Castelinho do Flamengo está em péssimo estado de conservação e quase foi posto à venda pela prefeitura

 

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O prédio carrega folclórica fama de ser mal-assombrado. Pichações que cobrem o imóvel do térreo à torre no terceiro andar — alvo de uma infestação de pombos — reforçam o clima soturno. Fantasmas à parte, o estado de conservação do Castelinho do Flamengo, edificação em estilo eclético construída em 1918, preocupa moradores e frequentadores do entorno. O endereço hoje abriga o Centro Cultural Oduvaldo Vianna Filho, da Secretaria municipal de Cultura.

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— O espaço é a memória de um modelo de construção que marcou o bairro no início do século passado. Não é tão suntuoso quanto a Casa Julieta de Serpa (também na Praia do Flamengo), mas tem seu valor. Minha preocupação é com a estabilidade do imóvel, já que há anos há vazamentos e ainda assim permanece parcialmente aberto ao público— lamenta o diretor da Associação de Moradores do Flamengo (Ama-Fla), Flávio Brandão.

Uma restauração completa, anunciada em 2024, não aconteceu — e o imóvel chegou até a ficar de fora dos planos do poder público. No fim de março deste ano, o prefeito Eduardo Cavaliere enviou projeto de lei à Câmara de Vereadores pedindo autorização para negociar o espaço. Voltou atrás, retirando o texto, mas ainda não há prazo nem orçamento para a recuperação do castelo na esquina da Praia do Flamengo com a Rua Dois de Dezembro.

O arquiteto Carlos Abreu, vice-presidente do Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU), visitou recentemente o espaço. A entidade estudava a hipótese de assumir a gestão do prédio, mas desistiu:

— O Castelinho está em muito mau estado. É mais fácil dizer o que não precisa recuperar. O restauro deve ficar em um custo absurdo. A escada de acesso aos andares superiores está inclinada. Só não foi condenada porque tem valor artístico. Tive medo de subir. Há problemas de infiltração no telhado e no terceiro andar, onde ninguém pode subir porque as aves tomaram tudo — descreve Abreu. — O prédio merece ser restaurado, é tombado, testemunha da arquitetura eclética, mas custaria o dobro de uma obra nova.

Atualmente, há atividades apenas no térreo. Fontes do mercado imobiliário acreditam que, se a prefeitura levasse adiante a ideia de se desfazer do prédio, tombado pelo Instituto Rio Patrimônio da Humanidade (IRPH), a chance de o negócio empacar seria grande.

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Em nota, a Secretaria municipal de Cultura informou que em julho do ano passado uma consultoria contratada pela prefeitura concluiu estudo minucioso sobre a edificação, abrangendo ornamentos, vitrais, pisos, colunas e paredes. “A licitação para a execução da obra integral ainda não possui data definida”, diz o texto. Segundo a secretaria, mesmo com circulação limitada ao térreo, 10.510 pessoas passaram pelo local em 2025.

A lenda urbana

A fama de mal-assombrado vem de uma lenda urbana, desmistificada pelo jornalista Élcio Braga, do GLOBO, que produziu um documentário sobre a história do Castelinho. A versão popular dava conta de que Maria de Lourdes, a filha dos proprietários Avelino Fernandes e Rosalina, teria testemunhado a morte dos pais, atropelados por um bonde em frente ao endereço. Desgostosa com esse e outros dissabores, ela teria cometido suicídio na torre da construção e até hoje assombraria o local.

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