Caso Henry: relatos de agressões contra crianças, contradições e bate-boca marcam quarto dia do júri de Jairinho e Monique
O julgamento de Jairo Souza Santos Júnior, o Jairinho, e Monique Medeiros entrou no quarto dia nesta quinta-feira marcado por relatos de supostas agressões atribuídas ao ex-vereador, contradições em depoimentos de testemunhas e novos momentos de tensão no plenário. Até agora, dez das 27 testemunhas previstas já foram ouvidas, e o júri será retomado às 9h desta sexta-feira, no II Tribunal do Júri, no Centro do Rio.
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A sessão começou com atraso após uma jurada passar mal antes do início dos trabalhos. Ela recebeu atendimento médico, e o julgamento foi mantido. Em júris populares, não há suplentes: caso um jurado precise ser afastado definitivamente, a sessão precisa ser anulada e reiniciada.
Confira como foi o quarto dia de julgamento:
Empregada se contradiz e acusação exibe troca de mensagens com Monique
O depoimento da empregada doméstica Leila Rosângela Mattos foi marcado por contradições e embates com a acusação. Funcionária da casa onde Henry morreu, ela pediu para depor sem a presença dos réus, solicitação aceita pela juíza.
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Em plenário, Leila negou ou disse não se lembrar de declarações prestadas anteriormente à polícia. Inicialmente, afirmou que Henry saiu “normal” de um quarto onde havia permanecido sozinho com Jairinho e negou ter visto a criança mancando.
Após insistência da acusação, porém, reconheceu que ouviu a babá questionar Henry sobre dificuldade para andar e mudou parcialmente a versão:
— Ele saiu assustado, não apavorado. A palavra é essa.
A promotoria também exibiu mensagens trocadas entre Leila e Monique após a morte de Henry para contestar a versão da testemunha de que não teria voltado a trabalhar na casa depois do crime.
Cabeleireira relata ligação em que Henry diz que levou ‘banda’
A cabeleireira Tereza Cristina de Souza afirmou ter ouvido Henry, durante uma chamada de vídeo com Monique no salão onde a mãe do menino estava, dizer que o “tio” havia lhe dado uma “banda”.
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Segundo a testemunha, Henry estava “choroso” durante a ligação e perguntou à mãe se ele “a atrapalhava”. Ela afirmou ainda ter visto um vídeo em que o menino aparecia mancando.
De acordo com Tereza, após a chamada, Monique telefonou para um homem que ela deduziu ser Jairinho para reclamar do comentário do filho. Segundo a testemunha, o homem respondeu que demitiria a babá porque ela era “fofoqueira”.
A manicure Paloma Meireles, que também atuava no local, confirmou o relato da cabeleireira e afirmou que Monique estava exaltada durante a ligação.
Filha de ex-namorada relata agressões e diz que Jairinho a levava para motel
Uma das testemunhas ouvidas foi Kaylane Pereira, filha de uma ex-namorada de Jairinho. Hoje maior de idade, ela relatou episódios de agressões que afirma ter sofrido quando era criança.
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Segundo Kaylane, Jairinho a buscava em casa dizendo que a levaria para restaurantes, mas os encontros aconteciam em um lugar que hoje acredita ser um motel. Ela afirmou que sofria agressões físicas nesses encontros e que chegou a usar gesso após uma lesão no braço.
A jovem contou ainda que não relatava as agressões à mãe porque era ameaçada emocionalmente pelo então padrasto:
— Ele falava que, se eu contasse para minha mãe, ela ia ficar muito triste.
Outra ex-namorada relata violência de Jairinho contra o filho
Quem também testemunhou foi Déborah Mello Saraiva, ex-namorada de Jairinho e mãe de Enzo, menino que também teria sofrido agressões quando tinha entre 2 e 3 anos.
Segundo ela, o filho revelou anos depois que Jairinho teria colocado pano e papel em sua boca enquanto pisava em sua barriga. Déborah afirmou ainda que estava desacordada em outro cômodo porque teria sido dopada pelo então companheiro no mesmo dia em que, segundo ela, foi estuprada.
Ela também relembrou um episódio em que Enzo sofreu uma fratura no fêmur após sair sozinho com o ex-vereador:
— Quando fizemos o raio-x, ele estava com a perna quebrada — contou.
Após infarto, advogado de Jairinho volta a compor a banca
O advogado Fabiano Tadeu Lopes retornou ao tribunal poucos dias após sofrer um infarto enquanto preparava a defesa de Jairinho. Na chegada ao fórum, voltou a atribuir o problema de saúde ao uso prolongado de anabolizantes e defendeu novamente o adiamento do júri.
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Fabiano também criticou o fato de os jurados já terem participado de outros julgamentos conduzidos pelos promotores do caso:
— Os jurados que estão aqui não são mais isentos, os jurados que estão aqui já tiveram contato com o promotor de justiça.
Sessã interrompida após suspeita de leitura das anotações dos jurados
O julgamento também teve um momento de tensão após a juíza Elizabeth Machado Louro interromper a sessão ao suspeitar que uma advogada observava as anotações feitas pelos jurados.
A magistrada advertiu a mulher e afirmou que a retiraria do plenário caso a situação se repetisse. A advogada deixou o tribunal após o episódio.
Do lado de fora, ela negou irregularidade e afirmou ter sido “humilhada exageradamente” pela juíza.
Henry Borel morreu aos 4 anos, em 8 de março de 2021, no apartamento onde vivia com a mãe e o então padrasto, na Barra da Tijuca. Segundo o Ministério Público, o menino foi vítima de uma sequência de agressões dentro de casa. Jairinho e Monique respondem por homicídio triplamente qualificado, tortura, coação de testemunha e fraude processual. Os dois negam participação no crime.
