Endrick comenta campanha por ele na Copa, fama de não sentir peso da seleção e promete dar o melhor 'em 1 ou 100 minutos'
Se a convocação para a Copa do Mundo fosse uma corrida com 26 vencedores, certamente aquele que mais acelerou na reta final para conseguir cruzar a linha de chegada foi Endrick. Em dezembro do ano passado, enquanto o Brasil já conhecia seus adversários no Grupo C, o atacante parecia muito longe de participar do torneio: iniciara a temporada se recuperando de lesão, perdera espaço no Real Madrid e só havia feito três jogos no semestre. Tudo isso mudou em cinco meses, e ele hoje é um dos jogadores da seleção brasileira que chegarão ao torneio mais cercados de expectativa.
— Com confiança, dedicação e sacrifício, você avança — disse o atacante ao GLOBO, comentando a sensação de ter dado a volta por cima: — É a de que o trabalho e o sacrifício sempre são recompensados.
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O anúncio de seu nome foi um dos mais festejados pela torcida no Museu do Amanhã, local da convocação. Só ficou atrás do de Neymar e, talvez, dos jogadores do Flamengo (porque o evento foi no Rio).
Os cinco meses de Endrick no Lyon foram avassaladores. A cada gol, a pressão da torcida por sua convocação cresceu. Uma campanha que não se resumiu aos palmeirenses e uniu os brasileiros.
Deu certo. O técnico da seleção Carlo Ancelotti lhe chamou para os amistosos de março, e, com apenas 15 minutos em campo contra a Croácia, o atacante convenceu o italiano de que é um furacão que não sente o peso da camisa e que precisava ser levado para a Copa.
Agora, com a passagem pelo Lyon encerrada e a vaga no Mundial assegurada, Endrick se prepara para vestir a Amarelinha e tentar corresponder às expecativas não importa o tempo que esteja em campo: "em um minuto ou em cem minutos".
Ao GLOBO, Endrick falou sobre a forte identificação da torcida com ele, a ansiedade para jogar a Copa e a tranquilidade com que veste a Amarelinha. Só evitou falar sobre um assunto: a possibilidade de atuar ao lado de Neymar.
Há seis meses, você tinha pouco espaço no Real e não era convocado. Agora, vai à Copa e o Real já conta contigo na próxima temporada. Qual a sensação?
É a de que o trabalho, o sacrifício, sempre são recompensados. Com confiança, dedicação e sacrifício, você avança.
Você é visto pelo público como um jogador de personalidade, que não sente o peso da Amarelinha. Isso é verdade? Vestir a camisa da seleção não te deixa nem um pouco nervoso?
Eu repito sempre: se estiver me cuidando ao máximo, se der o meu máximo em cada treino, vou chegar em qualquer jogo com a consciência tranquila de que fiz tudo que podia para ajudar a equipe a vencer esse jogo. É a dedicação que traz a tranquilidade.
Está pronto para ser titular na Copa?
Vou seguir trabalhando para dar o meu melhor pro grupo. Se vai ser em um minuto, ou em 100 minutos, não sei. Mas o grupo vai ter sempre o meu melhor, em cada treino, e em cada minuto em campo. Vou dar o máximo, e aproveitar todos os minutos que tiver.
Seu nome foi um dos mais pedidos pela torcida nos últimos meses. Uma campanha que foi muito além dos palmeirenses. Na sua opinião, a que se deve esse carinho dos torcedores rivais?
Eles não são rivais. Eles torcem pra outros clubes, e quando jogava no Brasil, os times eram adversários, ali, naquela hora. Acho que sempre me respeitaram porque sempre lutei pela minha equipe, mas sempre respeitei as outras.
As duas maiores campanhas da torcida foram pelo Neymar e por você. Qual a expectativa de participar de uma Copa ao lado dele? Podem formar uma boa dupla de ataque?
A Copa do Mundo é o sonho de todo jogador. Ainda mais a primeira. A seleção brasileira é a maior vencedora. A mais admirada até hoje. Vamos trabalhar pra formar um grupo que siga unido pelo titulo. No ataque, no meio e na defesa. Um grupo só. Nada individual.
