Jensen Huang, CEO da NVIDIA, disse nesta quarta-feira (21), na GTC Berlim, que a vida útil de uma GPU de inteligência artificial não é mais de quatro anos, e sim de oito ou mais. A afirmação veio numa sessão com investidores à margem do keynote.
A fala responde a uma dúvida que ronda o mercado desde 2025: se os chips de IA perdem valor em três ou quatro anos, as empresas que gastam dezenas de bilhões em Data Centers estão subestimando a depreciação e inflando o lucro?
Huang diz o contrário… Elon Musk e o investidor Gavin Baker repetiram a tese nas últimas 24 horas.
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O que Jensen Huang disse na GTC Berlim
O argumento do executivo se apoia em três pontos, a começar pela escala, pois as GPUs da NVIDIA são usadas em todo lugar e têm desempenho bom o bastante para seguir produtivas por anos.
São programáveis, e a empresa segue melhorando o software durante toda a vida do equipamento. E sempre existe alguém disposto a comprar ou alugar a capacidade, o que torna o chip “produtivo, fungível e durável”.
Huang em Berlim: “o que se pensava ser um ciclo de quatro anos provavelmente é de oito, talvez mais”. Foto: Reprodução/NVIDIA
“O que se pensava ser um ciclo de quatro anos provavelmente é de oito, talvez mais.” Jensen Huang, CEO da NVIDIA, na GTC Berlim
Huang foi além e sugeriu que a GPU pode virar garantia de empréstimo. Segundo ele, a maioria dos computadores tem valor residual quase nulo, mas o mercado passou a reconhecer que a computação da NVIDIA mantém valor, o que permitiria financiar a compra com o próprio ativo como lastro.
Jensen Huang says what people thought was a four-year life for NVIDIA GPUs “really is probably eight to maybe more,” and that underwriting NVIDIA compute carries the lowest risk of any asset out thereHUANG: “Well, this is one of our advantages because NVIDIA’s computing systems… https://t.co/dU1k5L9pro pic.twitter.com/aHxiVMGoK9— Fireside Alpha (@firesidealpha) October 21, 2026
Na mesma sessão, ele estimou que cada gigawatt de fábrica de IA custa US$ 50 bilhões e rende cerca de US$ 40 bilhões por ano. Um atraso de três meses custa US$ 10 bilhões.
Musk e Gavin Baker dizem a mesma coisa
Na terça-feira (20), na teleconferência de resultados do terceiro trimestre da SpaceX, Elon Musk afirmou que o valor da computação por watt vai subir com o tempo, porque modelos melhores extraem mais “inteligência útil” do mesmo chip.
Elon Musk says there's no AI demand issue and explains why SpaceX rents its compute on short-term contracts: AI compute is worth more per watt every year, renewals are coming in at higher prices, and the market is a “cheese shop” with no chips left“Our belief is that the value… https://t.co/xErfZj1qqr pic.twitter.com/S0SS6Jxqad— Fireside Alpha (@firesidealpha) October 20, 2026
Ele citou H100 usadas alugando por mais do que custavam novas. A SpaceX, disse, só fecha contratos curtos de aluguel, renovados a preços maiores, entre US$ 30 e US$ 50 por watt. O retorno vem em menos de um ano.
Gavin Baker, da gestora Atreides, completou numa sessão pré-keynote da NVIDIA em Berlim. Segundo ele, o preço dos tokens caiu, mas o custo de alugar uma hora de GPU “ficou vertical”, porque cada hora produz mais tokens úteis.
Arkady Volozh, CEO da Nebius, que estava no palco, disse que a empresa reajusta os preços nos leilões “a cada 12 minutos”.
Por que a tese interessa a quem a defende?
Vamos combinar, todos eles têm motivo para dizer isso, porque a NVIDIA vende os chips, a SpaceX aluga 2,2 gigawatts de capacidade e a Atreides tem a NVIDIA em carteira, como o próprio Baker lembrou ao citar a Silicon Data, empresa do portfólio que mantém o índice de preços de GPU.
Elon Musk, na teleconferência de resultados da SpaceX, disse que H100 usadas alugam por mais do que novas. Foto: Reprodução/SpaceX
Do outro lado está o investidor Michael Burry, que calcula que as grandes de nuvem subestimam a depreciação em US$ 176 bilhões entre 2026 e 2028. E a Amazon, que encurtou a vida contábil de parte de seus servidores no ano passado.
Há dados que favorecem Huang, como o levantamento de setembro da Silicon Data, que apontou valor residual de A100 e H100 bem acima do que um cronograma linear de três ou cinco anos implicaria, e o B200 negociado a 158% do preço de lançamento.
Em maio, a própria NVIDIA disse que as GPUs antigas “envelheceram como vinho”. O que ninguém mostra com números ainda é o cenário em que a demanda arrefece, já que o chip de oito anos vira sucata de quatro.
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Vera Rubin em produção enquanto a H100 segue alugada
O superchip Vera Rubin, já em produção, é a geração que vai conviver com H100 e A100 ainda em uso. Foto: Divulgação/NVIDIA
A conversa acontece com o Vera Rubin já em produção. Em Berlim, ele foi apresentado como o primeiro sistema da NVIDIA sem cabos e totalmente refrigerado a líquido, montado em menos de cinco minutos contra duas horas do Grace Blackwell.
É a geração que, pela tese de Huang, vai conviver com a H100 de 2022 e a A100 de 2020 ainda rodando em Data Centers por mais alguns anos.
Para o consumidor, o reflexo já está nas prateleiras… Enquanto chips de quatro gerações continuarem vendáveis para IA, a prioridade de wafers e memória fica com os aceleradores, e a RTX 5090 segue sumindo das lojas.
A próxima prova vem em novembro, no balanço trimestral da NVIDIA. Depois, nos relatórios anuais, os clientes de nuvem dizem quantos anos de vida contábil dão aos seus chips.
Fonte(s): Fireside Alpha, no X (Jensen Huang), Fireside Alpha, no X (Elon Musk), Fireside Alpha, no X (Gavin Baker), Schulz Research, no X e Wccftech
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