Entre os seis candidatos à Presidência mais bem colocados nas Eleições 2026, Romeu Zema, do Novo, foi o candidato que mais gastou por voto: pelo menos R$ 16,26. O ex-governador de Minas Gerais declarou mais de R$ 5 milhões em despesas e teve apenas 326 mil votos. Ministro diz que quer ‘pagar para ver’ aliados de Flávio Bolsonaro votarem contra fim da 6x1 Flávio aposta em alianças e Lula prepara mudança de estratégia para o segundo turno Em seguida vem Ronaldo Caiado, do PSD, que gastou pelo menos R$ 22 milhões e recebeu pouco mais de 2,6 milhões de votos, o que dá R$ 8,45 por voto. Já os dois candidatos que vão ao segundo turno aparecem em patamares parecidos: Flávio Bolsonaro, do PL, gastou R$ 1,18 por voto; e Lula, do PT, R$ 1,22. Os números são parciais, com base nas despesas declaradas ao TSE até 6 de outubro. As campanhas têm até 3 de novembro para entregar a prestação de contas final do primeiro turno. Lula e Flávio, que disputam o segundo turno, só entregam as contas dos dois turnos até 14 de novembro. O que pesa no custo do voto O cientista político e professor da ESPM Paulo Niccoli Ramirez avalia que o custo de cada voto depende de como o dinheiro é investido na campanha e do reconhecimento que o político já tem. "A eficiência dos recursos gastos e a relação com a quantidade de votos depende principalmente do grau de conhecimento que esse político tem perante a opinião pública", afirmou. O primeiro fator, segundo ele, é o conhecimento prévio que o político tem antes do período eleitoral: "É o que a gente poderia chamar de capital simbólico, ou seja, o que ele representa antes da eleição para a população". "O fato é que hoje a eficiência se torna muito mais evidente e muito mais potente com o uso das redes sociais do que com as tradicionais campanhas do passado, com a impressão de panfletos, de campanha televisiva ou radiofônica. Considerando que o celular está nas palmas das mãos de qualquer cidadão conectado à internet, então a campanha ela mesma se torna permanente, e não unicamente no período eleitoral", disse. Ele também destacou o peso do capital social, que, nas palavras dele, "é a quantidade prévia de seguidores, antes do período eleitoral". "O recurso financeiro contribui ainda mais para a divulgação dessa candidatura", completou. "O que se vê é que o Zema, que não é um político muito ligado às redes sociais, acabou tendo um verdadeiro fracasso nas eleições. Talvez tenha sido uma estratégia importante em termos de derrota, a falta de uma participação maior nas redes, assim como o Caiado", avaliou. Sobre Augusto Cury, o professor diz que a presença do candidato no primeiro debate e o uso das redes determinaram a terceira colocação. Menor custo por voto Pelo que foi declarado até agora, Renan Santos, do Missão, gastou apenas R$ 0,48 por voto, e Augusto Cury, do Avante, só R$ 0,16. As duas campanhas, no entanto, arrecadaram bem mais do que isso - se os gastos chegarem ao valor recebido, o custo do voto deve chegar a R$ 1 ou até mais, já que ainda pode haver receitas e despesas não declaradas e há campanhas que terminam gastando mais do que arrecadaram. Campanhas menos expressivas Na maior parte das campanhas menos expressivas, os votos ficaram mais caros, já que houve poucos votos para diluir o valor gasto. Wilson Grassi, do Democrata, gastou mais de R$ 1 milhão e recebeu menos de 17 mil votos, resultando em quase R$ 64 por voto. Clariana Barão, do DC, gastou quase R$ 25 por voto, e Hertz Dias, do PSTU, mais de R$ 24. Samara Martins, da UP, R$ 5,30. Edmilson Costa, do PCB, pouco mais de R$ 1. E Rui Costa Pimenta, do PCO, por enquanto declarou só R$ 250 em gastos - com pouco mais de 15 mil votos, gastou só R$ 0,02 por voto que recebeu.
Campanhas à Presidência: custo por voto vai de R$ 0,02 a quase R$ 64
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