Chilenos da Cencosud anunciam acordo para a compra de 100% dos supermercados St. Marche
A varejista chilena Cencosud anunciou um acordo para adquirir 100% das operações da St. Marche, rede de supermercados premium, com sede em São Paulo. De acordo com comunicado da empresa chilena, a aquisição está sujeita à aprovação do plano de recuperação judicial apresentado pela St. Marche nesta quarta-feira, 24. A rede já havia passado por um processo de recuperação extrajudicial, com dívida declarada de R$ 530 milhões, mas nova pressão de credores levou a varejista a buscar proteção na Justiça paulista.
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"A Cencosud adquirirá a St. Marche sem dívidas e sem desembolso de caixa, sendo que as operações adquiridas não possuem dívida financeira. A aquisição está sujeita a condições de fechamento, incluindo a aprovação do plano de recuperação judicial do Grupo Hortus (controlador da St. Marche) no contexto de seu processo de recuperação judicial e a aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade)", diz o comunicado da Cencosud, sem revelar o valor do negócio.
Durante o processo de recuperação extrajudicial, a St. Marche recebeu uma capitalização de R$ 90 milhões do fundo americano L Catterton, dono de 70% da rede, e do BTG. Um fundo do BTG tinha mais de R$ 280 milhões em créditos do grupo.
Se as condições forem cumpridas, a transação será financiada por meio da realocação de capital gerado pela recente venda das operações da Cencosud em Minas Gerais, diz o comunicado. O grupo chileno Cencosud vendeu todas as suas operações do supermercado Bretas para a rede Supermercados BH, no ano passado, pelo valor de R$ 716 milhões. A transação envolveu 54 lojas, oito postos de combustíveis e um Centro de Distribuição.
Problemas financeiros
Fundada em 2002, a St. Marche tem 32 lojas, incluindo duas unidades do Empório Santa Maria e um centro de distribuição. É voltada ao público A e B. Nos últimos doze meses encerrados em março de 2026, a St. Marché gerou mais de R$ 1,078 bilhão em vendas, segundo o comunicado ao mercado.
O St. Marche enfrentava problemas financeiros, há alguns anos, após ter feito uma expansão muito acelerada após a pandemia, gerando dívidas elevadas. Aproveitando o aquecimento do consumo na pandemia, a rede abriu 12 novas unidades entre 2021 e 2023, com custo de mais de R$ 120 milhões. O plano era abrir capital na Bolsa, mas as condições de mercado impediram esse movimento.
A empresa financiou o crescimento tomando crédito e o aumento da taxa Selic impactou negativamente a operação, drenando o caixa. Os sócios da rede Bernardo Ouro Preto e Victor Leal também desembolsaram cerca de R$ 40 milhões para abrir uma unidade do Eataly em São Paulo, empreendimento gastronômico de luxo. Após um longo processo de recuperação judicial e disputas por despejo devido a dívidas de aluguel, os direitos de uso do nome da marca no Brasil foram perdidos e o local fechou as portas.
A Cencosud opera em seis países, tem mais de 115.000 funcionários, 1.396 lojas de varejo e está 68 shopping centers. Tem operações na Argentina, Brasil, Chile, Peru, Colômbia e Estados Unidos – além de um escritório comercial na China.
Sua estratégia de varejo inclui lojas multiformato, com supermercados, materiais de construção, lojas de departamento, shopping centers e serviços financeiros. No Brasil,a Cencosud opera a Bretas em Goiás; GBarbosa, Mercantil Atacado e Perini no Nordeste, Prezunic, no Rio de Janeiro e Giga Atacado, em São Paulo, adquirida em 2022.
"Esta transação fortalece a presença da Cencosud no maior mercado consumidor do Brasil e agrega um formato de varejo premium altamente complementar", diza rede chilena no comunicado.
