A mãe de uma menina de 4 anos suspeita que um homem desconhecido tenha conseguido ouvir conversas dentro de sua casa antes de ameaçar a filha por meio de um walkie-talkie de brinquedo, em Porto Alegre. Em publicação nas redes sociais, a mulher relatou que o aparelho estava desligado quando começou a emitir sons e que o homem pareceu fazer referência a uma conversa recente entre ela e a criança.
O caso é investigado pela Polícia Civil do Rio Grande do Sul, que instaurou um inquérito, ouviu a mãe e recolheu o equipamento para perícia. Veja também: Condenada por matar fotógrafo no RS é incluída na lista vermelha de procurados da Interpol
“Eu estava perguntando há pouco se a minha filha queria comer massinha, e ele perguntou alguma coisa de massinha. Parecia que ele estava escutando tudo que estava acontecendo aqui dentro”, escreveu a mulher no relato divulgado nas redes sociais.
Em resposta ao GLOBO, o diretor da Divisão Especial da Criança e do Adolescente (Deca), delegado André Mocciaro, confirmou que a investigação foi formalizada e que a mãe já prestou depoimento. Segundo ele, o aparelho foi recolhido e está sendo encaminhado para análise técnica.
— Assim que o fato chegou ao nosso conhecimento, foi instaurado o inquérito policial e está sendo apurado. A delegada Sabrina já ouviu essa mãe, já colheu o depoimento dessa mãe.
O equipamento já foi arrecadado, está sendo encaminhado à perícia, e as investigações estão em curso — afirmou. O episódio ocorreu na noite de 15 de outubro.
Segundo a mãe, a família havia comprado o brinquedo cerca de um mês antes. Desde então, o walkie-talkie já havia emitido vozes em outras ocasiões, mas ela acreditava que fosse uma impressão sua.
Na noite do caso, a mulher estava no sofá com a filha, pintando um desenho, quando ouviu chiados e sons vindos do aparelho, que estava desligado sobre uma mesa. Ela se levantou, pegou um dos rádios e passou a escutar a comunicação.
De acordo com o relato, uma voz masculina perguntou se havia alguém do outro lado. Em seguida, uma criança teria respondido “papai”, antes de o homem se identificar como “Lobo Cinzento”.
Ao questionar quem estava falando, a mãe afirma ter ouvido a resposta: “É o lobo cinzento que vai pegar teu filho”. A mulher relatou que a filha começou a chorar e passou a demonstrar medo depois do episódio.
Ela retirou as pilhas do brinquedo, guardou o equipamento e registrou um boletim de ocorrência em 16 de outubro. O aparelho é o Walkie Talkie Guerreiras do K-Pop, comercializado pela Candide Brinquedos.
De acordo com o manual, o modelo tem alcance aproximado de 500 metros. A distância levantou a preocupação da mãe sobre a possibilidade de a transmissão ter partido de alguém nas proximidades da residência.
O alcance informado, no entanto, não permite determinar de onde veio o sinal. Uma das hipóteses levantadas é que o brinquedo tenha captado a transmissão de outro rádio operando na mesma frequência.
A perícia deverá ajudar a esclarecer como a comunicação ocorreu e se o equipamento recebeu sinais de outro aparelho. Também será necessário verificar a suspeita de que o homem tenha conseguido ouvir conversas realizadas dentro da residência.
O Núcleo de Prevenção à Violência Extrema do Ministério Público do Rio Grande do Sul avaliou que o uso do codinome “Lobo Cinzento” pode ser uma referência a um abusador. A avaliação não comprova, porém, a identidade nem as intenções de quem falou pelo rádio.
O Globo