247 – O assessor especial da Presidência da República para Assuntos Internacionais, Celso Amorim, rebateu nesta segunda-feira (26) as declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a eleição presidencial brasileira. Ao comentar as suspeitas levantadas pelo norte-americano, Amorim afirmou que a tentativa de interferência no processo eleitoral partiu da Meta, empresa responsável pelo Facebook, Instagram e WhatsApp, e não do sistema de votação.
Em entrevista ao G1, Amorim classificou como contraditória a manifestação de Trump, que insinuou a existência de fraude na eleição vencida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas, na sequência, declarou manter uma boa relação com o brasileiro. “Ele [Trump] está mal informado.
Declaração contraditória, depois diz que gosta do Lula. Quem tentou fraudar a eleição foi a Meta, obstruindo e restringindo as nossas colocações.
Só se ele está se referindo à Meta”, afirmou Amorim ao g1. A declaração ocorre em meio à disputa judicial envolvendo a campanha de Lula e a gigante estadunidense de tecnologia.
A equipe do presidente acionou a Justiça Eleitoral sob a acusação de que a Meta teria imposto obstáculos à circulação de conteúdos favoráveis ao petista, beneficiando a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL). A empresa nega ter interferido no processo eleitoral.
Trump questiona resultado sem apresentar provas As declarações de Amorim foram uma resposta direta ao presidente estadunidense, que, mais cedo, havia sido questionado por jornalistas sobre a derrota de Flávio Bolsonaro no segundo turno da eleição brasileira, realizado no domingo (25).
Trump colocou em dúvida a legitimidade da votação, embora não tenha apresentado evidências de irregularidades que comprometessem o resultado. Segundo o presidente dos Estados Unidos, o pleito brasileiro “pareceu mais uma eleição fraudada”.
Questionado sobre a possibilidade de adotar alguma medida diante do resultado, Trump afirmou que não governa o Brasil e destacou sua relação com Lula. Ao mesmo tempo, criticou a decisão judicial que permitiu a ampliação do horário de votação em determinadas seções eleitorais.
“Eu não governo o Brasil. Eu governo os Estados Unidos.
Gosto do Lula. Me dou muito bem com ele, mas a prorrogação concedida foi muito estranha.”
A manifestação ocorreu um dia depois da confirmação da vitória de Lula e em meio à tentativa de Flávio Bolsonaro de contestar judicialmente o resultado. Lula venceu por mais de 4 milhões de votos
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi reeleito no domingo (25) com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% obtidos por Flávio Bolsonaro. A diferença entre os dois candidatos chegou a aproximadamente 4,4 milhões de votos, consolidando uma virada inédita na história das eleições presidenciais brasileiras: pela primeira vez, um candidato venceu o segundo turno depois de terminar a primeira etapa da disputa na segunda colocação.
Apesar da vantagem registrada nas urnas, Flávio Bolsonaro anunciou que não reconhece o resultado e pretende recorrer à Justiça Eleitoral para solicitar a anulação da votação. O principal argumento apresentado pelo candidato derrotado envolve a decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou a extensão do horário de votação até as 19h em seções eleitorais que permaneciam abertas.
Flávio Bolsonaro sustenta que a medida teria comprometido a igualdade entre os eleitores e alterado as condições da disputa durante o próprio processo eleitoral. Prorrogação foi solicitada pelas duas campanhas
A ampliação do horário de votação ocorreu após representantes das campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro relatarem dificuldades enfrentadas por eleitores em diferentes regiões do país. A equipe do presidente apontou problemas no transporte público que teriam prejudicado o deslocamento até os locais de votação.
O pedido apresentado à Justiça mencionava ocorrências em pelo menos nove unidades da Federação, incluindo São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná e Pernambuco. Já a campanha de Flávio Bolsonaro solicitou a extensão do horário em municípios atingidos por chuvas intensas.
Seus advogados relataram alagamentos, alterações nos locais de votação e obstáculos ao acesso dos eleitores às seções. Ao analisar os pedidos, Zanin considerou a gravidade das situações apresentadas e a necessidade de uma resposta urgente para assegurar o exercício do direito ao voto.
Posteriormente, o ministro esclareceu que a autorização se aplicava exclusivamente às seções que ainda estavam abertas no momento da decisão, sem permitir a reabertura de locais onde a votação já havia sido encerrada. TSE aponta número reduzido de votos após as 17h
Os dados divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) indicam que aproximadamente 35 mil pessoas votaram depois das 17h, apesar da autorização para o funcionamento excepcional de determinadas seções até as 19h. O contingente corresponde a uma parcela pequena diante da diferença de aproximadamente 4,4 milhões de votos registrada entre Lula e Flávio Bolsonaro.
Mesmo na hipótese de todos os 35 mil votos terem sido destinados a um único candidato, o volume seria insuficiente para modificar o resultado da eleição presidencial.
Brasil 247