247 – O empenho do deputado federal André Janones (Rede-MG) em articular estratégias com a oposição peronista em Buenos Aires virou alvo de deboche por parte do governo da Argentina. O chanceler do país vizinho, Pablo Quirino, usou as redes sociais para ironizar os encontros do parlamentar brasileiro com a ex-presidente Cristina Kirchner e com o ex-ministro da Fazenda Sergio Massa, derrotado por Javier Milei no pleito de 2023, relata Mônica Bergamo, da Folha de São Paulo.
“Más cantado que Despacito”, disparou o chefe da diplomacia argentina ao publicar as imagens das reuniões. A metáfora popular remete ao sucesso musical massivo para classificar um acontecimento como previsível e óbvio.
A postagem do ministro representou o principal posicionamento público do Gabinete de Milei sobre a passagem da comitiva brasileira. Acomodado na capital argentina durante o feriado, Janones viajou com os marqueteiros Rafael Marroquim e Chico Kertesz, profissionais experientes em campanhas locais, com o objetivo de alinhar táticas digitais voltadas a combater a extrema-direita e tentar derrotar Milei no pleito presidencial de 2027.
Enquanto Massa surge como pré-candidato à Casa Rosada, Cristina Kirchner — mesmo sob custódia — preserva centralidade política na definição dos rumos da oposição. Diante da repercussão, a diplomacia do Brasil e o Palácio do Planalto agiram para isolar o governo federal do episódio.
Integrantes da administração afirmam que a viagem é uma iniciativa estritamente privada de Janones. Diplomatas ponderam reservadamente que o deslocamento do deputado mineiro não tem densidade para tensionar ainda mais as relações bilaterais.
Foi ressaltado ainda que, embora Marroquim e Kertesz tenham prestado serviços para a campanha do presidente Lula (PT), a dupla não foi enviada a Buenos Aires pelo presidente brasileiro. As acusações sobre interferência de marqueteiros brasileiros, contudo, tocam em um ponto sensível para o governo argentino.
Em entrevista concedida no meio do ano, Javier Milei acusou abertamente o governo do Brasil de ter financiado parcelas da campanha de Massa em 2023. Na ocasião, ao justificar sua idas a eventos políticos da oposição brasileira, Milei acusou: “sabe quem mais colocou dinheiro nesta campanha anti-Argentina? O governo do Brasil.
Vinte e cinco por cento dos recursos vieram de lá. E depois eles vêm falar de interferência”.
Brasil 247