Caos e pânico em Teerã: Bombardeios de EUA e Israel provocam clima de tensão na capital iraniana
O início da semana de trabalho no Irã foi marcado por cenas de pânico na manhã de sábado, quando bombardeios dos Estados Unidos e de Israel atingiram Teerã e levaram moradores às ruas às pressas. Pais correram para escolas minutos após deixarem os filhos nas salas de aula, enquanto explosões sacudiam diferentes áreas da capital.
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O caos e a incerteza se instalaram à medida que detonações atingiam a cidade densamente povoada, segundo relatos de testemunhas ouvidas pelo The New York Times.
Ali, um empresário de Teerã, contou por mensagem de texto que estava no escritório com diversos funcionários quando ouviram duas explosões, seguidas pelo sobrevoo de caças. Segundo ele, empregados saíram correndo e gritando do prédio. Ele, assim como outros moradores, pediu para não ter o nome completo divulgado por temer pela própria segurança.
No bairro arborizado e de alto padrão de Mirdamad, o morador Hamidreza Zand relatou ter visto ao menos dez caças sobrevoando a região enquanto pessoas corriam para as ruas e alguns motoristas abandonavam carros em meio ao trânsito congestionado. Ao fundo, sirenes de ambulâncias ecoavam enquanto outros residentes tentavam buscar seus filhos nas escolas.
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“Corri para a escola para buscar minha filha no ensino fundamental. As meninas estavam escondidas debaixo da escada e chorando”, disse Ali Zeinalipoor, contatado por um repórter por meio da rede social Clubhouse. “A diretora não sabia o que tinha acontecido — todos estavam com muito medo.”
Do telhado de seu apartamento no bairro de Velenjak, no norte de Teerã, Golshan Fathi afirmou ter visto uma segunda leva de aviões de combate.
“As pessoas estão no telhado olhando para o céu e apontando para baixo. É possível ouvir mulheres gritando. Alguns dos meus vizinhos estão correndo para seus carros”, disse. “Parece que estamos em um filme.”
Na região de Pasdaran, onde fica um grande complexo da Guarda Revolucionária iraniana, moradores relataram múltiplas explosões que chegaram a estremecer janelas.
“Meus filhos estão chorando e assustados, estamos todos encolhidos no banheiro, não sabemos o que fazer. Isso é aterrorizante”, escreveu por mensagem Esfandiar, engenheiro que vive na área.
À medida que surgiam relatos de explosões em outras cidades do país, as comunicações começaram a falhar. Uma moradora chamada Mahsa disse que deixava Pasdaran sem conseguir avisar familiares para onde estava indo.
Quando Israel lançou ataques surpresa contra o Irã em junho passado, os alvos foram principalmente instalações militares e nucleares, além de operações em Teerã que resultaram na morte de integrantes do alto comando militar. Já os bombardeios deste sábado pareceram muito mais amplos, incluindo alvos políticos como o Ministério da Inteligência, o Judiciário e o complexo fechado de Pasteur, onde normalmente residem o presidente e o líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei, segundo moradores e veículos locais.
Os ataques ocorrem em um momento delicado para o país, cujo governo promoveu no mês passado uma repressão violenta para conter protestos nacionais que exigiam o fim do regime clerical.
Nem todos os iranianos, porém, reagiram com indignação às colunas de fumaça que se erguiam após as explosões. Arian, morador do distrito de Ekteban, a oeste da capital, afirmou que alguns parentes comemoraram os bombardeios. Segundo ele, era possível ouvir pessoas do lado de fora do prédio gritando “Vida longa ao xá”, em referência ao monarca deposto na revolução de 1979 que levou a República Islâmica ao poder.
Enquanto aviões de guerra lançavam ataques pelo país, o presidente Donald Trump divulgou um vídeo dirigido aos iranianos afirmando que “a hora da sua liberdade está próxima” e pedindo que se levantassem contra o governo assim que os bombardeios cessassem.
Alguns iranianos ironizaram o apelo.
“A única coisa em que estamos pensando agora é em chegar a um lugar seguro”, afirmou Laleh, advogada e mãe de dois filhos, em entrevista por telefone. “Ninguém está pensando em protestar neste momento.”
