'Bem-estar é poder ver os filhos irem à escola a pé'

'Bem-estar é poder ver os filhos irem à escola a pé' - Foto
Fonte da notícia: Globo Globo

A Tecnisa e a Enforce (franquia de "real estate" do banco BTG Pactual) anunciaram, em junho, uma parceria sobre o controle societário do Jardim das Perdizes: um bairro planejado de uso misto na Zona Oeste de São Paulo, lançado em 2013, com sete mil moradores, 15 edifícios já entregues e quatro em construção, e um parque público de 45 mil metros quadrados.

O negócio foi oportuno para ambos: equilibrou o caixa da Tecnisa e abriu as portas do mercado paulistano para o banco, com sede no Rio. A nova fase empreendimento prevê nove torres e VGV de R$ 3,6 bilhões.

A ideia dos sócios é agregar mais valor ao endereço, reforçando o foco de bem-estar do projeto. Qual a importância da parceria com o BTG?

Fernando Perez — Foi fundamental. A Tecnisa fez muito sucesso no passado, mas acabou ficando bem alavancada.

A entrada do banco ajudou a resolver grande parte da dívida da empresa, que hoje tem uma situação financeira muito mais saudável. Para o BTG, o que validou o investimento?

Alex de Lemos — Após resultados relevantes alcançados recentemente no Rio com os condomínios Ilha Pura e Symphony, a meta é dar início à nossa estratégia no mercado de São Paulo. Passamos a avaliar grandes ativos que possam fazer parte desse portfólio para reproduzir performance semelhante — e o Jardim das Perdizes tem esse potencial.

Por quê? Lemos — É um bairro já consolidado, com identidade e qualidade reconhecidas pelos paulistanos.

É uma "ilha" de bem-estar, conectada com a cidade, que oferece segurança e serviços e tem uma área verde sem igual em São Paulo. Ali temos promovido eventos "wellness", com grande adesão de moradores e vizinhos.

O conceito dos prédios mudará a partir de agora? Perez — O banco é sócio majoritário e tem poder de decisão.

Mas o que construímos é algo irreplicável: um bairro com restaurantes, infraestrutura, ciclovias, fiação subterrânea e extensa área verde conectando os condomínios. No Ilha Pura, parte dos prédios leva assinatura de marcas de luxo.

Existe essa possibilidade para este empreendimento? Lemos – Sempre existe, talvez por um artista plástico.

Mas não é uma prioridade. O que queremos é potencializar a vocação "wellness" do bairro, a partir não apenas do parque já existente, como também com novos serviços, como um colégio.

Para nós, bem-estar é poder ver da varanda do apartamento seus filhos irem para a escola a pé e com segurança. Isso não tem preço.

O parque Jardim das Perdizes, com 45 mil metros quadrados é o epicentro do bairro Tecnisa/Divulgação

Qual será o primeiro produto da parceria? Perez — O Sequoia, que será lançado em novembro, com duas torres de 384 unidades residenciais de três e quatro dormitórios, de 121 a 175 metros quadrados.

O empreendimento terá áreas dedicadas à saúde e à atividade física, incluindo quadra de tênis oficial, piscinas, spa assessorado pela Chandra Spa Consulting e um Fitness Center, com consultoria da Bodytech. O VGV é de R$ 508 milhões.

Com o caixa equilibrado, qual será a estratégia da Tecnisa no mercado? Perez — Além da expectativa por novas parcerias com o BTG, estamos avaliando oportunidades de investimento em projetos de padrão similar ao do Jardim das Perdizes na cidade.

Outra frente de trabalho é fortalecer a empresa Tencasa, que pertence à Tecnisa e atua no segmento econômico. Estamos buscando terrenos para apresentar a parceiros e viabilizar os projetos.

Vocês pensam em atuar fora de São Paulo novamente? Como muitas empresas do setor, já fizemos essa tentativa no passado e quebramos a cara, por conta de parcerias locais que não deram certo.

Nosso plano agora é focar os nossos esforços na capital e em cidades do entorno. Piscina com vista para o bairro onde ficará o residencial Sequoia: foco no “wellness” para o dia a dia

Tecnisa/Divulgação E quanto à Enforce, algo mais no radar com relação a São Paulo?

Lemos — Temos observado ativos de diversos segmentos, não só na capital, como no interior. Recentemente, adquirimos o controle do complexo do World Trade Center (WTC) em São Paulo, onde ficam o Hotel Sheraton, WTC Golden Hall, uma torre corporativa e o Shopping D&D.

A ideia para o centro de compras é potencializar o endereço, que já goza de prestígio no mercado de decoração, atraindo mais parceiros e novos restaurantes. Mas nosso foco, no momento, está em elevar a geração de desejo pelo Jardim das Perdizes, tornando o morar no bairro uma meta de vida dos paulistanos.

Os times estão muito engajados para conquistar esse resultado. Tem potencial.

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