Censo do Brasil: Seleção mais velha, mais alta, mais 'brasileira' e concentrada no Sudeste vai disputar a Copa do Mundo

 

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O Brasil vai atrás do hexacampeonato mundial na Copa do Mundo dos Estados Unidos, Canadá e México com uma seleção mais velha, mais alta, com alta concentração de jogadores do Sudeste e um olhar mais voltado ao futebol brasileiro do que nas últimas edições. É o que mostram os dados levantados pelo GLOBO.

À frente do Brasil há apenas um ano, Ancelotti optou pela experiência na lista final para o Mundial, nesta segunda-feira, e convocou a seleção brasileira com a maior média de idade dentre todas as edições. O Brasil vai disputar o Mundial de 2026 a partir do mês que vem com uma média próxima de 30 anos (29 anos, 6 meses e 29 dias, considerando a data da convocação).

Censo da seleção brasileira

Editoria de Arte

A média deste Mundial supera a da edição de 2010, na África do Sul. Na ocasião, os 23 nomes chamados por Dunga tinham, em média, 29,3 anos. A terceira é a da última Copa do Mundo, no Catar, com 28,4. Na lista deste ano, há 15 jogadores que estiveram presentes em 2022.

Duas convocações consideradas surpresas elevaram a média de idade do Brasil: Weverton e Neymar, que sequer haviam sido convocados por Ancelotti ao longo do último ano. O goleiro do Grêmio é o jogador mais velho da seleção na Copa, com 38 anos e 5 meses, e vai disputar sua segunda Copa do Mundo. Aos 34 anos e 3 meses, o camisa 10 da seleção vai para o seu quarto Mundial. Além deles, Alex Sandro (35 anos), Danilo (34 anos) e Casemiro (34 anos) completam a lista dos mais veteranos.

Na outra ponta, Rayan e Endrick são os caçulas da seleção. Os dois atacantes têm 19 anos, com uma diferença de menos duas semanas. O jogador do Lyon completará 20 anos no final de julho, e o atleta do Bournemouth, no início de agosto.

Ancelotti também terá um time mais físico. A média de altura é uma das maiores de todos os tempos, com 1,82m, semelhante do grupo de 2010, na África do Sul. Nas duas últimas edições, por exemplo, a média foi de 1,80m. Desde 2002, a tendência do Brasil — e mundial — é de goleiros muito altos, zagueiros maiores e meio-campistas mais fortes fisicamente.

A mudança fica clara em comparação com os Mundiais de 1994 e 1998, cujas médias de altura foram de 1,71m e 1,72m, respecitivamente. Àquela época, os jogadores eram mais baixos e mais técnicos.

A média do Brasil foi puxada, sobretudo, pelos goleiros e zagueiros. Alisson se destaca como o mais alto da seleção, com 1,93, mas toda defesa se aproxima de 1,90m. A média do gol e da zaga é de 1,88m.

De olho no Brasileirão

A lista final também tem um peso maior do futebol brasileiro em relação às últimas edições. A partir da abertura do mercado europeu aos atletas daqui, no final dos anos 1990 com a Lei Bosman, a presença dos jogadores que atuam no país foi minguando. Desde 2002, o maior percentual era justamente do Mundial sediado no Brasil, com 17,3% (quatro representantes da liga local). Agora, com sete convocados de clubes nacionais, o percentual de quase 30% se aproxima ao da Copa de 1998, na França, com 36,3% (oito dos 22 chamados).

Esse movimento foi puxado pela consolidação financeira de alguns clubes e projetos que puderam repatriar jogadores selecionáveis da Europa, como Danilo, Lucas Paquetá, Alex Sandro (os três do Flamengo) e Danilo Santos (Botafogo), que figuravam em times da primeira e segunda prateleiras europeias. Além da volta de Neymar ao Santos, clube que o projetou para o futebol e onde tem pretensões de encerrar a carreira.

No entanto, a seleção brasileira ainda é "europeia" em sua maioria, com 17 jogadores que atuam no grande palco do futebol mundial. A Inglaterra, com a badalada Premier League, é o país com mais representantes na lista do italiano (8), considerando todos os continentes. Das cinco principais ligas da Europa (Inglaterra, França, Alemanha, Itália e Espanha), a Alemanha é a única que não tem jogadores na equipe.

Apesar da ampla vantagem da Inglaterra, os convocados não ficaram concentrados em poucos clubes ingleses. Pelo contrário, estão espalhados por 16 times da Europa. Apenas Manchester United (ING), Arsenal (ING) e Zenit (RUS) ficaram com mais de um jogador na lista — cada um tem dois representantes.

Dos que jogam fora do Brasil, apenas dois não estão na Europa: Fabinho e Ibañez, ambos no futebol da Arábia Saudita.

Concentração no Sudeste do Brasil

A seleção brasileira conta com jogadores que saíram de dez estados diferentes do país, sendo a grande maioria deles da Região Sudeste (53,8%), principal eixo do futebol no Brasil. São Paulo e Rio de Janeiro dominam a lista, com oito e cinco representantes, respectivamente.

A Região Norte é a única com apenas um convocado: o goleiro Weverton, do Acre.