Monumento abandonado na Serra das Araras nasceu antes da Dutra

Monumento abandonado na Serra das Araras nasceu antes da Dutra - Foto
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Monumento Rodoviário Belvedere, à beira da Via Dutra, na Serra das Araras Reprodução instagram/ @marcelomania Erguido à beira da Via Dutra, na Serra das Araras, em Piraí, no interior do Rio de Janeiro, o Monumento Rodoviário Belvedere é, atualmente, um retrato do abandono. A construção, que durante décadas serviu como ponto turístico e de descanso para quem viajava entre São Paulo e Rio, está fechada ao público desde 1978 e sofre com a ação do tempo e com o vandalismo recorrente.A obra foi inaugurada em 13 de maio de 1938, após 12 anos do início de sua construção, iniciada com o lançamento da pedra fundamental pelo então presidente Washington Luís, em 1926. O Touring Club do Brasil foi o responsável pela construção entre os anos de 1928 e 1930, logo em seguida, a obra ficou parada por problemas políticos.A construção voltou a ativa em 1936, sob administração da Comissão de Estradas de Rodagem Federal. Na época, a ligação entre as duas capitais ainda se chamava Estrada Rio-São Paulo, e a Rodovia Presidente Dutra só seria inaugurada 13 anos depois; situado no km 226, o monumento nasceu, portanto, antes da própria rodovia.O complexo tem uma área de 54 mil metros quadrados e, enquanto estava ativo, reunia diversos espaços de lazer, como restaurante, jardim, lagoa e até mesmo um edifício de dois andares no estilo art déco. No topo da torre, que tem 35 metros de altura, um farol foi instalado, trazendo para o Belvedere o apelido de “Farol da Serra das Araras”.Artes rodeiam o monumentoA decoração do prédio principal tinha assinatura de grandes nomes da arte brasileira e internacional. No interior, ficavam quatro painéis de Candido Portinari, artista plástico e pintor brasileiro que marcou o movimento modernista, cada um com cerca de 7,68 metros de comprimento por 0,96 metro de altura; os quadros contavam com o tema “Construindo uma Rodovia”.Obras de Candido Portinari que ocupavam o Monumento Rodoviário Belvedere Reprodução De acordo com o portal Projeto Portinari, as obras foram transferidas para o Museu Nacional de Belas Artes, no Rio de Janeiro, no ano de 2000, após uma campanha alertar os órgãos governamentais sobre a precariedade do monumento, que afetava diretamente na falta de conservação dos trabalhos do artista.As obras foram feitas com óleo sobre tela e se ressaltaram como os primeiros trabalhos de grande porte feitos pelo pintor.Já no exterior da estrutura, o Belvedere conta ainda com oito painéis do escultor francês Albert Freyhoffer, que retratam a evolução dos meios de transporte ao longo do tempo, da carruagem até os automóveis da década de 1930; as esculturas atualmente apresentam rachaduras.FechamentoO Monumento Rodoviário Belvedere foi fechado ao público no ano de 1978, 48 anos atrás. Posteriormente, em 27 de agosto de 1990, o espaço ganhou reconhecimento como patrimônio cultural.Por mais que o monumento tenha recebido o título, ele não foi reaberto e segue sendo degradado, principalmente com pichações.As tentativas de recuperar a estrutura não tiveram sucesso: uma ação civil pública que pedia o restauro da obra foi arquivada em outubro de 2015 pelo Ministério Público Federal em Volta Redonda. Em 2016, um plano de restauro chegou a ser aprovado, mas as obras nunca saíram do papel.

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