Celular pode causar acne, manchas e envelhecimento precoce; veja riscos

 

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O smartphone já é considerado uma "extensão do corpo", mas o contato prolongado com o aparelho pode esconder perigos para a saúde dermatológica. Dentre as principais doenças se destacam: a acne do celular que, segundo a Dra. Anelise Casillo Ghideti, dermatologista da AE Skin Center e especialista em Dermatologia pela Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), acontece por conta do “atrito do aparelho e o calor emitido por ele estimulam a produção de sebo da pele e a obstrução dos poros”. Além desta enfermidade, também se destacam o envelhecimento precoce e melasma, a dermatite de contato, assim como as infecções causadas pelo acúmulo de bactérias na superfície do smartphone.

🔎 Luz da tela do celular pode manchar a pele? Veja o que dizem os médicos

Imagem ilustrativa de uma jovem com problemas de acne

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Pequenos hábitos como: utilizar o aparelho em locais contaminados, não passar protetor solar ao usar telas e não manter uma rotina de skincare adequada para o seu tipo de pele, podem estar prejudicando a saúde dermatológica.

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Acne do celular: a mistura entre pressão e calor que gera espinhas de um lado da face

A acne mecânica, popularmente conhecida como acne do celular, é um fenômeno causado pela fricção e pressão repetitiva do aparelho contra a face durante as chamadas. A soma do contato físico com o calor gerado pelas baterias cria um ambiente abafado que irrita os folículos pilosos, assim como as glândulas sebáceas e o resultado, é o surgimento de cravos e espinhas. Estas lesões cutâneas ficam concentradas, geralmente, em apenas um lado do rosto, seguindo exatamente o desenho de onde o celular costuma ser pressionado contra a bochecha e a mandíbula, como explica a Dra. Anelise Casillo.

Imagem ilustrativa de uma jovem com Acne de Celular

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"Acne do celular é gerada pelo atrito do aparelho e o calor emitido por ele estimulam a produção de sebo da pele e a obstrução dos poros . As bactérias acumuladas na tela do celular também contribuem para a inflamação e formação da acne, especialmente nas bochechas e mandíbula."

Além do fator físico, a sujeira acumulada na superfície da tela potencializa o processo inflamatório, transformando pequenas obstruções em espinhas dolorosas e persistentes. Pessoas com pele mista ou oleosa são as mais afetadas, pois o estímulo térmico do aparelho acelera a produção de óleo. Para evitar esse quadro, é recomendado o uso de fones de ouvido ou viva-voz, reduzindo o tempo de contato direto, além de manter uma rotina rigorosa de higiene facial com sabonetes adstringentes que ajudem na desobstrução dos poros.

Luz azul, melasma e envelhecimento precoce

A exposição constante à luz azul, ou luz visível, emitida pelas telas dos smartphones é um dos principais fatores modernos do fotoenvelhecimento e do agravamento de manchas. Diferente dos raios UVB, que causam queimaduras solares imediatas, a luz azul penetra profundamente na derme, gerando um estresse oxidativo que libera radicais livres. Este processo danifica as fibras de colágeno e elastina, levando ao surgimento de rugas prematuras e à perda da firmeza da pele. O dano é acuumulado acumula silenciosamente a cada hora de navegação.

Para evitar os impactos negativos da luz azul na pele, utilize filtros de tela e mantenha os aparelhos distantes do rosto

Reprodução/Freepik

"Os aparelhos celulares emitem a luz azul . Essa luz visível estimula os melanócitos a produzirem melanina… Para quem tem melasma, isso significa manchas mais escuras. Esta exposição contínua também leva ao estresse oxidativo com produção de radicais livres que aceleram o envelhecimento. Para prevenção o ideal é usar filtro solar com cor, pois o óxido de ferro atua como barreira física contra a luz visível. Os filtros solares químicos sem cor não conferem esta proteção. Dê preferência aos filtros com cor e acrescidos de antioxidantes (vitamina C, ácido ferulico , vitamina E e niacinamida),” enfatiza Casillo.

Para pacientes que sofrem com melasma, a luz do celular é uma vilã perigosa pois estimula os melanócitos a produzirem pigmento de forma desordenada. O protetor solar comum, sem cor, muitas vezes falha nessa proteção por não conter o óxido de ferro, que atua como um escudo físico contra o comprimento de onda da luz visível. Portanto, a indicação dermatológica atual para usuários frequentes de telas é o uso diário de protetores com cor e a inclusão de séruns antioxidantes na rotina de cuidados matinais.

