Caso Ypê: polêmica movimenta 679 mil posts e gera disputa entre a esquerda e a direita sobre credibilidade da Anvisa

 

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As diretrizes da Anvisa que provocaram a suspensão do uso e da produção dos produtos Ypê provocaram uma disputa sobre a credibilidade da atuação da agência entre a direita e a esquerda nas redes sociais, mostra um levantamento produzido pelo Instituto Democracia em Xeque. O tema movimentou mais de 679 mil menções on-line ao longo dos últimos sete dias, sendo visto pelos bolsonaristas como uma tentativa de boicote do governo à marca. Em resposta, a esquerda atuou para classificar a oposição como "negacionista", mesmo rótulo usado durante a pandemia de covid-19.

O relatório feito pelo instituto mostrou que, dentro do período analisado, o maior pico de menções aconteceu no último sábado, com 174 mil posts sobre o tema. Na mesma data, passaram a ser veiculados posts que colocavam em dúvida a orientação dada pelo órgão.

Do total de mais de 600 mil postagens sobre o assunto, cerca de 32% corresponderam a questionamentos sobre a credibilidade e a legitimidade da Anvisa como instituição regulatória enquanto autarquia vinculada ao Ministério da Saúde. Desses, 67% foram publicados por personalidades da direita, que passaram a desacreditar a atuação da agência; 26%, por nomes da esquerda; e 7%, pela imprensa.

Do lado da direita, as postagens passaram a enquadrar a orientação de suspensão do uso dos produtos como "perseguição política", depois da constatação de que, durante a campanha de 2022, integrantes da família de proprietários da empresa foram doadores da campanha do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Entre os que se manifestaram, o vereador de São Paulo Adrilles Jorge (União) publicou um vídeo contra a determinação da Anvisa. Segundo ele, o "governo petista" do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) "censurou" e "quer destruir" a Ypê. Além dele, o vice-prefeito da capital paulista, Ricardo Mello Araújo (PL-SP), disse que seria preciso "acabar com a sacanagem que estão fazendo com uma empresa 100% brasileira".

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A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) também publicou uma foto nos stories do Instagram usando um detergente da marca. "Que dia lindo", escreveu Michelle na postagem, segurando o item.

Do lado governista, parlamentares defenderam a orientação da agência e passaram a criticar a postura adotada pela oposição. Entre os que se manifestaram, o deputado federal Rogério Correia (PT-MG) escreveu em um post no X que "bolsonarista é tudo negacionista".

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Vimos na época da pandemia e vemos agora com essa história do lote contaminado dos produtos Ypê", também afirmou, acrescentando que enviou uma notícia-crime contra aqueles que têm defendido o uso dos produtos por "espalharem desinformação". "A loucura bolsonarista está politizando, de novo, uma questão de saúde pública, como fizeram na pandemia", também afirmou o deputado federal e ex-ministro da Agricultura Paulo Teixeira (PT-SP).

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