Apenas um dia após o líder chinês, Xi Jinping, encerrar uma visita oficial de três dias aos EUA, a China fez críticas às ações de Washington no cenário internacional durante a Assembleia Geral da ONU neste sábado. O vice-presidente da China, Han Zheng, incumbido de representar o país no plenário da maior organização multilateral do mundo, evitou citar diretamente os EUA — sem deixar as críticas de lado. Entre afagos e brindes com Trump: Ajuda da China ao Irã foi prato indigesto da visita de Xi aos EUA Quer ler mais notícias de Mundo? Acompanhe o canal no WhatsApp Quer morar fora? Veja guia interativo que reúne informações sobre 36 países O vice-presidente reiterou a posição de Pequim como defensor do multilateralismo e das relações internacionais mediadas por regras — pontos que têm levado o país a embates com Washington no plano internacional. Ainda no começo do discurso, Zheng criticou as guerras ativas no mundo, citando em particular a situação no Oriente Médio.
— A China considera que a soberania e a segurança dos países do Oriente Médio, incluindo os países do Golfo, devem ser respeitadas — disse o vice-presidente chinês, sem citar os EUA ou Israel, do mesmo modo que não se referiu à Rússia ao abordar a guerra na Ucrânia. O enviado chinês também se referiu à crise em Cuba — que desde janeiro é alvo de um embargo dos EUA, que levou o país a uma escassez de petróleo severa, forçando o país a conviver com apagões e falta de insumos — pedindo o fim das ações hostis contra a ilha comunista, novamente sem nomear os EUA.
— A China insta o país em questão a cessar imediatamente o uso da ameaça da força contra Cuba e a suspender imediata e completamente o bloqueio e as sanções — disse. Outras críticas foram apontadas por Zheng. Ao defender o multilateralismo e o financiamento de países em desenvolvimento pelos mais desenvolvidos, o representante chinês criticou o "protecionismo" adotado "por algumas nações" — em um momento em que o presidente dos EUA, Donald Trump, usa de uma política ostensiva de tarifas para extrair acordos de outros paísesm sejam eles aliados ou não. — O protecionismo não produz vencedores. Construir muros, erguer barreiras e interromper cadeias de suprimentos desestabilizam as cadeias industriais e de suprimentos globais e prejudicam os interesses de todas as partes — apontou.
O Globo