Carros no Brasil estão menos coloridos? Entenda por que os tons neutros ganharam espaço

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Fonte da notícia: Folha de Pernambuco Folha de Pernambuco

Existe uma imagem clássica no universo automotivo: um esportivo vermelho cruzando a estrada e chamando atenção pelo visual. A associação entre vermelho, velocidade e paixão ajudou a transformar tonalidades como o chamado “vermelho Ferrari” em símbolos da indústria.

Mas basta olhar para as ruas brasileiras para perceber uma mudança. Branco, preto, cinza e prata aparecem com frequência cada vez maior, enquanto as cores vibrantes ocupam um espaço mais restrito.

O vermelho não desapareceu, mas deixou de estar entre as principais escolhas dos consumidores.

Dados do Webmotors Autoinsights mostram que o preto liderou as buscas por carros zero-quilômetro em 2025, com 28,01%, seguido por cinza (23,32%) e branco (20,83%). O vermelho representou 5,57%.

Entre os veículos usados, a preferência também ficou concentrada nos tons neutros. Branco, preto, prata e cinza tiveram as maiores participações, enquanto o vermelho respondeu por 7,14% das buscas.

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Escolha A mudança não está relacionada apenas à aparência. A escolha da cor também pode envolver questões práticas, como a facilidade de disfarçar poeira, pequenas marcas e sinais de desgaste.

Para Maykon Cordeiro, especialista em pintura automotiva industrial, a definição das cores resulta de uma combinação entre comportamento do consumidor, tecnologia e eficiência produtiva.

“A indústria acompanha o comportamento do mercado, mas também precisa considerar fatores técnicos, como qualidade do acabamento, controle do processo de pintura, disponibilidade de materiais e eficiência produtiva”, explica.

Apesar da percepção de que algumas cores seriam mais fáceis de manter, a durabilidade da pintura depende principalmente da tecnologia dos pigmentos, da qualidade do verniz e do controle do processo industrial.

Tecnologia Os tons neutros também passaram por mudanças. Cinza, preto e branco deixaram de representar apenas escolhas básicas e ganharam diferentes pigmentos, efeitos metálicos e acabamentos.

“Quando falamos em cinza, preto ou branco, não estamos falando de uma única cor. Existem diferentes pigmentos e acabamentos que mudam completamente a aparência do veículo”, afirma Cordeiro.

O cinza é um exemplo dessa transformação. A cor ganhou espaço em SUVs e modelos de maior valor agregado e passou a ser associada também a sofisticação, modernidade e tecnologia.

Símbolo Mesmo com o avanço dos tons neutros, o vermelho continua tendo forte apelo no mercado automotivo. A cor permanece ligada à esportividade, ao desempenho e à personalidade, especialmente em modelos de proposta mais emocional.

Para Maykon Cordeiro, a mudança não significa que o consumidor tenha deixado de buscar personalidade no carro. O que mudou foi a forma como essa escolha é feita.

“A cor continua sendo uma forma de expressão, mas hoje o consumidor também considera fatores como praticidade, durabilidade, tecnologia e até a percepção de valor do veículo. Por isso, os tons neutros conseguem atender a diferentes perfis sem deixar de oferecer variedade por meio dos pigmentos e acabamentos”, explica.

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