Casemiro: a volta por cima do volante, que saiu de cenário e retornou como peça central com Ancelotti na seleção
A seleção faz hoje, às 21h (de Brasília), contra a Croácia, seu último amistoso antes da convocação final de Carlo Ancelotti para a Copa. E o sentimento é o mesmo de quando o italiano assumiu o comando: a necessidade de dar a volta por cima. Em meio à pressão externa após a derrota para a França, ao menos a inspiração para superar as consequências de um ciclo marcado pela falta de planejamento os jogadores sabem onde buscar: em Casemiro.
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O que o Brasil de Ancelotti deseja encontrar é justamente o que o volante de 34 anos fez neste ciclo. Saiu daquele que talvez tenha sido o ponto mais baixo de sua carreira — dado como ultrapassado no Manchester United e afastado da Amarelinha — para chegar à Copa como alicerce da seleção.
Casemiro em amistoso contra a França, nos Estados Unidos.
Franck FIFE / AFP
Fazendo jus ao status de homem de confiança, Casemiro é o jogador que mais atuou na era Ancelotti. Soma 698 minutos em campo desde que o italiano assumiu o cargo (seguido por Bruno Guimarães, fora desta data Fifa por lesão, com 685; e Vini Jr., com 603). Uma guinada e tanto para quem ficou um ano e meio sem ser convocado.
Este afastamento da seleção ocorreu durante a passagem de Dorival Junior, entre 2024 e 2025, e justamente quando ele vivia fase difícil no United. Casemiro foi um dos mais afetados pela crise do clube inglês. Prejudicado por lesões, ainda se viu exposto pelos problemas dos esquemas táticos de Erik Ten Hag e, posteriormente, de Ruben Amorim.
Hoje, no United, isso virou passado. Casemiro recuperou espaço ainda durante a passagem de Amorim, quando foi uma das lideranças na campanha que levou o time à final da Liga Europa 2024/25. E se encaixou bem no esquema do atual técnico Michael Carrick. Não à toa, faz uma de suas temporadas mais artilheiras, com sete gols.
Casemiro, no amistoso internacional com a França, nos Estados Unidos
Maddie Meyer/Getty Images/AFP
A volta de Casemiro à seleção reflete também a dificuldade do Brasil em encontrar um sucessor para a posição de primeiro volante. Nomes promissores vestiram a camisa amarelinha, mas não deram o equilíbrio esperado ao setor, caso dos volantes do Wolverhampton-ING, João Gomes e André.
Busca por sucessor
O primeiro, revelado pelo Flamengo, tinha a capacidade defensiva necessária para a posição, mas ficava aquém quando era preciso capricho na saída de bola para criar espaços no time adversário. Já o segundo, cria da base do Fluminense, tinha na saída de bola seu ponto forte, mas não conseguiu dar à seleção o equilíbrio defensivo ideal.
Pablo Maia, do São Paulo, também foi testado na posição, enquanto Andrey Santos, que atuou no lugar de Bruno Guimarães na derrota para a França por 2 a 1, chegou a jogar como primeiro volante contra a Bolívia, mas teve atuação discreta.
No período sem Casemiro, o Brasil disputou 18 jogos (dois com Diniz e 16 com Dorival) e sofreu 24 gols. Uma média de 1,33 gol/jogo. Desde seu retorno, foram oito partidas, com seis gols sofridos, uma média de 0,75 gol/jogo.
A confiança de Ancelotti em Casemiro em meio à dificuldade das novas gerações em se firmar fez o volante, inclusive, sugerir seu reserva: Fabinho, do Al-Ittihad-SAU. O volante esteve na lista em outubro e voltou a ser convocado nesta data Fifa.
— Quero encontrar um perfil que possa se encaixar nas características de Casemiro. Temos meio-campistas muito bons, mas com perfis defensivos diferentes do Casemiro. Fabinho tem estrutura, conhecimento da posição e experiência. É um jogador que está jogando e que já jogou em um nível muito alto na Europa — explicou o treinador — disse Ancelotti, ao convocar Fabinho pela primeira vez.
Bebeto e Edmilson conversam com Casemiro
Rafael Ribeiro/ CBF
Quando Ancelotti convocou Casemiro pela primeira vez, não houve surpresa. Os dois já eram próximos desde os tempos de Real Madrid. Antes mesmo de assinar com a CBF, o italiano já conversava com o jogador para se inteirar sobre o momento da seleção e do futebol brasileiro. Mas o tempo mostrou que este retorno era muito mais do que amizade.
Casemiro deu a proteção que vinha faltando à zaga. Nos oito jogos em que atuou desde seu retorno, a seleção foi vazada seis vezes. Antes, o Brasil vinha de dez gols sofridos em oito partidas.
— Acho que a seleção precisa desse tipo de jogador. Que tem carisma, personalidade, talento. Como eu disse, o Brasil sempre teve muito talento. No futebol moderno, é preciso acrescentar atitude, compromisso, sacrifício. E isso o Casemiro tem — disse Ancelotti ao falar da volta do camisa 5, em sua primeira convocação, no ano passado.
O desafio do técnico agora é evitar a dependência da seleção em relação ao volante. Tanto para a Copa quanto para o próximo ciclo, já que, aos 34 anos, o jogador deve disputar seu último Mundial.
Hoje, Casemiro terá um novo companheiro no meio: Danilo, que entrou bem contra a França. As outras novidades são o retorno de Marquinhos, poupado na semana passada; Ibañez improvisado na lateral direita e as presenças de Luiz Henrique e de João Pedro na frente.
— Casemiro é referência. Desde a primeira convocação, já falava comigo, dava uns toques. Agora estou podendo aprender mais com ele, de movimentação, passe para a frente. Estou muito feliz de trabalhar com ele de novo — disse o meia Danilo, do Botafogo, em coletiva de imprensa no domingo.
