As interações de Vini Jr. com outras mulheres nas redes sociais voltaram a colocar seu relacionamento com Virginia Fonseca no centro das conversas.
Depois de relatos de uma suposta infidelidade do jogador e da repercussão de uma curtida em fotos de biquíni da melhor amiga da influenciadora, o assunto passou a levantar uma questão que vai além da polêmica entre os dois: por que algumas pessoas parecem buscar constantemente a atenção e o desejo de outras, mesmo quando estão em um relacionamento?
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Amigos de Virginia teriam afirmado que o atleta foi infiel mais de nove vezes durante o namoro. Embora as situações tenham diferentes contextos, a repetição de atitudes que colocam a confiança do casal em xeque abre espaço para discutir o que está por trás desses comportamentos.
Seria uma fantasia sexual, uma busca por validação ou simplesmente uma dificuldade de respeitar os limites estabelecidos a dois? Para o estilista, produtor cultural e idealizador do Projeto Luxúria, Heitor Werneck, é importante não confundir manifestações de desejo com fetiches.
Uma curtida, por si só, não permite identificar uma preferência sexual, mas as redes sociais ampliaram as possibilidades de interação e exposição de imagens que podem despertar interesse. "Curtir uma foto pode ser apenas uma interação social, mas também pode carregar elementos de desejo.
O fetichismo trabalha com estímulos, símbolos e fantasias, e a imagem é um dos principais gatilhos para muitas pessoas. O olhar sempre teve um papel importante na sexualidade humana, e a internet apenas trouxe novas formas de viver essa experiência", explica.
O que o olhar tem a ver com o desejo? O interesse por imagens sensuais pode envolver diferentes formas de manifestação da sexualidade.
Heitor cita o voyeurismo, associado ao prazer em observar outras pessoas, e a escopofilia, conceito relacionado ao prazer proporcionado pelo olhar. "O voyeurismo e a escopofilia existem há muito tempo, mas as redes sociais transformaram a forma como as pessoas observam e são observadas.
Hoje, uma curtida pode fazer parte de uma fantasia, de uma admiração ou simplesmente de uma interação. O importante é entender o contexto e a intenção por trás daquele comportamento", afirma.
O especialista também menciona fantasias como o cuckold e a compersão, que podem envolver o desejo ou o prazer diante de situações relacionadas à atração de terceiros. No entanto, ressalta que não é possível associar automaticamente o interesse por alguém próximo da parceira a essas práticas.
"Quando existe uma atração justamente pelo contexto de aquela pessoa ser próxima da parceira, pode existir um elemento simbólico envolvido. Algumas fantasias trabalham com a ideia do desejo pelo proibido, pela observação ou pela possibilidade imaginária.
Mas é importante não transformar toda curtida em um diagnóstico ou em um fetiche. É preciso analisar a intenção e a forma como isso aparece na vida daquela pessoa", explica.
Traição repetida pode estar ligada à busca por validação? A necessidade de receber atenção também pode ajudar a compreender determinadas atitudes dentro de um relacionamento.
Para a terapeuta Glaucia Santanna, do Espaço Hi, antes de classificar um comportamento como vício ou falta de interesse pelo parceiro, é necessário observar o que ele representa emocionalmente. "Antes de perguntar se existe um vício, talvez seja mais interessante perguntar: o que esse comportamento comunica? Nas relações amorosas, as ações nunca são apenas ações; elas também são mensagens.
Curtir repetidamente fotos de mulheres pode significar muitas coisas: busca por validação, necessidade de alimentar o próprio narcisismo, hábito automático ou até uma forma de manter o desejo circulando. Não existe uma resposta única", avalia.
Nesse contexto, a questão não está necessariamente na interação digital, mas no espaço que ela ocupa na dinâmica do casal. Quando determinada atitude contraria os acordos estabelecidos, provoca insegurança ou faz com que uma das partes se sinta desrespeitada, o assunto deixa de ser apenas uma escolha individual.
"O problema não está necessariamente na curtida em si, mas no significado que ela adquire dentro daquele vínculo. Se esse comportamento fere acordos, desperta insegurança ou faz o outro se sentir desrespeitado, deixa de ser uma questão apenas individual e passa a ser relacional", pondera.
A psiquiatra Jessica Martani também chama atenção para a influência das redes sociais na busca por reconhecimento. Curtidas e comentários podem funcionar como estímulos positivos, mas não são suficientes para determinar a existência de um problema psicológico ou a qualidade dos sentimentos de alguém.
"A busca por validação nas redes sociais é um fenômeno cada vez mais presente. Curtidas, comentários e interações podem funcionar como pequenas doses de reconhecimento e reforço positivo.
Porém, isso não significa automaticamente que exista um problema psicológico ou falta de amor pelo parceiro. É preciso avaliar a frequência, a intenção e o impacto desse comportamento", destaca.
A especialista lembra ainda que sentir atração por outras pessoas não deixa de ser possível quando alguém assume um compromisso amoroso. O que muda é a maneira como cada um lida com esses desejos e considera os limites combinados na relação.
"Também não é correto afirmar que isso seja, por si só, um sinal de desinteresse. Uma pessoa pode amar e, ao mesmo tempo, ter dificuldade de renunciar a certas formas de validação externa.
A pergunta importante é: esse comportamento está sendo sustentado apesar do sofrimento que causa ao parceiro? Se sim, talvez estejamos falando de uma dificuldade em reconhecer os limites que uma relação exige", conclui.
O Globo