NYT: Israel tenta destruir indústria militar do Irã em 48 horas por temor de Trump encerrar guerra repentinamente
De acordo com o jornal norte-americano The New York Times, Israel está em uma ofensiva para destruir a indústria militar do Irã em até 48 horas. A estratégia ocorre diante do receio de que Donald Trump, em meio às negociações e sob pressão pelos preços do petróleo, decida encerrar a guerra de forma repentina.
De acordo com relatório, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu orientou, na terça-feira, as Forças Armadas a eliminar o máximo possível da capacidade industrial iraniana nas próximas 48 horas.
Netanyahu e líderes da segurança israelense avaliam que o plano de 15 pontos proposto por Trump não assegura a neutralização das ameaças nuclear e de mísseis balísticos do Irã.
Uma autoridade israelense a par do tema confirmou posteriormente as informações ao The Times of Israel, mas mostrou descrença quanto à chance de o Irã concordar com os termos propostos. Segundo ele, Washington também comunicou Jerusalém antecipadamente sobre as tratativas com Teerã para encerrar as hostilidades, iniciadas no domingo, sem detalhar o intervalo dessa comunicação.
Irã rejeita cessar-fogo de Trump chamando negociações com os EUA de 'ilógicas'
O Irã afirma que se recusa a aceitar o cessar-fogo na guerra do Oriente Médio com os Estados Unidos e também considerou 'ilógicas' as tentativas de negociações com partes que 'violaram acordos'.
As afirmações são de uma alta autoridade do governo iraniano para a agência de notícias estatal Fars, sendo noticiada pela Bloomberg.
"Uma fonte bem informada, falando à agência de notícias Fars, apontou para o fracasso do lado oposto em atingir seus objetivos, afirmando: 'O Irã não aceita um cessar-fogo. Fundamentalmente, entrar em um processo desse tipo com aqueles que violaram os acordos não é lógico'", citou o veículo.
Ao mesmo tempo, a Press TV, televisão estatal iraniana, citando um alto funcionário, o Irã defende que 'encerrará a guerra quando decidir fazê-lo e quando suas próprias condições forem atendidas'.
'As operações defensivas do Irã continuarão até que suas condições sejam atendidas' disse o oficial, descrevendo a proposta dos EUA como 'excessiva'.
O representante oficial apresentou as exigências iranianas em uma contraproposta, incluindo: a suspensão de ataques e assassinatos, garantias contra futuros conflitos, pagamento de indenizações de guerra, fim dos combates em todas as frentes envolvendo grupos aliados e reconhecimento da autoridade do Irã sobre o Estreito de Ormuz.
A agência de notícias Reuters, citando uma fonte sênior iraniana, disse que a resposta inicial do Irã à proposta dos EUA 'não é positiva', mas Teerã ainda está analisando.
Mais cedo, o Irã disse nesta quarta-feira (25) que não negocia e nem negociará com os Estados Unidos porque não é possível confiar na diplomacia americana. A afirmação é do porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, primeira grande autoridade do governo iraniano a comentar abertamente sobre o tema.
Ele rejeitou os esforços de mediação, citando a traição à diplomacia quando o Irã foi atacado duas vezes durante negociações nucleares anteriores, antes do início do conflito.
Baghaei disse que o Irã não pode confiar na diplomacia americana e que as forças armadas iranianas estão focadas na defesa do território do país. Ele reconheceu que vários países, incluindo o Paquistão, ofereceram mediação, mas enfatizou que o Irã está sob bombardeio constante.
'Temos uma experiência catastrófica com a diplomacia americana. Fomos atacados duas vezes em um intervalo de nove meses, enquanto estávamos em meio a um processo de negociação para resolver a questão nuclear. Isso foi uma traição à diplomacia – uma expressão agora amplamente usada no Irã – e aconteceu não uma, mas duas vezes. Ninguém pode confiar na diplomacia americana. Nossas bravas forças armadas estão atualmente focadas em defender o território e a soberania do Irã contra esta guerra brutal e ilegal', declarou.
O porta-voz ainda declarou que os ataques militares americanos partiram de bases em países do Golfo Pérsico e que o Irã está exercendo seu direito à autodefesa, conforme o Artigo 51 da Carta da ONU.
Na entrevista, ele também explica que o ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, é o responsável pela diplomacia externa do Irã.
'O Presidente do Parlamento, Sr. Ghalibaf, é um político de alto escalão que atua dentro dos mandatos e atribuições conferidos pela Constituição. A divisão de trabalho entre nossas autoridades é clara e transparente. No momento, estamos 100% focados em defender a soberania e o território do Irã contra esses ataques brutais'.
Presidente do Parlamento iraniano ameaça EUA após reforço de tropas: 'não testem nossa determinação'
O presidente do parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, alertou nesta quarta-feira (25) os Estados Unidos sobre a movimentação e novo deslocamento de tropas na região do Oriente Médio. Ghalibaf é relatado pela imprensa internacional como a autoridade do governo do Irã que estaria negociando com os EUA.
Em publicação nas redes sociais, ele disse que estão 'monitorando de perto todos os movimentos dos EUA'.
'Não testem nossa determinação em defender nossa terra', continua.
Ele acrescentou que as forças americanas poderiam 'ser vítimas' do que descreveu como as ações do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu.
O alerta surge num momento em que os Estados Unidos enviam milhares de fuzileiros navais e navios de guerra adicionais para a região, mesmo enquanto as autoridades procuram possíveis negociações para pôr fim à guerra com o Irã.
Cerca de três mil soldados devem chegar nos próximos dias a região do Oriente Médio, além de novos navios de guerra, reforçando a incursão e participação americana na região.
