Cenipa aponta histórico de falhas em helicóptero que caiu com Rick Sollo

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

O relatório preliminar do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) sobre a queda do helicóptero que matou o cantor Rick Sollo e outras quatro pessoas, em setembro, aponta condições meteorológicas adversas na região do acidente e um histórico de falhas nos geradores da aeronave.

O documento, anexado nesta terça-feira ao processo que apura as circunstâncias da queda, também registra um episódio anterior de vibração anormal e relatos de problemas no piloto automático. Até o momento, porém, os investigadores não estabeleceram a causa da queda.

O helicóptero Bell 430 caiu em 21 de setembro, durante um voo privado com Rick Sollo, que formava dupla sertaneja com Renner, o empresário e influenciador Bruno Avelar, o videomaker Paulo Soares, o piloto Antônio Roberto Nóbrega de Araújo e o copiloto Leopoldo Barros Teixeira. A aeronave atingiu uma encosta na Serra da Boa Vista, em Urubici, Santa Catarina.

O Cenipa classificou a ocorrência como colisão de uma aeronave sob controle com o terreno. A investigação continua em andamento, e nenhuma hipótese foi descartada.

Geradores apresentavam falhas recorrentes O relatório registra problemas intermitentes nos geradores do helicóptero.

Segundo um mecânico ouvido pelos investigadores, as falhas voltavam a ocorrer mesmo após intervenções de manutenção. Em abril, um dos componentes foi substituído; em maio, depois de reparado, foi reinstalado em outra posição.

A partir daí, os problemas passaram a ser relatados nos dois geradores. O mecânico afirmou ter recomendado que a aeronave retornasse a uma organização de manutenção para novas verificações.

Segundo o documento, isso ainda não havia ocorrido até o acidente. Embora algumas falhas tenham sido relatadas durante voos sob chuva ou dentro de nuvens, não foi possível estabelecer uma relação entre os problemas elétricos e a umidade.

O Cenipa também analisou um vídeo de um pouso realizado em março, no Rio Grande do Sul, após a percepção de uma vibração considerada anormal durante o voo. A aeronave passou por manutenção, e relatos indicam que o problema deixou de ocorrer após um serviço nos amortecedores do rotor principal.

Em agosto, uma análise de vibração apresentou resultados dentro dos limites previstos pelo fabricante. Também houve relatos de desconexões do piloto automático.

De acordo com as informações reunidas, os pilotos conseguiam manter o controle da aeronave quando isso acontecia. O relatório, no entanto, não relaciona esses episódios anteriores à queda em Urubici.

Região tinha chuva, trovoadas e baixa visibilidade As previsões meteorológicas indicavam chuva moderada, trovoadas e redução da visibilidade na região da Serra Geral, além de condições que poderiam encobrir as montanhas.

Imagens de satélite analisadas pelos investigadores mostraram uma extensa faixa de nuvens associada à passagem de uma frente fria, com possibilidade de chuva forte, ventos intensos e turbulência. Uma câmera instalada no Morro da Igreja, a cerca de oito quilômetros do local do acidente, também registrou a paisagem encoberta.

Já um vídeo feito por um morador, com horário associado às 14h32 UTC, mostra o helicóptero voando em direção à área da queda e entrando em uma região de nebulosidade nos últimos segundos da gravação. O voo havia sido adiado após o piloto informar que chovia em Criciúma.

Mais tarde, por volta das 13h40 UTC, a tripulação consultou aplicativos meteorológicos e fez uma chamada de vídeo com um passageiro que embarcaria em São Joaquim para avaliar as condições no local. A decolagem de Porto Belo foi registrada às 13h49 UTC.

Gravador não tinha áudio do voo Apesar de o helicóptero possuir um gravador de voz na cabine, os registros recuperados pelo Cenipa não correspondiam ao voo do acidente.

Os áudios continham conversas relacionadas a um serviço de manutenção realizado em data não identificada. O manual do equipamento previa um teste de funcionamento antes do primeiro voo do dia, mas o procedimento não constava da lista de verificações encontrada junto à aeronave.

O relatório não aponta, porém, que essa ausência tenha sido responsável pela falta de gravações. Os investigadores ainda tentam recuperar informações de equipamentos eletrônicos do helicóptero, incluindo sistemas de instrumentos, GPS e unidades de controle dos motores.

Celulares, uma câmera e tablets encontrados no local estão sob a guarda da Polícia Científica de Santa Catarina. O Cenipa também busca eventuais registros de um aplicativo de navegação que poderia estar sendo usado pelo piloto.

Os motores foram retirados para exames, e componentes do sistema de indicação do trem de pouso serão analisados. O transmissor de emergência foi encontrado armado, mas não houve detecção de sinal de socorro pelo serviço de salvamento aeronáutico.

O relatório, divulgado em 21 de outubro, apresenta o estágio atual da investigação e pode ser alterado. Segundo o Cenipa, o objetivo é identificar possíveis fatores humanos, materiais e operacionais relacionados ao acidente.

As conclusões serão apresentadas no relatório final.

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