A montadora chinesa BYD acelerou os trabalhos de expansão do seu complexo industrial instalado no município de Camaçari, na Bahia. O objetivo da fabricante é encerrar a dependência do sistema de montagem por kits semidesmontados (SKD) e migrar para a fabricação nacional completa até o início de 2027.
Com o avanço das áreas de estamparia, soldagem e pintura, a meta da companhia é atingir um índice de nacionalização superior a 50% nos veículos produzidos em solo brasileiro. Desde a inauguração da unidade baiana em outubro de 2025, as operações no antigo terreno da Ford concentravam-se na fase final de montagem, cobrindo etapas como instalação de rodas, checagens de sistemas e abastecimento de fluidos.
A implementação das novas instalações fabris permitiu a contratação de mais de 1,1 mil profissionais para treinamento técnico, com a previsão de adicionar outros 500 trabalhadores até o término de 2026. Segundo o vice-presidente da marca no Brasil, Alexandre Baldy, o contingente reforçará a mudança estrutural do complexo no início do próximo ciclo.
A movimentação da BYD ocorre em meio ao aumento progressivo do imposto de importação para veículos elétricos e híbridos, cuja alíquota cheia atinge 35%. O modelo de montagem por componentes importados sofreu críticas da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), que apontou o risco de menor geração de Empregos Locais pela baixa adesão de autopeças produzidas no país.
Em resposta às entidades do setor, a fabricante defende a velocidade dos seus investimentos e planeja utilizar a unidade de Camaçari como polo exportador para o Mercosul, com foco nas vendas para a Argentina. Atualmente, o complexo fabril monta quatro modelos eletrificados: Dolphin Mini, King, Song Pro e Atto 2, registrando um volume acumulado superior a 130 mil unidades colocadas no mercado.
Com o plano de estabelecer três turnos de trabalho até o fim do ano, a empresa planeja elevar a capacidade produtiva dos atuais 150 mil veículos por ano para 300 mil na próxima fase, projetando atingir o teto de 600 mil unidades anuais no longo prazo. A operação projeta gerar até 20 mil empregos diretos e indiretos quando o parque industrial estiver operando em capacidade máxima.
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