Se teve uma franquia que teve um ano de 2025 difícil, essa franquia é Call of Duty. Black Ops 7, apesar de um bom multiplayer e zombies, saiu devastado de uma campanha tenebrosa e resultados de vendas nada satisfatórios para uma das séries mais populares dos videogames.
No entanto, apesar do resultado negativo no ano anterior, a Infinite Ward não poupou esforços e entrega o que possivelmente é o melhor Call of Duty desde 2019. Modern Warfare 4 não poderia ser menor ou melhor do que ele é, afinal, o título encerra a subfranquia responsável por tornar COD o gigante que ele é hoje.
Com uma campanha sólida, um multiplayer extremamente divertido e um DMZ reformulado para os moldes de extraction shooter dos dias atuais, a franquia se despede de Modern Warfare em alta. Todo ano, por menor que seja meu hype na atualidade com a saga, eu sempre estou de olho no multiplayer de COD, porque eu sempre me divirto muito nas partidas, até mesmo nos lobbies tryhards — que ainda estão presentes de uma forma meio esquisita porque o skill-based matchmaking (SBMM) é uma incógnita ainda.
Mas, nas mais de 15 horas de jogo que tive até o momento, esse multiplayer de COD me animou e muito, mas até quando. Sempre sou um jogador bem assíduo durante a temporada 0 do game — o momento em que eu mais me divirto com o jogo — e sempre tenho uma dúvida de quanto essa diversão durará, porque, a partir da temporada 1, sempre me desanimo um pouco.
Previamente, na minha análise prévia, disse como COD MW4 tem cara de um jogo novo — principalmente após os tropeços de MW2 e MW3. Essas novidades residem nas grades no menu, no sistema de armeiro e no feeling do game — sei que é muito raso falar de feeling, mas isso é muito importante dentro de Call of Duty.
Confesso que, no primeiro final de semana do beta, eu gostei ainda mais do multiplayer do que dessa versão final, principalmente por conta do time to kill (TTK) bem rápido, que está bem equilibrado agora na versão definitiva. Com isso, as partidas ficaram bem dinâmicas e equilibradas, mesmo que eu tenha gostado bastante de como estava o TTK no primeiro beta.
A criação de classes melhorou muito com o novo armeiro; a seleção de perks está ótima, porém não gostei tanto de ter os operadores atrelados às classes. Ainda preferia ter um operador universal, porque, sinceramente, não me faz tanta diferença assim in-game.
Os mapas também são um grande acerto. Todos eles são bem construídos e, em todos que apareceram para mim até o momento, nenhum deles me desagradou.
Quando se fala em mapa no MW4, é necessário falar do Kill-Block. Apesar de passar bem longe de ser a minha principal escolha nas minhas partidas multiplayer, gostei de jogar nele e desse esquema modular de sempre estar alterando, o que gera esse sentimento de novidade constante nas partidas.
No fim, a Infinite Ward pega os erros de MW2 e MW3 e os corrige em MW4 com um multiplayer muito fechado e recheado de coisas boas. A movimentação é coesa (ainda bem que não temos Omnimovement), o arsenal é ótimo, os modos são bons, e tudo indica uma boa vida útil para o modo e o game, basta esperar pelas próximas temporadas de conteúdo.
Uma das minhas grandes decepções com COD foi a fraca campanha de MW3, que começou muito bem com o MW (2019), falhou no MW2 e fracassou por completo com MW3. No entanto, esses tropeços dão lugar a uma campanha digna de ótimos filmes de ação e guerra.
Dividida em dois núcleos, Capitão Price e do soldado sul-coreano Park, a trama é mais extensa do que as campanhas comuns de COD e encerra um ciclo com momentos impactantes e surpreendentes e momentos impressionantes na jogabilidade. Com Park, lutamos contra uma invasão norte-coreana que, em certo momento, colide com a jornada assassina de Price.
O vilão de Mads Mikkelsen, o Arqueiro, é muito bom e marcante, porém isso vai muito mais do ator, que sempre é emblemático em suas atuações, do que do roteiro do game em si. Contudo, a narrativa ainda é uma propaganda de guerra estadunidense e tem um fator de rejogabilidade nulo.
Mesmo que seja emocionante em certas situações, ainda parece que a genialidade narrativa da Infinite Ward ficou no passado. As coisas ainda eram mais interessantes nos jogos originais de Modern Warfare.
Eu não sou um grande fã de jogos de extraction shooter, mas o DMZ de MW4 me fez ter um pouco mais de interesse pelo gênero. As coisas funcionam do mesmo jeito que é visto em títulos como Arc Raiders: você tem uma missão que deve cumprir, seja coletando novos itens, materiais, informações, etc., e, ao concluir esse objetivo, é necessário extrair, senão você perde o progresso.
Os objetivos são bem variados; o mapa Hajin é bem construído e me agradou bastante, enquanto o lobby central me trouxe memórias do Quartel-General do COD WW2 — grandes memórias. Com uma estrutura muito sólida, o DMZ foi uma ótima aposta, mas eu tenho algumas questões de negócios com ele.
Sei que Call of Duty sempre ofertou três modos na maioria de seus jogos, mas o DMZ poderia ser uma opção gratuita, tal qual o Warzone e agregar ainda mais jogadores, o que tornaria o modo ainda mais atrativo. Porém, no futuro, eu consigo enxergar a Activision tornando o DMZ em um standalone por um preço mais agradável do que o pacote completo com multiplayer e campanha.
Entretanto, enquanto isso não acontece, o DMZ entrega uma experiência divertida, mas não tão intensa quanto os trailers prometeram. De toda forma, ele encerra a trinca de acertos da Infinite Ward com MW4, que é o melhor Call of Duty desde o MW (2019), quando a saga reboot começou.
A marca que a IW deixa é que o começo e o fim foram igualmente ótimos — embora o meio não tenha sido tão brilhante assim.
BR IGN