Campanha de Lula tenta 'furar a bolha' com ofensiva nas redes e militância nas ruas

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Fonte da notícia: Valor Valor

Janones: “Nós temos que ter uma comunicação direta, temos que fazer barulho” Marlene Bergamo/Folhapress - 20/8/2022 A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem apostado no engajamento das redes sociais, com ajuda do canal criado pelo deputado André Janones (Rede-MG), e em manifestações de rua para tentar manter a militância motivada e conseguir virar o jogo após a derrota no primeiro turno para o candidato do PL, Flávio Bolsonaro. Ferramentas usadas com mais intensidade (e destreza) pela direita, memes e novelas feitas com inteligência artificial (IA) tratando, com ironia e humor, sobre eleição e pautas relevantes, como o fim da escala 6x1, têm viralizado e “furado a bolha”, na avaliação de quadros petistas. Com quase 5,5 milhões de seguidores, o canal de WhatsApp “Exército do Lula” virou um dos principais divulgadores de atos, decisões e notícias sobre a candidatura de Lula, tanto que acabou sendo alvo do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a pedido da candidatura de Flávio. O imbróglio jurídico, que durou mais de uma semana, fez com que a Justiça Eleitoral balizasse as regras para o uso destas ferramentas e ajudou a acelerar o crescimento da rede de transmissão criada por Janones. No dia seguinte ao primeiro turno, 5 de outubro, o canal tinha apenas 55 mil inscritos, e explodiu após a polêmica. Com o discurso de que o presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, indicado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, estaria “sendo parcial”, petistas colocaram a iniciativa sob holofotes. “URGENTE! URGENTE!”, gritam chamadas de Janones no canal, em caixa alta, sempre estabelecendo metas para que os “soldados do Lula”, como são chamados os participantes, consigam trazer novos seguidores e levar a mobilização para as redes sociais. “Nós temos que ter uma comunicação direta, temos que fazer barulho, chamar atenção, como eles [à direita] fazem”, afirmou Janones ao Valor, durante um encontro da campanha com lideranças na semana passada. Na sexta-feira (16), por exemplo, ele ajudou a organizar um “panelaço” para o momento da sabatina de Flávio Bolsonaro no Jornal Nacional. A ideia foi difundida no grupo por meio de um vídeo gravado em formato de selfie, usando a camiseta do Brasil. “Senta o dedo”, instruiu o deputado, sugerindo o compartilhamento da ideia - tudo sempre em caixa alta. Janones já havia desempenhado esse papel de “engajador digital” para Lula em 2022, mas teve um alcance mais moderado. Questionado sobre as tentativas de exclusão pelo TSE, o deputado procura não criticar Nunes Marques, mas garante que não divulga “fake news”, como acusam bolsonaristas. A pressão sobre o tribunal ficou a cargo da equipe jurídica da campanha, que questionou as decisões, e da militância, que passou a compartilhar conteúdos questionando por que o canal homólogo “Tropa do Flávio” não foi censurado em momento nenhum pela Justiça Eleitoral. O engajamento da militância nas redes, aliás, tem sido considerado uma das boas notícias para a candidatura nesta segunda etapa. “Após o susto, militantes levaram uma chacoalhada e começaram a criar e espalhar conteúdos seus, independentemente do que a campanha está fazendo”, apontou o deputado Reginaldo Lopes (PT-MG). Desde o primeiro turno, ele é um dos que defende o uso mais “jovem e popular” das redes. Em especial no X, apoiadores têm criado memes e produzido as chamadas “novelas de IA”, divididas em episódios, para falar de assuntos que impactam os eleitores. Há séries de vídeos com frutas como personagens (“Kiwi Lula” e “Laranjonaro”), voltado a temas do dia a dia; outra série retrata a academia do “Lula Maromba”, em que o “Inflávio” tenta enganar os clientes; e outra usa bois e touros antropomorfizados (referência a “gado”) vivendo em um eventual futuro em que Flávio foi eleito e os cidadãos perderam direitos trabalhistas e benefícios sociais. As pautas são sempre populares ou de um assunto em voga no governo, como preço dos alimentos, desemprego, fim da escala 6x1, e até temas mais “quentes”, como o debate sobre Nossa Senhora Aparecida, que estourou às vésperas do primeiro turno. Apesar de um ambiente restrito, essas peças viralizam ao serem espalhadas no Instagram e em especial no WhatsApp, dada capilaridade do canal de mensagens mais popular do país. A campanha petista diz que, diferentemente de outras iniciativas, como o canal “Lulaverso”, não há nenhuma ingerência oficial, embora eles acompanhem e estimulem - tanto que nenhum desses vídeos leva a inscrição da coligação “O Brasil Pronto Para Mais”, como exige a Justiça Eleitoral. Até Lula entrou na onda digital. O presidente, que não tem nem celular próprio e costuma usar o da primeira-dama Janja da Silva ou de um assessor direto, como fotógrafo Ricardo Stuckert, resistiu o quanto pode de explorar as redes sociais, mas teve que ceder às selfies. Por insistência da esposa e sugestão do governador do Piauí, Rafael Fonteles (PT), um de seus conselheiros, ele passou a gravar vídeos diários com a câmera frontal, gesto repetido por ministros, aliados e assessores. Segundo um ex-ministro próximo, hoje o petista acha a iniciativa “um barato”. Desde 2018, uma das principais dificuldades do meio progressista era exatamente criar conteúdos que se difundissem organicamente, um dos principais trunfos de apoiadores bolsonaristas, com seus canais de compartilhamento. Neste segundo turno, petistas dizem que conseguiram “finalmente fazer como a direita” e passaram a pautar os debates na internet, em vez de só reagirem, muitas vezes tardiamente.

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