O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) mantém o direito de solicitar um passaporte italiano, mesmo após a Polícia Federal (PF) cancelar seus documentos brasileiros nesta terça-feira (27/10). O parlamentar possui cidadania italiana desde 2023, condição que permite a emissão do documento europeu, cujo cancelamento depende das autoridades da Itália.
A PF cancelou os passaportes comum e diplomático do senador depois que ele não cumpriu o prazo determinado pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para entregar os documentos. A decisão judicial foi tomada na segunda-feira (26), após a derrota de Flávio para Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno da eleição presidencial.
Embora tenha cidadania italiana, não há confirmação de que o senador tenha obtido o passaporte do país europeu. A Justiça brasileira pode determinar a entrega do documento e proibir sua utilização para deixar o território nacional.
Suspeita de saída do Brasil A Polícia Federal também apura se Flávio Bolsonaro deixou o Brasil, apesar da proibição judicial de viajar ao exterior.
A suspeita ganhou força após uma publicação do portal argentino Infobae informar que o senador teria atravessado a fronteira utilizando uma carteira de identidade e embarcado em um jato particular em Puerto Iguazú, cidade próxima a Foz do Iguaçu, no Paraná. Segundo dados do Flightradar24 citados pelo Congresso em Foco, a aeronave mencionada na notícia, um Gulfstream G400 da empresa Baires Fly, chegou à cidade argentina às 23h45 de segunda-feira.
Até o início da tarde desta terça, não havia registro de nova decolagem na plataforma. A Direção Nacional de Migrações da Argentina informou que não encontrou registro de entrada do senador no país e iniciou verificações sobre a aeronave e a tripulação.
A Polícia Federal brasileira também não identificou registros de passagem de Flávio pela fronteira. Aliados do parlamentar negam que ele tenha deixado o Brasil.
Cidadania italiana A cidadania italiana de Flávio Bolsonaro foi confirmada pelo governo da Itália em documento encaminhado ao Parlamento daquele país.
Em junho de 2025, a subsecretária do Ministério do Interior italiano, Wanda Ferro, informou que Flávio e Eduardo Bolsonaro obtiveram a nacionalidade em 2023, enquanto Carlos Bolsonaro conseguiu o reconhecimento em 2024. Os três filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro iniciaram os procedimentos por descendência italiana.
Na ocasião, o governo italiano informou que Jair Bolsonaro não havia apresentado pedido semelhante até junho de 2025. Investigações
A decisão de Alexandre de Moraes que determinou a entrega dos passaportes foi tomada no âmbito de uma investigação sobre suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo Flávio Bolsonaro e o advogado Willer Tomaz. As apurações estão relacionadas a possíveis operações financeiras no setor de apostas.
Ambos confirmam a amizade, mas negam sociedade ou irregularidades. O senador também é investigado por possíveis crimes relacionados ao financiamento do filme Dark Horse, produção sobre a trajetória de Jair Bolsonaro.
Na segunda-feira, Flávio criticou a decisão judicial e afirmou que entregaria os documentos. Ele também negou intenção de deixar o país.
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Até o momento, não há confirmação oficial de que o senador tenha saído do Brasil. A Polícia Federal continua apurando as informações sobre seu possível deslocamento e o eventual descumprimento da ordem judicial.
congressoemfoco.com.br/S/032D97">Congresso em Foco Foto: Joédson Alves/Agência Brasil
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