Casa em Araras se fragmenta em três módulos sobre terreno estreito e íngreme
Foi o desejo dos proprietários por uma casa essencialmente linear que orientou esse projeto feito para uma família em um condomínio de Araras, distrito de Petrópolis, na região serrana do Rio. As arquitetas Carolina Escada e Patrícia Landau, sócias da Escala, se debruçaram em soluções para juntar o pedido ao desafio de construir em um terreno estreito e íngreme. O resultado é uma residência de 1.300 metros quadrados fragmentada em módulos, transmitindo uma estética de bangalôs charmosos e independentes. “São três edificações que se conectam por amplos corredores”, explica Patricia.
A primeira “parte” abriga sala de TV, cozinha e área de serviço, enquanto a segunda reúne os espaços de convivência, com salas de estar e jantar integradas à varanda, e a terceira concentra a ala íntima, formada por seis suítes.
Todas as etapas do processo contaram com a participação ativa da família — a engenheira Simone Rodrigues e o economista Iran Coelho, junto com a filha arquiteta, Isabela Coelho, passaram a sonhar com a casa de campo durante a pandemia. “Do pontapé inicial ao último prego, foram quatro anos funcionando superbem com a Escala projetando, Isabela detalhando e eu construindo, tudo a oito mãos”, conta Simone: “Minha relação com Carol e Pati começou uns 15 anos atrás, com parceria em obras. Virou amizade”
O declive do terreno permitiu a criação de um nível inferior dedicado ao lazer e ao bem-estar, onde se distribuem sala com bar, academia, sauna, ofurô e uma capela. O ambiente, assim como praticamente todos os outros, se relaciona com a área externa marcada pela piscina de desenho orgânico, borda infinita e posicionada como um mirante para a paisagem. “Me apaixonei pela piscina de um hotel em Trancoso, na Bahia, e não sosseguei até encontrar o mesmo revestimento: era um seixo de rio, pedras naturais de tonalidades azul e verde coladas em uma tela”, conta Simone. “Aquelas coisas de obra: no processo, me dei conta de que a quantidade serviria para cobrir apenas metade da área e corri atrás para conseguir mais”.
Para garantir leveza e luz natural em abundância, a arquitetura da casa privilegia grandes vãos livres e amplas janelas. “Também optamos pelo uso predominante de materiais naturais, como madeira e pedra, que diluem os limites entre interior e exterior, deixando essa atmosfera acolhedora”, pontua Carolina.
A paleta com base mais neutra acentua tons terrosos de verde, mostarda e terracota. Entre o mobiliário, a identidade brasileira se destaca na curadoria que mescla peças assinadas por nomes consagrados do design — Bernardo Figueiredo, Jorge Zalszupin, Jean Gillon e Aristeu Pires. Para completar, há ainda itens de demolição e garimpos trazidos de viagens. “Os tapetes, por exemplo, compramos na Jordânia, Israel, Egito e Índia ao longo de anos”, conta a engenheira: “Uma casa tão nova e já repleta de história e vida”.
