A Starbucks está fazendo uma aposta de US$ 1 bilhão em algo que parece quase fora de época em uma economia cada vez mais digital: fazer as pessoas se sentarem e permanecerem mais tempo no local. A maior rede de cafeterias do mundo planeja reformar até nove mil unidades nos Estados Unidos, transformando parte delas no que a empresa chama de espaços de convivência (community lounges, em inglês).
Mais de R$ 2 mil no Brasil: Como uma sacola de mercado de US$ 3 se tornou ícone de status mundial MP assinada: Lula sanciona fim da ‘taxa das blusinhas’ sobre compras internacionais de até US$ 50 A proposta inclui poltronas de couro, tapetes, estantes com livros, iluminação mais suave e assentos mais confortáveis. Mas a estratégia vai além de simplesmente renovar a aparência das lojas. A Starbucks quer estimular os clientes a ficarem mais tempo, consumirem uma segunda bebida e voltarem a enxergar a cafeteria como um lugar para passar algumas horas, e não apenas como uma parada rápida para comprar café. A proposta representa uma mudança significativa em relação à lógica que predominou no período pós-pandemia, marcada pela busca por agilidade, pedidos para viagem e conveniência digital. Durante anos, a Starbucks investiu em soluções para tornar o processo mais rápido: o cliente fazia o pedido pelo aplicativo, retirava a bebida e seguia seu caminho. Do vinho ao queijo: França enfrenta ‘crise existencial e gastronômica’; entenda Agora, porém, a companhia parece apostar justamente na direção contrária. A próxima etapa de seu crescimento pode depender menos da rapidez e mais da capacidade de fazer o cliente permanecer dentro da cafeteria. Recuperando a ideia de 'terceiro lugar' A Starbucks busca retomar um dos conceitos centrais que ajudaram a construir a marca: a cafeteria como um “terceiro lugar”, entre a casa e o trabalho. Essa proposta, porém, perdeu força depois da pandemia, quando muitas lojas reduziram os espaços para clientes e o aumento dos pedidos por aplicativo transformou as cafeterias, cada vez mais, em simples pontos de retirada.
Hoje, os pedidos feitos por celular representam cerca de um terço das transações da rede nos EUA — mais que o dobro da participação registrada em 2019. Veja valores: Modelos antigos de iPhone têm alta de até R$ 2 mil por causa da IA O CEO Brian Niccol colocou a recuperação dessa experiência presencial no centro de seu plano para reverter os problemas da empresa. A expectativa é que cerca de 1.500 lojas tenham passado por melhorias até o fim de setembro. No longo prazo, a Starbucks pretende reformar entre oito mil e nove mil unidades próprias na América do Norte. Cada projeto de renovação custa aproximadamente US$ 150 mil, o que significa que o programa completo poderá superar US$ 1 bilhão. A lógica por trás da estratégia é simples. Um cliente que passa cinco minutos na loja para retirar um latte de US$ 6 gera apenas uma venda. Já aquele que permanece por uma hora, pede outra bebida, compra algo para comer e volta novamente durante a semana representa uma relação de longo prazo com a marca. 'Chegar no horário' e 'trabalhar': restaurante em SP exige 'o básico' em anúncio de emprego inusitado, e publicação viraliza Isso faz com que o investimento tenha menos a ver com decoração e mais com economia do negócio. A Starbucks aposta que o tempo que o cliente passa dentro da loja pode se transformar em maior frequência de visitas e aumento do consumo. Em Chicago, a Starbucks afirma que os consumidores estão permanecendo mais tempo nas lojas e utilizando esses espaços para reuniões, trabalho e encontros sociais.
O Globo