CEO que polemizou ao demitir 900 pessoas por chamada de vídeo em 2021 é dispensado de empresa: 'Me passou para trás'

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

Vishal Garg, o ex-CEO da Better Home & Finance que ficou conhecido por demitir cerca de 900 funcionários durante uma reunião pelo Zoom pouco antes do Natal de 2021, quer voltar ao comando da empresa após ser demitido em 3 de agosto deste ano.

Dívida de R$ 17,3 bilhões: Casas Bahia entra com pedido de recuperação judicial Recorde: Inadimplência já atinge 9,1 milhões de empresas no país com R$ 232 bi de dívidas em atraso Garg acusa Daniel Lewis, que havia entrado para o conselho em 27 de julho, de ter conquistado sua confiança ao defender a estratégia da companhia e, uma semana depois, convencido os demais diretores a destituí-lo e assumir seu lugar. — Ele me passou para trás — afirmou Garg, segundo a CNN. Em 4 de agosto, um dia após a demissão, Lewis publicou no X: "Nunca houve uma $BETR sem @vishal_better. Isso exige respeito." Garg contratou o advogado Alex Spiro, sócio do escritório Quinn Emanuel, e enviou uma carta ao conselho da Better na segunda-feira exigindo sua recondução ao cargo. Ele afirma que pretende trabalhar por US$ 1 por ano até que a empresa volte a ser lucrativa e, depois disso, deixar a posição de CEO. Quem é Vishal Garg, o CEO que demitiu 900 funcionários pelo Zoom Garg ganhou notoriedade em 2021, quando demitiu cerca de 900 funcionários durante uma reunião da empresa realizada pelo Zoom, pouco antes do período de festas. Naquele momento, a Better vivia uma forte expansão impulsionada pelo boom de refinanciamentos provocado pela pandemia. As taxas de hipoteca estavam abaixo de 3%, e a empresa chegou a uma avaliação de US$ 8 bilhões. Depois, o mercado de refinanciamento entrou em colapso, enquanto as taxas de hipoteca se aproximaram de 7%. O valor de mercado da Better caiu para cerca de US$ 300 milhões. Durante os anos em que Garg esteve no comando, a empresa também enfrentou outros problemas. O executivo ficou afastado após a repercussão das demissões pelo Zoom, um denunciante entrou com uma ação contra a companhia, posteriormente retirada, e a Securities and Exchange Commission (SEC) realizou uma investigação que não resultou em nenhuma consequência. Em 2023, uma fusão com uma SPAC foi considerada desastrosa e provocou uma queda de 93% nas ações da empresa. A Better acumulou ainda anos de prejuízos crescentes. Garg afirma que empresa estava perto da recuperação Apesar do histórico, Garg afirma que a Better estava próxima de recuperar a situação financeira. Depois do colapso do mercado de refinanciamento, as vendas anuais da empresa caíram de US$ 1,5 bilhão em 2021 para US$ 70 milhões em 2023. Neste ano, segundo ele, a companhia está a caminho de alcançar US$ 200 milhões em vendas. A estratégia inclui investimentos em inteligência artificial para treinar modelos capazes de processar rapidamente pedidos de hipoteca. Segundo Garg, esse trabalho normalmente exigiria dezenas de pessoas durante vários dias. A Better também estabeleceu uma parceria com a Neo Home Loans. De acordo com Garg, a parceria dobrou a produtividade e reduziu em 50% os custos de originação de empréstimos. Segundo ele, os resultados levaram Intuit, Coinbase e OpenAI a estabelecer parcerias com a Better neste ano para viabilizar seus serviços de hipotecas. A companhia também desenvolveu um negócio considerado forte de linhas de crédito com garantia de imóvel. Garg resumiu sua avaliação sobre o momento da empresa: — Estamos vencendo. Triplicamos o volume de empréstimos. Estamos perto de atingir a lucratividade. Ele comparou o desempenho a uma equipe de futebol próxima de marcar: — Estávamos na linha de 5 jardas depois de levar a bola por todo o campo desde o outro lado. Como começou a disputa com Daniel Lewis Segundo Garg, Lewis, gestor de um fundo de hedge com histórico misto de sucesso, o procurou cerca de seis meses antes da demissão. Ele teria apresentado ideias para reduzir custos e propostas para levar a empresa à lucratividade. Garg considera que as ideias de Lewis sobre redução de custos eram boas, mas discorda de suas propostas sobre inovação. — As ideias de (Lewis) sobre redução de custos eram boas. As ideias dele sobre inovação, não. Lewis entrou para o conselho da Better em 27 de julho. Uma semana depois, segundo Garg, convenceu os demais integrantes a retirá-lo do cargo de CEO. Lewis foi então nomeado substituto. Garg afirma acreditar que Lewis não foi transparente sobre suas intenções durante os meses em que o aconselhou e buscou conquistar sua confiança para conseguir uma vaga no conselho. — Suspeito que ele sempre quis se tornar CEO. O conselho cometeu um erro. Investidores pressionam pelo retorno Garg afirma que sua tentativa de retornar ao comando não é motivada apenas por interesse pessoal. — Não se trata de mim — disse. Segundo ele, o objetivo é proporcionar economia às pessoas e ajudá-las a realizar o sonho americano. Garg disse que, quando os acionistas afirmaram que ele precisava ficar em segundo plano, aceitou. — Eu me importo em proporcionar economia às pessoas e ajudá-las a realizar o sonho americano. Então, quando os acionistas disseram: "Você precisa ficar em segundo plano", eu concordei. Apesar disso, Garg afirma ter recebido, na semana seguinte à saída do cargo, contatos de vários investidores que estavam horrorizados com sua demissão e pediam seu retorno à posição de CEO. As ações da Better caíram 45% desde que Lewis assumiu o comando. Antes mesmo da saída de Garg, os papéis já haviam acumulado queda de mais de 16% no ano. Garg afirma ainda possuir ações Classe B com poderes especiais de voto, formadas por suas próprias ações e pelas ações de um grupo de investidores iniciais comprometidos com ele. Segundo o ex-CEO, ele possui votos suficientes para vencer a disputa pelo comando da empresa. A proposta para voltar à Better Garg reconhece que adota uma postura de "linha-dura" e admite que as demissões realizadas pelo Zoom prejudicaram gravemente a reputação da Better. Segundo ele, esse episódio é um erro que continuará a afetá-lo. Ao explicar sua disposição para voltar à empresa, Garg afirmou: — É um reconhecimento de que venho fazendo isso há 10 anos, mas a execução não foi perfeita. Espero que isso seja resolvido. Acho que o futuro da Better continua muito promissor.

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