BTG projeta prejuízo para MBRF em 2026 e 2027

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

A MBRF (MBRF3), gigante de alimentos formada pela união de Marfrig e BRF, deve registrar prejuízo líquido de R$ 890 milhões em 2026 e de R$ 908 milhões em 2027, segundo projeções do BTG Pactual divulgadas nesta quarta-feira. Dessa forma, a companhia que registrou lucro de R$ 1,2 bilhão em 2025, só voltaria a apresentar resultado positivo em 2028, quando o ganho líquido deve alcançar R$ 818 milhões, segundo os cálculos dos analistas Thiago Duarte e Guilherme Guttilla.

Segundo o relatório, os gastos líquidos com juros devem alcançar R$ 6,4 bilhões em 2026 e R$ 7,2 bilhões em 2027, enquanto a relação entre dívida líquida e Ebitda, indicador de alavancagem, deve passar de 3,8 vezes em 2025 para 4,1 vezes neste ano. Mesmo com `a recuperação operacional prevista para 2027, o resultado antes de juros e impostos, estimado em R$ 6,1 bilhões, permaneceria abaixo das despesas líquidas com juros.

Parte dessa pressão vem das operações de aves e suínos da BRF, afetadas pelo aumento da oferta e pela consequente dificuldade de sustentar preços no mercado brasileiro. No exterior, o banco também espera uma normalização das margens, que vinham de níveis excepcionalmente elevados, especialmente na operação Sadia Halal.

A empresa é controlada pela MBRF, com 90% do capital, enquanto os 10% restantes pertencem à HPDC, subsidiária do fundo soberano saudita PIF. A parceira saudita assumiu o compromisso de elevar sua participação para pelo menos 20%, com possibilidade de chegar a 40% antes de uma eventual abertura de capital da Sadia Halal na Bolsa de Riad, capital da Arábia Saudita.

Na divisão de carne bovina, a recuperação da National Beef, nos Estados Unidos, deve oferecer algum alívio, depois de um período de rentabilidade deprimida. O banco estima que a margem Ebitda ajustada da operação norte-americana tenha subido de 0,7% para 2% entre o segundo e o terceiro trimestres, beneficiada pela melhora das margens de processamento de carne em agosto e setembro.

As condições do setor teriam avançado novamente em outubro, abrindo espaço para resultados melhores no último trimestre do ano. Na América do Sul, porém, o BTG ainda prevê queda de 8% no Ebitda ajustado em relação ao trimestre anterior.

A combinação desses movimentos deve levar a MBRF a registrar Ebitda ajustado consolidado de R$ 3,27 bilhões no terceiro trimestre, queda de 6,7% na comparação anual, embora com avanço de 2,1% sobre os três meses anteriores. Para o conjunto de 2026, o banco projeta Ebitda de R$ 12,1 bilhões, abaixo dos R$ 13 bilhões registrados em 2025.

A melhora esperada para 2027, quando o Ebitda deve alcançar R$ 12,9 bilhões, ainda não seria suficiente para reverter o prejuízo. Nesta quarta, às 14h38, os papéis da companhia eram negociados a R$ 16,28, alta de 3,10%.

Publicação Original O Globo oglobo.globo.com
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