O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, admitiu que a guerra contra o Irã pode ter contribuído para a derrota dos republicanos nas eleições de meio de mandato, realizadas nesta terça-feira. A votação foi marcada por uma onda de vitórias democratas, que garantiu à oposição o controle da Câmara dos Representantes e do Senado.
A avaliação do presidente foi posteriormente reforçada pelo vice-presidente JD Vance, enquanto o líder supremo iraniano, aiatolá Mojtaba Khamenei, afirmou que a mudança no equilíbrio político em Washington não será suficiente para alterar a postura americana em relação a Teerã. Americanos vão às urnas: Acompanhe em tempo real os resultados das eleições de meio de mandato nos EUA
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Em entrevista à Fox News, ainda durante a apuração dos votos, Trump reconheceu o possível desgaste provocado pelo conflito, mas defendeu a ofensiva militar americana, argumentando que ela foi necessária para impedir que o Irã desenvolvesse armas nucleares. — Acho que parte disso se deve ao Irã, mas, ao mesmo tempo, as pessoas entenderam a importância do que eu fiz com o Irã — afirmou o republicano.
A derrota representa um revés para Trump, que terá de enfrentar um Congresso controlado pela oposição nos dois últimos anos de seu segundo mandato. Com maiorias nas duas Casas, os democratas poderão bloquear propostas do governo, ampliar a fiscalização sobre o Executivo e abrir investigações sobre a administração republicana.
A guerra no Irã, iniciada em fevereiro, tornou-se um dos principais pontos de desgaste do governo, em meio à alta dos preços dos combustíveis e às preocupações com o custo de vida. Aiatolá não se anima com derrota de Trump
A repercussão do resultado chegou a Teerã. Nesta quarta-feira, o líder supremo iraniano, Mojtaba Khamenei, afirmou que a vitória democrata não deve ser interpretada como sinal de uma mudança na política externa dos Estados Unidos.
Em mensagem escrita, ele sustentou que a hostilidade americana contra seu país independe de qual partido esteja no poder. — Quem tem a menor esperança de que mudanças partidárias e de facções possam resultar em uma abordagem diferente, ou imagina que, fazendo concessões aos EUA, pode levá-los a abandonar a hostilidade contra o Irã, está seriamente enganado — afirmou Khamenei.
Críticas internacionais: Pesquisa mostra erosão da imagem global de Donald Trump e queda da confiança nos EUA O aiatolá também advertiu que novas agressões americanas poderiam provocar uma ampliação do conflito.
Khamenei não aparece em público desde o início da guerra. Já o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Baqer Qalibaf, interpretou o resultado das urnas como uma rejeição dos eleitores americanos à ofensiva militar, afirmando que o país votou "não à guerra".
Horas depois das declarações de Trump, o vice-presidente JD Vance seguiu a mesma linha ao atribuir à guerra no Irã a derrota republicana. Em publicação na rede social X, Vance foi mais enfático que o presidente ao responsabilizar diretamente o conflito pelo resultado eleitoral.
— A razão pela qual perdemos foi a guerra. O próprio presidente disse isso ontem à noite — escreveu Vance.
Com cortes e agenda ideológica: Trump desmantela a ciência nos EUA e ameaça liderança estratégica do país O vice-presidente também afirmou que os defensores da ofensiva militar deveriam reconhecer seu custo político para o Partido Republicano.
— Se quiser argumentar que valeu a pena, que perder o Senado pelos próximos seis anos valeu a pena, então faça isso. Argumente que foi um preço que valeu a pena pagar — acrescentou.
A avaliação dos dois principais integrantes do governo americano evidencia o peso que a guerra passou a ter no debate político doméstico após a vitória democrata. Embora Trump continue defendendo a ofensiva contra Teerã, o resultado das urnas amplia a pressão sobre a Casa Branca e dá à oposição maior capacidade de questionar a condução do conflito.
O Globo