Diante do risco de desgaste provocado pela crise que atinge o Supremo Tribunal Federal (STF), a campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva considerou uma vitória o cenário de estabilidade mostrado pela pesquisa do Datafolha divulgada nesta quinta-feira, enquanto a campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) avalia que a crise no STF pode abrir espaço para o candidato avançar nas próximas semanas. O levantamento mostrou Lula com 46% nas simulações de segundo turno contra 44% de Flávio Bolsonaro. Os números são os mesmos da pesquisa da semana passada. A margem de erro é de dois pontos. Na simulação de primeiro turno, o petista manteve os 39% e o candidato do PL oscilou um ponto, de 35% para 36%. De acordo com um integrante da coordenação da campanha petista, a avaliação praticamente unânime de analistas era que a troca de acusações entre ministros da Corte seria uma catástrofe para Lula. Diante da conjuntura, o fato de o atual presidente continuar liderando numericamente, mesmo com empate técnico, seria uma boa notícia. O Datafolha começou a fazer a pesquisa na segunda-feira, dia em que o STF julgou, sem concluir, se o ministro Alexandre de Moraes deveria ser investigado por sua relação com o banqueiro Daniel Vorcaro, do Master. A sessão foi marcada por bate-bocas e trocas de acusações entre os magistrados. As entrevistas terminaram na quarta-feira. A rejeição tanto de Lula como de Flávio oscilaram positivamente um ponto, passando de 46% para 47%, no levantamento de quarta-feira. Flávio aposta na crise no STF e no voto útil A campanha de Flávio Bolsonaro também recebeu os números do Datafolha de forma positiva. A equipe avalia que a estabilidade do candidato no cenário de segundo turno reforça a estratégia de continuar explorando a crise no Supremo como um dos principais temas da campanha. A avaliação interna é que as revelações envolvendo a Corte e a troca de acusações entre ministros ainda podem produzir efeitos sobre o eleitorado. Embora a campanha considere que seus trackings internos apresentam um cenário mais favorável a Flávio do que o mostrado pelo Datafolha, a equipe avalia que a pesquisa pode funcionar como um impulso adicional para a candidatura. A leitura é que, ao tomar contato com um cenário de disputa mais apertada, parte do eleitorado pode passar a “acreditar” mais na possibilidade de vitória de Flávio. A campanha também aposta no chamado voto útil no primeiro turno. A estratégia é tentar atrair eleitores dos demais candidatos da direita, especialmente os que têm menor intenção de voto, com o argumento de que é possível concentrar votos em Flávio para tentar encerrar a disputa já na primeira rodada. A estratégia tem sido externalizada pelo próprio candidato. Na live semanal de quinta-feira, Flávio fez um apelo explícito aos eleitores que não o têm como primeira opção e pediu que considerassem votar nele já no primeiro turno. — Eu quero fazer um apelo aqui aos brasileiros que não me têm como primeira opção pra presidente da República, prefere votar no outro candidato ali que não seja obviamente aqueles candidatos que são concorrentes ou oposição a Lula. Considere votar em Flávio Bolsonaro já no primeiro turno. Pra gente resolver essa parada logo no primeiro turno. Na mesma transmissão, Flávio afirmou que, na avaliação dele, há possibilidade de vitória já na primeira rodada e pediu aos apoiadores que comentassem se acreditavam nesse cenário. — Tem tudo pra ser uma vitória nossa já no primeiro turno. Você acredita? Comenta aí, por favor. Vai ser no primeiro turno. Fora Lula, fora Moraes e fora Dino. O candidato também relacionou o desempenho nas pesquisas a uma melhora nas expectativas econômicas, em uma tentativa de reforçar a ideia de que a sua candidatura já produz efeitos sobre o cenário político e econômico.
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Campanha de Lula comemora estabilidade no Datafolha e Flávio aposta em crise no STF para avançar
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O Globo
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