'Celular bomba', bloqueador de sinais e nome falso em hotel: PF aponta estratégias de Bacellar para evitar ser rastreado

 

Fonte:


A Polícia Federal aponta que o deputado estadual Rodrigo Bacellar, afastado da presidência da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), adotou contramedidas para evitar que seus deslocamentos e comunicações fossem rastreados, além de dificultar sua identificação. As informações constam em relatório que o indiciou por vazamento de informações à facção criminosa Comando Vermelho.

O ex-deputado Thiego Raimundo dos Santos Silva, conhecido como TH Jóias, também foi indiciado. Ele é acusado de intermediar a compra e venda de drogas, fuzis e equipamentos antidrones destinados ao Complexo do Alemão, além de indicar a esposa de Gabriel Dias de Oliveira, o Índio do Lixão — apontado como traficante e também preso —, para um cargo parlamentar. Outras três pessoas foram indiciadas.

Em nota, o advogado Daniel Bialski, que defende Bacellar, afirmou que “inexiste qualquer elemento probatório para pretender lhe imputar qualquer participação em ilicitude e ou vazamento, ao contrário, só há ilações desamparadas”. A defesa acrescenta que o indiciamento é “arbitrário e abusivo”.

De acordo com a PF, a ação de Bacellar teria causado obstrução na investigação da Operação Zargunq, que apontou relação de TH Jóias com o CV.

Conforme a PF, Bacellar as ações de Bacellar podem ter dificultado a reconstrução dos eventos do dia anterior à operação que prendeu TH Joias, quando o ex-deputado foi alertado pelo então presidente da Alerj que seria alvo.

A PF afirma que Bacellar usava aparelhos telefônicos não vinculados diretamente ao usuário principal, conhecidos no jargão policial como “celulares bomba”. Conforme o relatório, “tais dispositivos, por não estarem associados ao titular da linha ou por operarem em circuitos reduzidos, tendem a limitar a rastreabilidade de contatos, dificultar a obtenção de dados dos fluxos de comunicação, conteúdos presentes no aparelho e as reais interações mantidas pelo usuário”.

A PF registra ainda que Bacellar enviava diversas mensagens para um segundo aparelho sob sua posse, que foi encontrado em seu veículo oficial.

A polícia apontou, ainda, que em sua lista de contatos, os telefones eram todos de uma mesma operadora e tinham a mesma foto de perfil. “Esse padrão indica que o dispositivo era utilizado exclusivamente para comunicação com um grupo restrito/fechado”, descreve a PF.

Nome falso em hotel

Outro comportamento destacado pela PF refere-se ao uso de nomes de terceiros em reservas de hospedagem. Segundo o relatório, a prática “ao que tudo indica, tinha como finalidade evitar a associação direta do nome de Rodrigo Bacellar ao local de permanência ou às pessoas com quem pudesse se encontrar”. A conduta foi identificada em episódio em que o deputado viajou a Brasília, em agosto do ano passado.

A investigação identificou, ainda, que Bacellar usava um "jammer", um equipamento para bloqueio de sinal, em seu gabinete. O dispositivo evita grampos, bloqueando a captação do conteúdo sonoro do ambiente na presença de microfones.

Em dezembro, Bacellar foi preso por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), sob suspeita de envolvimento no vazamento de informações sigilosas da ação que levou à prisão de TH Jóias, em setembro. Na petição, Moraes afirmou que a investigação mostra que Bacellar é “primeiro contato da lista de comunicação urgente enviada pelo próprio ‘TH Jóias’, evidenciando a importância e a premente necessidade do investigado em se comunicar com o parlamentar”, a quem chama de “01”.