Caso Gisele: CNJ investiga desembargador por possível violação do Código de Ética
A Corregedoria do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), em Brasília, abriu uma investigação para apurar se o desembargador Marco Antônio Pinheiro Machado Cogan, do Tribunal de Justiça de São Paulo, violou o Código de Ética da Magistratura.
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Familiares de PM morta por tenente-coronel fazem abaixo-assinado pela expulsão do oficial da PM
O procedimento é referente à visita dele ao apartamento onde a soldado Gisele Alves Santana foi encontrada morta com um tiro na cabeça no Brás, região central de São Paulo, no imóvel onde ela vivia com o marido, réu preso por feminicídio e fraude processual no mesmo caso.
Cogan esteve e falou com o tenente-coronel Geraldo Neto, o marido de Gisele, no apartamento a pedido do próprio oficial da PM logo depois do crime.
O magistrado alegou que foi até o local como amigo do comandante e não na função de desembargador.
O CNJ abriu a investigação após ter sido acionado pela deputada federal Sâmia Bomfim, do PSOL. Ela alegou que o Código de Ética da Magistratura exige imparcialidade e comportamento digno, mesmo na vida privada.
A CBN pediu um posicionamento ao Tribunal de Justiça de São Paulo. O TJ no entanto, disse que não se posiciona sobre questões que tramitam ou possam vir a tramitar em outros órgãos, no caso o CNJ.
Familiares e amigos de Gisele pedem demissão de tenente-coronel
PM Gisele Santana e o marido, o tenente-coronel Geraldo Neto
Reprodução/Redes Sociais
Familiares e amigos da PM Gisele Alves Santana promovem um abaixo-assinado pedindo a demissão do tenente-coronel. Apesar da prisão na semana passada, o oficial permanece recebendo o salário de mais de R$ 30 mil.
O documento começou a ser compartilhado nas redes sociais com as hashtags "JustiçaPorGisele" e "ExoneraçãoJá".
Geraldo Neto chegou a ser investigado pela corregedoria da polícia por assédio moral contra pelo menos quatro policiais mulheres em 2022, quando comandava outra unidade. Ele também teria usado transferências como forma de retaliação às vítimas.
Questionada pela CBN, a Polícia Militar não respondeu se há algum procedimento disciplinar aberto que possa levar à expulsão do tenente-coronel da corporação.
Na terça-feira (24), o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, se posicionou pela primeira vez sobre o caso. Ele afirmou que o estado tem intensificado ações para combater a violência doméstica e destacou a prisão de cerca de 1.300 pessoas por descumprimento de medidas protetivas.
O tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto está preso no presídio militar Romão Gomes na Zona Norte de São Paulo.
