José dos Campos também registrou a queda de uma árvore sobre cabos de energia. Os impactos não ficaram restritos ao território paulista. Em Santa Rita do Sapucaí, no sul de Minas Gerais, a chuva provocou alagamentos em três bairros: Maristela, Fernandes e Delcides Teles. Segundo a Defesa Civil municipal, foram registrados 40 milímetros de precipitação em uma hora. Cinco residências foram invadidas pela água, e os moradores precisaram deixar temporariamente os imóveis, mas já haviam retornado neste sábado. Também houve danos no pavimento, entupimento da rede de drenagem e interrupção temporária do fornecimento de energia. No Rio, durante esta madrugada deste sábado (17), a chuva forte provocou alagamentos em diferentes regiões na capital e em outras cidades do estado. No município de Comendador Levy Gasparian, no Rio, o temporal entre a noite de sexta-feira e a madrugada de sábado provocou 17 ocorrências, conforme balanço da prefeitura. O acumulado de chuva chegou a 85 milímetros em 24 horas. Foram registradas 13 inundações, uma ocorrência de risco de deslizamento e a queda de um muro. Dois imóveis foram interditados pela Defesa Civil, e pelo menos cinco famílias sofreram prejuízos materiais após a água invadir suas casas. As equipes municipais e de Defesa Civil continuavam mobilizadas para prestar assistência às famílias, realizar vistorias e limpar os locais atingidos. Norte sofre com seca e incêndios o Amazonas sofre com a combinação de estiagem, incêndios florestais e poluição atmosférica. Em Manaus, a fumaça provocada pelo fogo em áreas da região metropolitana e do interior do estado voltou a se intensificar neste sábado, prejudicando a qualidade do ar e a rotina da população. Segundo reportagem do G1 publicada neste sábado (17), a capital registrou 19 episódios de fumaça desde 8 de setembro. Em outubro, o problema se agravou, com nove dias consecutivos de presença intensa de fumaça e suspensão de atividades escolares, esportivas e ao ar livre. Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), apresentados pelo g1, indicam que o Amazonas registrou 5.365 focos de incêndio entre 1º de setembro e 14 de outubro, um aumento de 195% em comparação com o mesmo período de 2025. Na manhã deste sábado, a situação da qualidade do ar voltou a atingir níveis críticos. Segundo dados da plataforma internacional IQAir, Manaus chegou a 441 pontos no índice de qualidade do ar por volta das 6h, com concentração de partículas finas PM2.5 de 295,9 microgramas por metro cúbico. Por volta das 8h40, o índice alcançou 657 pontos, enquanto a concentração de PM2.5 chegou a 404,3 microgramas por metro cúbico. Os níveis foram classificados como perigosos. O Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental da Universidade do Estado do Amazonas também identificou índices classificados como péssimos em pontos monitorados da capital. A fumaça é transportada pelo vento a partir dos focos de incêndio, podendo alcançar áreas distantes de onde as chamas se concentram. Em entrevista ao g1, o meteorologista Leonardo Vergasta explicou que uma cidade pode ficar encoberta pela fumaça mesmo sem apresentar muitos focos de incêndio nas proximidades, pois recebe poluentes produzidos em outras localidades e também os emitidos localmente. O avanço do fogo é favorecido pela vegetação seca, pela baixa umidade e pelas altas temperaturas, em um cenário associado aos efeitos do fenômeno El Niño. A ação humana também contribui para o início de grande parte dos incêndios, segundo a reportagem do g1. Os efeitos da fumaça já são percebidos nos serviços de saúde e no cotidiano dos moradores. Segundo dados da Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (SES-AM) divulgados pelo G1, 375 pessoas foram atendidas em Serviços de Pronto Atendimento de Manaus por problemas relacionados à fumaça entre 1º de julho e 9 de outubro. Desse total, 82 atendimentos ocorreram entre 1º e 8 de outubro. Os relatos são de tosse seca e alergias, sobretudo entre idosos e pessoas com problemas de saúde.
A situação também atingiu animais silvestres em áreas próximas aos incêndios e obrigaram muitas pessoas que vivem em territórios indígenas a deixar suas casas. Na região do Rio Urubu, em Itacoatiara, um incêndio permanecia ativo havia mais de 40 dias até 15 de outubro. O monitoramento por satélite apontava mais de 3 mil hectares de área destruída, com chamas que alcançaram parte do território indígena do povo Mura. O fogo também avança em direção à Terra Indígena Paraná do Arauató.
A deterioração da qualidade do ar também provocou medidas preventivas. A rede municipal de ensino de Manaus e a Universidade do Estado do Amazonas interromperam atividades escolares e acadêmicas presenciais na capital e no interior , conforme notícia da Agência Brasil. Atividades esportivas e ao ar livre também foram suspensas em diferentes momentos do mês. Neste sábado, a Defesa Civil estadual emitiu um alerta de risco severo para a qualidade do ar. O município recomendou que os moradores reduzam a exposição à fumaça, evitem atividades físicas ao ar livre, mantenham portas e janelas fechadas e utilizem máscaras ao sair de casa. O avanço das queimadas também interfere no próprio combate ao fogo. Segundo o G1, a fumaça reduziu a visibilidade e impediu operações aéreas do Ibama neste sábado, dificultando o emprego de aeronaves no combate aos incêndios. Amapá - Ainda no Norte, no Amapá, o governo estadual decretou situação de emergência em todo o território na sexta-feira (16), em razão dos impactos provocados pela estiagem. A medida, publicada no Diário Oficial do Estado, tem validade de 180 dias e busca ampliar as ações de assistência humanitária, garantir o abastecimento de água e intensificar a prevenção e o combate aos incêndios florestais. Segundo reportagem do G1, o decreto considera a redução significativa dos níveis dos rios, o aumento dos registros de incêndios e os prejuízos enfrentados por comunidades rurais e ribeirinhas. O documento também menciona o agravamento das condições climáticas associado à influência do El Niño. A Defesa Civil estadual coordena as ações em conjunto com os órgãos municipais, enquanto o governo aguarda o reconhecimento federal da situação de emergência, acompanhado do plano de resposta elaborado pelo estado. Dados do governo amapaense indicam que, desde agosto, foram realizadas 611 operações de prevenção e 376 ações de combate às queimadas nos 16 municípios do estado, por meio da Operação Amapá Verde. Previsão indica mudança na distribuição das chuvas De acordo com a previsão do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o tempo deverá ficar mais estável no centro-sul do Brasil, com ausência de chuva prevista em grande parte dessa região. A previsão indica, por outro lado, possibilidade de chuva em uma faixa que abrange o Amazonas, o sul do Pará, o norte de Mato Grosso, Tocantins, o sul do Maranhão, o sul do Piauí e o oeste e o sul da Bahia, sob influência da Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS). Os maiores acumulados de chuva são esperados no Amazonas e em áreas de Roraima e do Acre. No litoral da Região Sul, a influência do ciclone extratropical sobre as condições de chuva deverá diminuir à medida que o sistema se afasta em direção ao oceano Atlântico.
A previsão não elimina, por si só, os riscos associados às ocorrências já registradas. Nas cidades atingidas pelos temporais, persistem as necessidades de limpeza, vistoria e recuperação de estruturas. Nas áreas afetadas pela estiagem, o abastecimento de água, o controle dos incêndios e a proteção das populações expostas à fumaça continuam entre os principais desafios.
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