Um anúncio patrocinado aparecia antes mesmo que os pais de Gathin T. conseguissem abrir a Netflix. Incomodado, o desenvolvedor informou ao Claude Code o modelo da televisão, permitiu que a inteligência artificial encontrasse o aparelho pela rede Wi-Fi e pediu que ela limpasse o sistema. O agente desativou 25 pacotes instalados pela Xiaomi e criou uma nova tela inicial, com apenas os aplicativos escolhidos pela família. A interface carregada de recomendações e publicidade deu lugar a um menu que lembra o da Apple TV. Gathin publicou o resultado no X em 17 de outubro e transformou a experiência no CleanYourTV, projeto de código aberto que orienta agentes de IA a retirar programas pré-instalados, serviços de telemetria e conteúdo patrocinado de televisores com Android TV ou Google TV. A iniciativa ganhou repercussão depois que o TechCrunch mostrou como usuários estão empregando ferramentas de programação com IA para devolver às smart TVs uma função mais próxima da televisão tradicional: abrir aplicativos e entradas HDMI sem anúncios, recomendações ou coleta constante de informações sobre o que está sendo assistido. IA descobre o que pode ser retirado O CleanYourTV não é um aplicativo convencional. O usuário precisa de um computador conectado à mesma rede Wi-Fi da televisão e de um agente de programação com acesso ao terminal. A documentação cita Claude Code, Codex e Gemini CLI entre as ferramentas capazes de executar o processo. Depois que o modo de desenvolvedor da TV é ativado, o agente se conecta ao aparelho por meio do Android Debug Bridge, ou ADB, ferramenta usada por desenvolvedores para enviar comandos a dispositivos Android. O usuário informa o modelo da televisão e responde quais aplicativos, recursos e serviços deseja preservar. O procedimento documentado pelo projeto começa com uma cópia da lista de pacotes instalados e das configurações do aparelho. A IA identifica os componentes usados pela fabricante para exibir publicidade, enviar dados de uso, alimentar fileiras de recomendações e manter programas pré-instalados. Antes de alterar o sistema, o agente deve apresentar a lista ao usuário e pedir autorização. Os pacotes selecionados são desativados, mas não apagados. Em seguida, o projeto instala um lançador de aproximadamente 370 KB e o transforma na nova tela inicial da televisão. A interface mantém quatro aplicativos principais em uma barra e exibe os demais em uma grade. Também oferece atalhos para entradas HDMI, TV ao vivo, rede e configurações, sem vídeos automáticos, fileiras patrocinadas ou recomendações produzidas pela fabricante. Segundo a documentação, o processo leva cerca de 15 minutos quando o agente recebe o repositório como contexto. O projeto reúne listas preparadas por colaboradores para 92 modelos de 31 marcas, entre elas Sony, TCL, Xiaomi, Philips, Hisense e Panasonic, além de aparelhos Chromecast, Nvidia Shield e Fire TV. O suporte, porém, não é uniforme. O CleanYourTV foi desenvolvido para Android TV e Google TV. Aparelhos da Samsung usam o sistema Tizen, e os da LG funcionam com webOS. Há adaptações criadas pela comunidade para outras plataformas, mas elas não fazem parte do projeto principal. O Fire TV permite a remoção de parte dos componentes, mas não entrega o controle da tela inicial a um lançador externo. Alguns modelos da TCL vendidos na China também impedem a instalação da nova interface. Usuários levaram a ideia além da limpeza original. Os exemplos publicados no site do CleanYourTV incluem telas inspiradas no PlayStation 5 e no Nintendo Wii, painéis com preço do bitcoin, papéis de parede com fotografias da família e interfaces simplificadas para pessoas que tinham dificuldade para encontrar aplicativos ou trocar a entrada HDMI. Mexer no sistema pode desativar funções da TV A proposta não exige acesso root, não instala um novo sistema operacional e não modifica o firmware. Como os pacotes são apenas desativados, o CleanYourTV mantém um registro do estado anterior da televisão e inclui um comando para restaurar os componentes e a tela inicial da fabricante. Isso não elimina os riscos. A própria documentação alerta que a desativação de um pacote usado pelo sistema pode interromper funções importantes. Em determinadas versões do Google TV, retirar componentes na ordem errada pode levar a tela inicial a abrir um aplicativo de testes da fábrica ou fazer o sistema entrar em uma sequência de falhas e reinicializações. A TechCrunch encontrou relatos de usuários que tiveram resultados diferentes com esse tipo de intervenção. Alguns conseguiram remover anúncios e acelerar a interface; outros viram o agente recusar comandos vagos, ficaram presos no meio do processo ou afirmaram ter inutilizado temporariamente a televisão. O projeto recomenda aplicar as alterações em pequenos grupos e manter o comando de restauração preparado. As listas criadas para cada modelo também precisam ser verificadas individualmente, porque componentes dispensáveis em uma televisão podem ser essenciais em outra. As adaptações reunidas no SHOWCASE do CleanYourTV não são revisadas nem mantidas pelo responsável pelo projeto principal. A documentação orienta o usuário a conferir em qual aparelho cada versão foi testada e tratá-la como qualquer aplicativo instalado fora da loja oficial. A conexão pelo ADB também abre uma frente de segurança. Na política publicada pelo projeto, o desenvolvedor reconhece que uma falha nas ferramentas pode alcançar aparelhos dentro das casas dos usuários. Quando a depuração pela rede está ativa, outros computadores conectados ao mesmo Wi-Fi podem pedir acesso à televisão. Algumas versões mais antigas do sistema chegam a permitir comandos sem autenticação adequada. Por isso, a recomendação é desligar a depuração, revogar as autorizações concedidas e reiniciar o aparelho assim que a instalação terminar. O CleanYourTV também não elimina toda publicidade. Um servidor privado de DNS pode bloquear domínios usados por anunciantes e rastreadores, mas passa a enxergar as consultas feitas pela televisão e pode impedir o funcionamento de alguns aplicativos. Anúncios do YouTube continuam aparecendo porque são enviados pelos mesmos servidores que entregam os vídeos. Mais Lidas
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