China, Rússia, Brasil: veja lista de países que confirmaram terem sido convidados para Conselho de Paz de Trump

 

Fonte:


O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou recentemente a criação de um Conselho de Paz, considerada por alguns líderes mundiais uma espécie de ONU secundária.

O conselho, de acordo com os documentos vistos pela Reuters, Trump teria mandato vitalício como presidente e quem quiser entrar precisará pagar US$ 1 bilhão. Todos os recursos serão comandados pelo próprio presidente americano.

Até agora, 50 países e a União Europeia confirmaram que foram convidados. Entre eles está o Brasil. Apesar disso, apenas três aceitaram o convite até agora: Argentina, Hungria e Marrocos.

Veja a lista com base em falas de autoridades dos países:

Albânia

Argentina

Austrália

Áustria

Bahrein

Bielorrússia

Brasil

China

Canadá

Chipre

Egito

Comissão Europeia

Finlândia

França

Alemanha

Grécia

Hungria

Índia

Indonésia

Irlanda

Israel

Itália

Japão

Jordânia

Cazaquistão

Marrocos

Holanda

Nova Zelândia

Noruega

Omã

Paquistão

Paraguai

Polônia

Portugal

Catar

Romênia

Rússia

Arábia Saudita

Cingapura

Eslovênia

Coreia do Sul

Espanha

Suécia

Suíça

Tailândia

Turquia

Emirados Árabes Unidos

Reino Unido

Ucrânia

Uzbequistão

Vietnã

O governo brasileiro tenta ganhar tempo para adiar uma resposta ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre o convite para integrar o chamado 'Conselho da Paz' em Gaza. A avaliação interna é que ainda há muitas dúvidas sobre os objetivos da iniciativa, e que o Brasil pode enfrentar consequências diplomáticas tanto se aceitar quanto se recusar a participar do grupo.

Nesta segunda-feira (19), o presidente Lula se reuniu com o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, para discutir o tema, após o convite feito por Trump no fim de semana. Ainda não há definição se o Planalto ou o Itamaraty irão se manifestar oficialmente nos próximos dias.

O que está em jogo?

Fontes da diplomacia brasileira afirmam que pontos centrais da proposta seguem pouco claros, como os objetivos do Conselho, os custos envolvidos e o destino da contribuição de US$ 1 bilhão exigida para integrar o grupo.

Não está definido, por exemplo, se os recursos seriam destinados à reconstrução de Gaza, nem qual a visão dos países que já sinalizaram interesse na iniciativa. A avaliação é que essas incertezas devem ser usadas como argumento para evitar uma resposta imediata.

Outro fator considerado é o cenário eleitoral. Segundo uma fonte, há a percepção de que poderia ser politicamente positivo para o governo demonstrar que Lula tem uma relação institucional com Trump superior à de Jair Bolsonaro, além de destacar que a atual gestão conseguiu derrubar tarifas impostas pelos Estados Unidos. Nesse contexto, ignorar ou desprezar o convite de Trump não seria a melhor estratégia.

Por outro lado, o Brasil também leva em conta sua posição no Brics e a necessidade de compreender a visão de parceiros como China e Índia antes de tomar uma decisão. A preocupação é evitar desalinhamentos dentro do bloco de países emergentes.

Para o professor de Relações Internacionais da Universidade Católica de Brasília e docente do Programa de Pós-Graduação em Integração da América Latina da USP, Gustavo Menon, a criação do conselho representa uma tentativa dos Estados Unidos de reassumir protagonismo na agenda internacional relacionada ao conflito.

"O que me parece é uma resposta dos Estados Unidos, em meio ao debate de crise da sua hegemonia, de tentar emplacar a redefinição dessa correlação de forças em todo o planeta. Sabemos que há uma aposta por parte do presidente Donald Trump em reconquistar a América Latina como uma região da histórica influência dos Estados Unidos. E essa iniciativa, que foi lançada recentemente, trata-se aqui de uma iniciativa muito colonialista, onde aposta muito na aliança com o Israel, na redefinição das instituições em Gaza", avalia.

Enquanto isso, aliados de Trump já se posicionam. O presidente da Argentina, Javier Milei, afirmou que será uma honra integrar a iniciativa. Egito e Arábia Saudita também sinalizaram interesse, por terem atuação direta e interesses estratégicos na região de Gaza.