Dermatite de contato: quando uma irritação pode ser uma reação alérgica

Nem toda mancha vermelha ou descamação no rosto é sinal de acne, muitas vezes, o usuário está sofrendo uma reação alérgica aos materiais do próprio celular. A estrutura dos smartphones e suas capas protetoras frequentemente contêm metais como níquel e cromo, que são alérgenos comuns na população mundial. O contato prolongado desses componentes com a pele suada ou sensibilizada pode desencadear a dermatite de contato, uma inflamação que se manifesta através de coceira intensa, vermelhidão e até pequenas bolhas na região.

Imagem ilustrativa de um jovem com dermatite de contato

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"Dermatite ou eczema de contato é uma reação inflamatória da pele. Pode ter vários agentes causadores. No caso dos celulares ocorre, principalmente, pelo contato como níquel ou cromo presentes na estrutura do aparelho, botões ou capa. Os sintomas mais comuns são placas vermelhas, ásperas, com leve descamação associadas a coceira localizarás na bochecha, orelha ou ponta dos dedos, que são os locais de mais contato com o aparelho. O tratamento consiste em afastar o agente causador e o uso de cremes a base de corticoides e o uso de anti-histamínico para aliviar a coceira, ” explica Dra. Anelise.

Quando isso acontece, identificar a dermatite de contato exige atenção ao padrão das lesões, que costumam surgir na orelha, bochechas ou até nas pontas dos dedos. Se a irritação não responde aos tratamentos convencionais para acne e apresenta descamação áspera, é provável que o sistema imunológico esteja reagindo ao metal do dispositivo. Neste caso, o uso de capas protetoras de materiais inertes, como silicone de alta qualidade, assim como evitar o contato direto com partes metálicas do aparelho, são medidas essenciais para interromper o ciclo de irritação cutânea.

Microbiota e infecções: qual o risco de desenvolver infecções bacterianas graves?

As telas dos smartphones são verdadeiros reservatórios de microrganismos, carregando uma carga bacteriana que pode superar superfícies claramente sujas devido ao manuseio constante. Quando encostamos o aparelho no rosto, transferimos essa microbiota para a pele, o que representa um perigo real se houver pequenas fissuras, poros dilatados ou espinhas abertas. Neste cenário, o risco vai além de uma simples inflamação estética, podendo evoluir para quadros infecciosos que exigem tratamento médico urgente com antibióticos e cuidados específicos para evitar cicatrizes.

Imagem ilustrativa de um cultivo de colônica de bactéria em uma placa de Petri

Edward Jenner

"Considerando que pequenas lesões e poros abertos são porta de entrada para diversos microorganismos, o uso do celular pode ser uma fonte deles e levar a infecções de pele como erisipelas, celulites , abscessos , impetigo,” afirma Dra. Anelise Casillo.

A gravidade dessas infecções pode variar desde o impetigo, comum em crianças mas presente em adultos até celulites e erisipelas, que atingem camadas mais profundas da pele. Quando isso acontece, é importante manter a integridade da barreira cutânea por meio da hidratação diária. Vale lembrar que uma pele ressecada e com microfissuras é muito mais vulnerável. A conscientização sobre o que carregamos em nossas mãos e levamos ao rosto é o primeiro passo para evitar que um hábito tecnológico se transforme em uma internação hospitalar.

Como limpar corretamente o celular para evitar estes eventos e não prejudicar o aparelho

Para previnir todos os riscos mencionados, a higienização do aparelho deve se tornar um hábito tão comum quanto lavar as mãos após chegar da rua. No entanto, não se deve usar qualquer produto, pois substâncias abrasivas podem danificar o revestimento oleofóbico da tela ou os componentes internos. A forma mais segura e eficaz de eliminar bactérias e resíduos de gordura é a utilização do álcool isopropílico 70%, aplicado com um pano de microfibra macio que não solte fiapos, garantindo a desinfecção sem riscos, como recomenda a especialista:

Com que frequência você deve limpar a tela do celular

Reprodução/Shutterstock

"Limpar frequentemente o celular (tela e capa) com álcool isopropílico 70%. Evitar o uso do celular no banheiro. Lavar as mãos antes de mexer no aparelho."

Além da limpeza direta do hardware, a mudança de comportamentos básicos é fundamental para manter a pele saudável e o dispositivo livre de agentes infectantes. Evitar o uso do celular em ambientes de alta contaminação, como banheiros, e lavar as mãos com frequência impede a transferência cruzada de germes para a tela. Combinando a higiene do aparelho com uma rotina de skincare adequada ao seu tipo de pele, é possível aproveitar o mundo digital sem comprometer a saúde e a juventude do rosto.

Com informações de OnSkin e Sociedade Brasileira de Dermatologia

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